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01. PRIMEIRO CAPÍTULO

ROLETA RUSSA


SOBRE O CAPÍTULO

Capítulo de estreia da novela literária do Megapro. Imperdível!

Rio de Janeiro, 2010.

Dois corpos com os rostos ensanguentados estão jogados no chão. Há uma mesa na sala onde duas pessoas estão jogando, Antônio pega o revólver, alinha uma bala na câmara e gira o tambor, ele vai parando a rotação do tambor de leve e o encaixa de volta.

Antônio pressiona o cano do revólver em seu queixo e olha fixamente para o homem que está a sua frente. Ele aperta o gatilho, o revólver não dispara e Antônio entrega a arma para o homem.

- Posso fazer isso a noite toda.

O homem apenas olha sério para ele, pega retira a bala e repete o movimento de Antônio. Logo depois ele pressiona o cano em seu queixo e aperta o gatilho, o revólver dispara e o homem cai para trás, morto.

- Já não era sem tempo. - Antônio levanta da cadeira, pega as malas que estão sobre a mesa e as abre, há uma quantia alta em dinheiro dentro de cada uma das quatro malas. - Hora de ir para casa.

Durante a madrugada, Antônio entra em casa com cuidado para que sua filha Marcela, de quinze anos, não acorde.

- Entrando em silêncio para não me acordar? Sua missão falhou. - Diz Marcela encostada na porta do quarto, de braços cruzados.

- Minha filha, você tem escola amanhã, vá dormir.

- Ganhou quanto dessa vez?

- Trinta mil.

Marcela entra para o quarto e vai dormir.

Antônio vai para a sala e senta no sofá, ele pega uma foto de uma mulher que estava na mesa de centro.

- Porque você foi me abandonar? Hoje minha filha não estaria passando por isso. - Diz Antônio para a foto.

No dia seguinte, durante o café da manhã, Marcela vai conversar com o pai.

- Pai, eu quero te pedir uma coisa.

- Diga, minha filha.

- Me ensina a jogar.

- Jogar o que?

- O seu jogo, o que você ganha dinheiro. - Marcela senta na cadeira empolgada. - Pai eu quero ser tão boa quanto você, me ensina. Por favor.

- Não, Marcela! Esse jogo é perigoso, ele vale a sua vida.

- Pai, você acha que eu sou burra? Você tem alguma técnica especial para driblar a sorte nesse jogo, você joga a mais de quinze anos e está aí vivinho!

- Vá para o colégio, Marcela. Quando você voltar nós conversamos.

Marcela vai para o colégio enquanto Antônio dorme no quarto.

Na hora da saída, Marcela e sua melhor amiga, Natália, saem juntas do colégio.

- Vai na festa do Edu hoje, amiga? - Pergunta Natália.

- Nem vai dar, hoje é a folga do meu pai e a gente vai ficar vendo filmes juntos.

- Ai que fofo.

- É.

- Seu pai trabalha com o que? Anos que somos amigas e eu nunca soube no que o tio Antônio trabalha.

- Você promete que não conta nada para ninguém?

- Claro.

- Meu pai trabalha com jogos proibidos, num cassino.

- Cassino ainda existe?

- Sim, eles são bem escondidos.

- Entendi. Bom... segredo guardado. - Natália se despede de Marcela e entra no ônibus.

Marcela vai para casa.

Assim que abre a porta, Marcela dá de cara com Antônio apontando uma arma para ela.

- AI QUE SUSTO! - Grita Marcela.

- Você não pode ter medo de uma arma se quer aprender a jogar!

Marcela respira fundo e anda até o pai.

- Eu não estou com medo da arma, eu apenas me assustei. Então quer dizer que você vai me ensinar!?

- Tenho que passar o que eu sei para alguém, não é?

- Te amo, pai. - Marcela abraça Antônio.

- Agora vem, você tem muita coisa para aprender e treinar.

Antônio leva Marcela para o porão da casa. Lá há muitas armas e munição, Antônio pega um revólver e coloca apenas uma bala e gira o tambor.

- Você tem que saber exatamente onde a bala vai parar, ela não pode cair no cano senão você está morta, então tem que parar ela antes.

- E pode?

- Claro que não, você tem que ir parando o tambor devagar, com sutileza sem que ninguém perceba. Toma. - Antônio joga o revólver para Marcela. - Gire e pare até a bala parar três cilindros antes do cano, faça isso até pegar prática, depois volte.

