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07. SÉTIMO CAPÍTULO

REIS DA ARENA


SOBRE O CAPÍTULO

Igor e George se reencontram.

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MEGAPRO                                                                     2018

 

 

REIS DA ARENA

 

CAPÍTULO 07

WEB NOVELA DE: Lucas Oliveira

ESCRITA POR: Lucas Oliveira

 

 

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO:

 

HILDA
GASPAR
KADU
HORÁCIO
JOSEFA
EMILIS
BARTOLO
DARCY
PIETRO
LETÍCIA
MARIELA
GEORGE
IGOR
RAFAELA
GINA
ZANDER
LALÁ
ULISSES
EDSON
ALANA
ZETINHA

 

 

 

CENA 01. FILIAL EQUIPE A EQUIPE. SALA DE BARTOLO. INT. DIA.

Continuação imediata do capítulo anterior. Bartolo à mesa. Gaspar sentado à frente.

GASPAR: Bom, Bartolo... É que eu tô literalmente fu... Cê sabe. E o lance é dívida!

BARTOLO: Dívida?! Logo você um cara tão ajuizado. E grana da vitória do último rodeio?

GASPAR: Eu gastei. E mesmo assim o resto que sobrou não cobre. Não foi dívida que eu fiz, Bartolo. É em relação a minha casa. O Jordelho, que vendou a casa pra mim, não pagava os atrasados há anos e se eu não pagar, posso perder a casa!

BARTOLO: Nossa! Isso é muito sério! O Horácio não vai te ajudar?

GASPAR: Ele não sabe de nada!

BARTOLO: Como não?! Cê é genro do Horácio. E uma informação como essa deve ter vindo de algum representante da prefeitura.

GASPAR: Sim, mas acho que não chegou até ele. E eu não quero que ele saiba de nada, não vou contar nada! E você, por favor, mantenha sigilo! Se eu tô pedindo pra que seja feito um novo rodeio é pra, justamente, eu arcar com minhas responsabilidades com meu próprio dinheiro. O Horácio não gosta muito de mim e ele não esconde isso de ninguém. Não quero nada que venha dele!

BARTOLO: Cê lembra o nome do representante que te procurou, que te deu essa notícia?

GASPAR: Acho que Nestor, Hector, Heitor. Alguma coisa assim.

BARTOLO: Acho que eu sei quem é. Eu vou averiguar tudo isso pra você!

GASPAR: Não perde o foco, Bartolo! Cê vai ou não vai organizar um novo rodeio com urgência, o mais rápido possível?

BARTOLO: Vou!

GASPAR: (Animado/Levantando-se) Putz, Bartolo. Obrigado, cara! Muito obrigado mesmo! Eu nem sei como agradecer. Não é nem muito por mim. Eu me viro em qualquer lugar. Mas o Zander, o meu irmão, ele/

BARTOLO: (POR CIMA) Mas não vou fazer por causa do seu pedido não, Gaspar.

GASPAR: Como assim?

BARTOLO: Eu já tinha decidido isso antes. O Kadu também veio aqui mais cedo me pedir a mesma coisa.

GASPAR: O Kadu?

BARTOLO: Ele mesmo! A proposta foi bem favorável e terá rodeio novo em Touro Bravo já na próxima semana. E se prepara muito porque esse tem que ser o melhor rodeio já visto aqui nessa cidade. O melhor!

GASPAR: Mas qual o interesse do Kadu em ter um novo rodeio em tão pouco tempo também?

BARTOLO: O que importa é que vamos matar vários coelhos com uma cajadada só! Mas te garanto uma coisa: Será benéfico pra todas as partes. Inclusive a sua. Por isso dedique-se. Esse rodeio tem que entrar pra história!

GASPAR: Pode deixar, Bartolo!

Bartolo sorridente. Em Gaspar, visivelmente intrigado. CORTA PARA/

 

CENA 02. QUARTO DE HOTEL. INT. DIA.

Darcy deitada na cama visivelmente agoniada.