- Eu nunca vou conseguir.

- Então nunca vai aprender.

Antônio sai do porão e deixa Marcela sozinha girando o tambor.

- Que inferno, não sabia que era tão difícil. - Diz ela enquanto gira o tambor.

Depois de algumas horas Marcela sai do porão e procura pelo pai.

- Olha só não tem como pegar prática nisso, é uma questão de sorte.

- Sorte não existe. - Antônio pega o revólver da mão dela e rapidamente gira o tambor e o encaixa no cilindro apertando o gatilho, a arma não dispara. - A bala faz um pequeno ruído quando o tambor completa uma volta, assim que ouvir este ruído você deve parar a rotação.

Antônio mostra para Marcela como faz.

- Agora repita, até pegar prática.

Depois de alguns dias Marcela pega prática em girar o tambor e vai falar com o pai.

- Pai, pai, pai, consegui, olha. - Marcela repete o movimento cinco vezes, acertando a posição da bala em todas elas.

- Muito bem, agora vamos lá no porão.

No porão, Antônio coloca um silenciador em uma das armas e a entrega para Marcela, agora você vai aprender a atirar.

Marcela aprende rápido. Logo ele a ensina a jogar.

- Mantenha seu olho fixo no rival, mais nada existe na hora jogo, além de você, seu rival e o revólver. Lembre-se, a sua vida é sua responsabilidade, eles vão querer brincar com você, colocar pressão.

- Como?

- Há outra forma de jogar, na qual ele gira o tambor e quem aperta o gatilho é você, para que você fique com a culpa de ter matado alguém, não sinta culpa.

- Tudo bem pai.

- Vamos jogar.

- Ma... mas e se...

- Não vai acontecer nada, é só um treinamento.

Antônio treina Marcela por dias até que lhe entrega um número.

- Quando quiser jogar, ligue para esse número e seu jogo será marcado. Hoje eu tenho um com um cara podre de rico. Você vai comigo!

- Eu posso ir?

- Desde que não te vejam. Vamos.

Antônio leva Marcela para uma casa abandonada no meio do mato.

- Não chegou ninguém ainda, vai dar tempo de você se esconder.

Marcela tenta entrar na casa, mas Antônio a impede.

- Não importa o que aconteça, não saia do seu esconderijo enquanto ele estiver dentro da casa, não saia! Entendeu?

- Entendi.

Marcela entra na casa e entra num quarto que tem visão para a sala, para que ninguém desconfie ela coloca um armário velho escondendo a porta.

Alguns minutos depois, Maurício, o rival de Antônio, chega com um segurança e eles entram na casa. Marcela estranha a presença do segurança, mas não pode fazer nada.

Depois de algumas horas de jogo, Maurício sugere que eles mudem a forma de jogar.

- Só uma rodada.

- Certo. - Maurício gira o tambor e entrega para Antônio.

Antônio pega o revólver e mira na testa de Maurício.

- Preparado?

Maurício olha sério para Antônio.

- Então tá. - Antônio aperta o gatilho e o revólver não dispara.

Logo em seguida, Antônio repete os movimentos de Maurício e entrega o revólver para ele.

Maurício aperta rapidamente o gatilho e o revólver não dispara. Na hora de entregar o revólver para Antônio, Maurício o deixa cair no chão.

- Pegue por favor. - Diz Maurício para o segurança que está assistindo ao jogo.

Marcela percebe que o segurança trocou o revólver na hora que pegou, ela pensa em sair do quarto, mas desiste quando lembra do pedido de seu pai.

Antônio pega o revólver e gira o tambor e o encaixa no cilindro, logo depois ele pressiona o cano em seu queixo e aperta o gatilho.

Marcela se assusta com o barulho do disparo, ela fica desesperada ao ver o pai caído no chão. Morto.

Maurício se levanta da cadeira e pega a mala que estava no lado de Antônio da mesa, logo depois pega o celular e faz uma ligação.

- Serviço completo. - Maurício desliga o telefone. - Vamos.

Maurício e o segurança saem da sala.

Marcela sai correndo do quarto e agarra o corpo do pai no chão.

- PAAAAAAI - Marcela começa a chorar. - Volta, pai. Volta. Por favor, voltaaa! PAAAAAI! - Marcela pega a arma na mão de Antônio e seca as lágrimas. - Eu vou acabar com eles pai, eu vou vingar a sua morte!