DARCY: (Pra si mesmo) Meu Deus! Que enjoo horrível!

Darcy enguia, senta-se na cama e vomita no chão. Ela volta a deitar e respira fundo.

DARCY: (Pálida/Fraca) Não, não pode ser o que eu tô pensando. Isso não!

SONOPLASTIA: Eu me Acerto – Zélia Duncan.

Em Darcy, visivelmente preocupada. CORTA PARA/

 

CENA 03. MANSÃO SANTANA. QUARTO DE HILDA. INT. DIA.

SONOPLASTIA OFF. Zetinha e Hilda em pés.

HILDA: (Surpresa) O Gaspar tá aí?

ZETINHA: Isso mesmo! E quer falar com você...

HILDA: (Virando-se) Diga a ele que eu não estou.

ZETINHA: (Pegando-a pelo braço) Ah não, Hilda! Você vai naquela sala falar com o Gaspar e resolver isso tudo de uma vez! Anda! Se ajeita e desce!

Em Zetinha, firme. CORTA RÁPIDO PARA/

 

CENA 04. MANSÃO SANTANA. SALA. INT. DIA.

Gaspar sentado no sofá. Hilda vem de dentro.

HILDA: Espero que tenha vindo com o intuito de reparar o seu erro.

GASPAR: (Levantando-se) Meu intuito é concertar as coisas sim, Hilda. Ajeitar de uma vez o que entortou e colocar no lugar.

HILDA: Que bom! Então começa contando aquilo que você insistiu em me esconder por não confiar em mim.

GASPAR: Hilda, por favor! Eu já disse que não se tratou disso. Não vamos voltar tudo de novo, né?!

HILDA; Mas foi o que então, Gaspar? Mulher?

GASPAR: (Respira fundo) Me escuta: O problema que eu tinha era só meu, de dinheiro. Mas já foi resolvido. Eu fui falar com o Bartolo e ele organizará um novo rodeio com urgência e aí vai me ajudar bastante.

HILDA; Dinheiro?

GASPAR: É...

HILDA; E porque você não me contou, Gaspar?! Meu dinheiro é tão sujo assim ou é orgulho?

GASPAR: O dinheiro não é seu, infelizmente. É do Horácio! Ele já não gosta de mim, não quero nada que venha dele. E eu não contei justamente por isso. Sabia que você não ia entender. Queria achar uma solução antes. E agora que consegui, mesmo que eu quisesse aceitar alguma coisa, não precisa mais. O que eu sei fazer de melhor que é montar vai me ajudar!

HILDA: (Sentando-se) Eu tô chocada!

Gaspar senta-se ao lado de Hilda.

GASPAR: Hilda, tenta me entender... (T) O Kadu comentou alguma coisa pra você sobre um novo rodeio?

HILDA: Não! Por quê?

GASPAR: Nada!

HILDA; Me diz: Pra quê esse dinheiro, hein, Gaspar?

GASPAR: Hilda, por favor, não complica as coisas. Eu vim aqui pra gente me entender. O problema que eu tive, já chegou a solução. Então vamos esquecer tudo isso e voltarmos de onde a gente parou?

HILDA; Eu não sei, Gaspar. Eu gosto muito de você. Eu te amo! Mas não sei se vale a pena eu dedicar esse amor a um cara que esconde as coisas de mim, que se fecha, que se acha o herói o tempo todo, que pode resolver tudo sozinho... NÃO! Não foi pra isso que eu comecei a namorar você. Não foi pra ficar pela metade que eu me entreguei a essa relação. Se os dois não estão  mergulhados de cabeça, mesmo nível, eu acho melhor terminarmos aqui. Por mais que eu sofra, por mais que doa. Se a gente continuar pode doer, pode ferir ainda mais. É melhor deixar como tá que um dia cicatriza.

GASPAR: Eu não acredito que eu tô ouvindo isso de você, Hilda!

HILDA; (Chorando contidamente) Tá me doendo muito. Mas é o que meu coração tá pedindo. Eu tô sendo sincera. Tô me abrindo por completo.

GASPAR: (Levantando-se) Tudo bem! Se você quer assim, só me resta sair fora! Mas eu tenho certeza que cê ainda vai se dar conta de que o que realmente importa, eu tenho de sobra pra te dá e é o mais verdadeiro: O amor!

SONOPLASTIA: Amor de Criança – Vanilda d’ Paula.

Gaspar sai do local. Hilda começa a chorar compulsivamente. Zetinha vem de dentro e a abraça. Clima melancólico. CORTA PARA/

 

CENA 05. CASA DE GASPAR. SALA. INT. DIA.

SONOPLASTIA OFF. Zander sentado no sofá colocando uma bolsa de gelo na perna. Gaspar adentra o local, visivelmente cabisbaixo.

ZANDER; (Assustando-se) Gaspar!!!

GASPAR: Que é isso, Zander? Pra quê tá pondo isso na cabeça?

ZANDER: Nada demais. Eu fui na rua rapidinho. Aí um táxi bateu em mim, eu cair, mas a passageira me ajudou e me trouxe até aqui. Uma mulher muito bonita e fina, por sinal.

GASPAR: (Sentando-se) Eu não mandei você ficar em casa, Zander?! Se tivesse me obedecido, isso não teria acontecido! Não foi beber não, né?

ZANDER: Claro que não! E eu já disse que você não é meu pai! (T) E cê tá com essa cara por quê?

GASPAR; O Bartolo vai organizar o rodeio, mas...

ZANDER: Mas...?

GASPAR: Mas com a Hilda não tem jeito! A gente conversou e... Tá tudo acabado entre nós! É o fim, Zander. É o fim!

Zander muda o semblante, entristecendo-se. CORTA PARA/

 

CENA 06. CASA DE JOSEFA. QUARTO DE JOSEFA. INT. DIA.

Josefa em frente ao espelho, maquiando-se. Kadu atrás dela.

JOSEFA: Voltar lá?

KADU; Claro! Se você colocou, precisa retirar. Aquele gravador já ficou tempo suficiente na sala do Horácio. É bom retirarmos logo antes que seja descoberto.

JOSEFA: (Virando-se) Ah, eu não sei. O Horácio já tava meio desconfiado e ele não gosta nada das minhas visitas sem prévio aviso. Não adianta! Ele não me ver mais como mulher.

KADU: Volta lá pela última vez. Eu te direi quando! Inventa uma desculpa e retira o gravador sem que ele note. Se a sorte tiver do meu lado, como eu acho que tá, a gravação será nosso passaporte para a mais repentina das vitórias!

JOSEFA: Tá. Fazer o que, né?!

KADU: Não se lamente, mamãe! Isso não é nada perto do que eu sei que a senhora é capaz de fazer.

JOSEFA: Eu seria incapaz de matar!

KADU: Só se fosse extremamente necessário, né?

JOSEFA: Bom, nesse caso, se abre uma mínima hipótese. Mas de tão mínima, se torna praticamente invisível. E isso nunca será necessário!

KADU: Nunca se sabe, minha mãe. Eu prefiro mesmo ir pelo caminho mais fácil. Só que pedras sempre insistem em aparecer pelo caminho. E elas aparecerem no meu, eu não excitarei em eliminá-las!

Em Kadu, sorridente. CORTA PARA/

 

CENA 07. CASA DE EMILIS. QUARTO DO CASAL. INT. DIA.

Emilis sentada na cama, ao celular.

EMILIS: Eu fui lá, Mariela. Eu vi! Uma porca, uma desleixada! A cada toda cheia de poeira, toda desarrumada. Um horror! E ainda tem aquele garoto lá, um intruso. Eu não sei mais o que tá acontecendo com os homens da minha família!

MARIELA: (OFF) Ah, Emilis. Você tá implicando a toa com a moça. A Lalá é uma menina maravilhosa.

EMILIS: Implicando? Eu vi, Mariela. Eu fui lá e vi!

MARIELA: (OFF) Mas o Pietro tá feliz com ela e é isso que importa! E o Ulisses é um ótimo rapaz também. Tá apenas buscando o lugar dele, tentando se encontrar como todos nós já fizemos um dia ou pelo o menos tentamos! Mas seu foco agora não é descobrir a amante do Bartolo?! Desistiu?

EMILIS: Claro que não! Eu vou ficar de olhos nos passos do Bartolo. O mas difícil vai ser continuar fingindo. Mas eu vou descobrir. Quando eu quero, eu sempre consigo!

Em Emilis, determinada. CORTA PARA/

 

CENA 08. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

SONOPLASTIA: Sem Parar – Gabriel, o Pensador.

PANORAMA da grande metrópole. CORTA PARA/

 

CENA 09. EQUIPE A EQUIPE. SALA DA PRESIDÊNCIA. INT. DIA.

SONOPLASTIA OFF. George à mesa. Alana, em pé, à sua frente.

ALANA: E a Letícia chegou bem lá em Touro Bravo?

GEORGE: Sim. Ela me mandou mensagens. Chegou bem e já se acomodou. O bom é que ela tem uma casa lá, o que fica mais fácil.

ALANA: É verdade. Bom, eu sair da faculdade e tava pensando em te chamar, pra a gente fazer um programa juntos. Mas pelo visto você tá muito ocupado, né?

GEORGE: Um pouco! Mas não tô no clima nem de trabalhar, nem de sair. Eu quero me reconectar comigo, ficar sozinho. Tô precisando disso.

ALANA: Por causa do Edson? Como tá as conversas entre ele e a tal Maria?

GEORGE: (Suspira) Ah, maravilhosas! Eu tô cada vez mais encantado, apaixonado por ele.

ALANA: (Sentando-se) George, pelo amor de Deus! Isso já tá indo longe demais!

GEORGE: Eu tô fazendo bem a ele, Alana. Eu tô fazendo o Edson ficar melhor, se sentir melhor.

ALANA: Isso até ele descobrir! E aí é que o mundo dele vai desmoronar de vez!

GEORGE: Isso não vai acontecer!

ALANA: Nada fica escondido pra sempre. E se você continuar se embolando com essa história, vai se enforcar cada vez mais.

GEORGE: (Leva a mão a cabeça) Eu preciso pensar. Eu não tô com cabeça pra trabalhar hoje. (Levantando-se) Preciso respirar!

ALANA; Aonde é que você vai?

GEORGE: Não sei, Alana. Não sei! Só sei que eu preciso de ar, de vento, de tranquilidade. Eu preciso botar as coisas no lugar e só assim decidir o que eu vou fazer. Se eu ficar aqui dentro, eu vou pirar!

George sai do local esbaforido. Em Alana, boquiaberta. CORTA PARA/

 

CENA 10. APARTAMENTO DE IGOR E RAFAELA. SALA. INT. DIA.

Rafaela sentada no sofá, fazendo as unhas. Igor vem de dentro com o celular em mãos. 

IGOR: (Visivelmente irritado) Não tô aguentando mais!

RAFAELA: O que foi dessa vez, amor?

IGOR: A Gina não para de me encher com mensagens cobrando esse dinheiro, estipulando prazos, me atazanando.

RAFAELA: Eu já desistir de entender essa garota. Ela gosta de ser como é. Pelo visto, tem orgulho de si própria.

IGOR: Eu tô perdido, Rafa! Isso não vai parar nunca! Ontem ela pediu 50 mil, agora exige 100, amanhã vai tá exigindo 500!

RAFAELA: Tem que ter algum jeito. Não podemos ficar na mão desta aprendiz de picareta pro resto da vida. E você, nada de ir pedir mais dinheiro pra agiota. Essa ideia tá fora de cogitação, ouviu?!

IGOR: Eu fico pensando... Será que ela não tá fazendo isso tudo por raiva, recalque?

RAFAELA: Recalque?

IGOR: É. Depois que nós transamos eu deixei claro pra ela que jamais trocaria você por uma imbecil como ela. Que eu amo você e que, pra mim, ela não passou apenas de uma merenda!

RAFAELA: Não. Recalque não é o que abala aquele tipinho. Aquilo ali tem deficiência no caráter mesmo. Ela já tava planejando tudo isso antes mesmo de ir pra cama com você. Por isso mesmo ela insistiu, ficou atrás, se jogando. Se você não tivesse cedido...

IGOR: Se cê soubesse a raiva que eu tenho de mim por isso... (T) Eu preciso sair pra relaxar, Rafaela. Se eu ficar aqui dentro desse apartamento, eu vou enlouquecer!

RAFAELA: Olha lá o que cê vai fazer e aonde vai, hein?!

IGOR: Fique de boa! Volto mais tarde!

Igor sai do local batendo a porta bruscamente. Em Rafaela, balançando a cabeça negativamente. CORTA PARA/

 

CENA 11. CORCOVADO. EXT. DIA.

SONOPLASTIA: Pensando em Você – Paulinho Moska.

George sentado com o queixo sobre os joelhos, visivelmente pensativo e com um olhar perdido. Igor parece mais afastado com um capacete em mãos. Igor coloca o capacete ao chão e estica os braços. George vira-se e olha para Igor. Em George, boquiaberto. CORTA PARA/

CENA 12. APARTAMENTO DE IGOR E RAFAELA. QUARTO. INT. DIA.

SONOPLASTIA OFF. Rafaela, sentada na cama, ao celular.

RAFAELA: Deixa de ser infantil e para de ficar perturbando meu namorado. Achou pouco o que recebeu?! Quer ganhar outros tapas?!

GINA: (OFF) Eu disse que teria troco. Não vou deixar barato! O prazo tá se esgotando... E se os 100 mil não aparecerem em minhas mãos, cê pode dar adeus à reputação e a carreira promiscua do seu namoradinho metido a galã!

RAFELA: Cê tá plantando, mas quando você for colher... Se prepara, garota!

GINA: (OFF) Eu já tô preparada, querida! Vou colher bastante mordomia, luxo, sombra e água fresca. Tem coisa melhor?!

Rafaela desliga o celular rapidamente e o joga sobre a cama.

RAFAELA: Desgraçada!

Em Rafaela, visivelmente irritada. CORTA PARA/

 

CENA 13. CORCOVADO. EXT. DIA.

George aproxima-se de Igor.

GEORGE: Igor Ferreira, né isso?!

IGOR: (Virando-se) Eu!

GEORGE: Sou eu, cara! Eu sou o George Vidreira. A gente estudou junto naquele curso de informática, não lembra?

IGOR: Ah, lembrei sim. Foi logo quando eu cheguei aqui no Rio. Não tem como esquecer!

GEORGE: E terminou o curso?

IGOR: Que nada! Minha vida correu pra caminhos totalmente diferentes. Aquilo não era pra mim. A grana que eu tinha acabou. Não dava pra terminar o curso e eu tive que me virar.

Igor e George sentam-se lado a lado.

GEORGE: Uma pena a gente ter se desencontrado. Nós tínhamos nos tornado amigos. Eu também tava há pouco tempo aqui no Rio e a nossa identificação foi imediata.

IGOR: Naquela época eu ainda nem tinha celular.

GEORGE: Nem eu! E profissionalmente, o que faz atualmente?

IGOR: Filmes!

GEORGE: Filmes?

IGOR: (Firme) Pornôs.

GEORGE: (Surpreso) Você faz filme pornô?

IGOR: Faço! Por quê?

GEORGE: Nada! Filmes héteros?

IGOR: Claro, pô! A vida não me deu escolhas. Existia até outros caminhos, mas eu não tinha instrução suficiente pra percorrê-los.

GEORGE: Por isso eu nunca vi. Não costumo acompanhar pornô hétero.

IGOR: Virou gay?

GEORGE: Eu não virei nada. Na verdade eu me considero bi. Mas não gosto muito de rótulos pra me definir, não! (T) Relaxa! Eu não te condeno, nem te julgo não, cara! Quem sou eu pra isso?! Não sei quase nada de você e nem vivo a tua história.

IGOR: Nem queira! Minha vida tá de cabeça pra baixo e eu não sei como fazer pra regularizá-la. Sabe quando parece que não tem saída?! É assim que eu sinto. Aí por isso vim aqui pensar, tentar relaxar.

GEORGE: Eu também! Só que no meu caso é como se um sentimento que nasceu em mim estivesse nascido apenas pra me fazer mal. Ou fazer mal a outra pessoa. Ou talvez até bem. (T) Ah, eu não sei! Só sei que eu não queria tá sentindo isso. Mesmo sabendo que não é reciproco, que é impossível, meu coração insiste em se envolver cada dia mais! Também nem sei por que tô te dizendo isso. Você aí com seus problemas não deve tá nem um pouco disposto a ficar ouvindo os meus.

IGOR: Que nada, cara! Dizem que é a troca de experiências que nos fortifica! É bom falar, botar pra fora o que tá preso às vezes. Só tem que ter cuidado com quem falar!

GEORGE: Então parece que o destino tá querendo nos ajudar. Colocar uma amizade sincera e que nos fez bem, assim, de novo nas nossas vidas não é nada de negativo. Muito pelo contrário! Se quiser, pode desabafar comigo. Gosto de falar, mas ouvir é comigo mesmo!

IGOR: (Ri) Valeu, cara!

GEORGE: Bora tomar um chope?

IGOR: Cê toma?

GEORGE: Claro, rapaz! Bebo de um tudo.

IGOR; Eu tô de moto. Ela tá parada lá embaixo. Se quiser, nós vamos nela.

GEORGE: Eu vim de táxi.

IGOR: Então melhor ir comigo que não paga nada.

GEORGE: Só vantagem!

Os dois riem. Igor e George batem as mãos e se levantam. Eles saem andando. Clima harmônico. CORTA PARA/

 

CENA 14. APARTAMENTO DE IGOR E RAFAELA. BANHEIRO. INT. DIA.

Rafaela tomando banho, ensaboando-se. O chuveiro ligado. Em Rafaela, pensativa. CORTA PARA/

 

CENA 15. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

SONOPLASTIA; Pensando em Você – Paulinho Moska.

Planos gerais. Passar das horas. O movimento de veículos e pessoas vai aumentando. ANOITECE. CORTA PARA/

 

CENA 16. CASA DE EDSON. QUARTO. INT. NOITE.

SONOPLASTIA CONTINUA. Edson deitado, pensativo, sorri. CORTA PARA/

 

CENA 17. BAR E LANCHONETE PIRON. INT. NOITE.

Ambiente pouco movimentado. George e Igor em uma mesa ao canto. Conversam.

GEORGE: (Bebe o chope) Caraca! Que sacanagem isso!

IGOR: Bota sacana nisso, pô! A garota não vale nada! E agora ela tá usando essa noite de sexo pra me chantagear, me ameaçar e descolar dinheiro.

GEORGE: Cara, em casos assim o chantagista nunca para. Eles sempre querem mais!

IGOR: Eu não posso continuar cedendo. Se não ela vai me arrancar até mesmo o dinheiro que eu não tenho. Eu já tô com dívida com agiota e tudo. Não posso me encrencar mais!

GEORGE: Eu acho que eu posso te ajudar.

IGOR: Me ajudar como?

GEORGE: Eu administro a empresa da minha tia. E negócios assim, a gente conhece vários tipo de gente. Eu tenho conhecimento de um cara que pode eliminar esse tu problema sem deixar vestígios.

IGOR: Não sei! E se der merda?! Eu não quero me ferrar ainda mais!

GEORGE: Pelo que cê tá falando, essa menina não vai parar nunca. E ela pode te ferrar ainda mais se ela te acusar do que pretende. Cara eu não sou a favor de tirar a vida de ninguém não. Mas no seu caso, é a dela ou o fim da sua! E sinceramente, não tô vendo nenhuma outra saída!

IGOR: E quanto eu teria que pagar?

GEORGE: Quem dá o preço é o cara! Mas quanto a isso, relaxe! Amigos servem pra ajudar uns aos outros, né?! Pois então! Sua verdadeira amizade já é o suficiente!

IGOR: Olhando pra você, com essa cara, você nem parece ser assim.

GEORGE: Eu sou muito realista. A vida me ensinou a ser assim! Apesar que, mesmo assim, ela tá me pregando uma peça atualmente pra lá ilusória. Mas os meus sentimentos ficam pra outra conversa. Enfim... Eu não disse que podia contar comigo?!

IGOR: Foi Deus, o destino, sei lá. Alguém te botou no meu caminho então, cara! Quando eu mais procurava uma luz no fim do túnel, ela aparece! (T) Só que eu não quero ser tão radical, saca?! Eu vou dá mais uma chance pra Gina. Vamos ver se ela agarra ou não!

GEORGE: (Levanta o copo) Um brinde?

IGOR: A amizade!

Eles brindam. CORTA RÁPIDO PARA/

 

CENA 18. APARTAMENTO DE IGOR E RAFAELA. SALA. INT. NOITE.

Igor adentra o local e joga o capacete sobre o sofá. Rafaela vem de dentro e o beija rapidamente.

RAFAELA: Eu já tava preocupada, Igor! Aonde é que cê tava?

IGOR: Fui ao corcovado vê o Rio lá de cima. E só me trouxe coisas boas. Esperança!

RAFAELA: E eu posso saber por quê?

IGOR: Reencontrei um amigo do primeiro curso que fiz quando cheguei aqui no Rio. Hoje é um mauricinho, é sobrinho de tia rica. Mas na época tinha recém chegado de uma cidade do interior aí, assim como eu.

RAFAELA: Ele era de Touro Bravo também?

IGOR: Não. Era outra que não tem nada a ver com Minas Gerais. Acho que era interior de São Paulo. Ele ficou órfão aí veio morar com a tia. Teve a sorte que eu não tive. Se eu ficasse do lado da minha mãe naquela cidade, do lado de uma simples empregada doméstica, minha vida não teria sido bem pior!

RAFAELA: Muita gente pensaria ao contrário.

IGOR: Se eu não tivesse vindo pra cá, eu não teria te encontrado, Rafaela. E apesar dos pesares, eu tô realizado, feliz. Se não fosse essa desgraçada da Gina...

RAFAELA: Oh, meu amor... Nem me fala! Mas onde a esperança entra nisso tudo?

IGOR: (Sentando-se) Depois que saímos do corcovado, eu e ele fomos em um bar beber um pouco. Aí lá eu acabei contando meu problema, desabafando. E o George, o tal cara, me disse que...

A conversa continua em OFF. CORTA PARA/

 

CENA 19. TOURO BRAVO. EXT. NOITE.

SONOPLASTIA: Simplicidade – Pato Fu.

PANORAMA da pequena cidade. CORTA PARA/

 

CENA 20. CASA DE PIETRO. SALA. INT. NOITE.

SONOPLASTIA OFF. Ulisses e Lalá sentados no sofá.

LALÁ: E o que a dona Emilis queria?

ULISSES: Bisbilhotar. Ficou olhando os quatro cantos, passando a mão nas coisas. Oh mulherzinha chata! O Pietro fez bem em sair daquela casa. Viver com uma mulher daquelas deve ser insuportável!

LALÁ: A Emilis é infeliz! A gente olha pra ela e nota isso.

ULISSES: E precisa descontar a infelicidade dela nos outros?

LALÁ: Cada pessoa tem um jeito de reagir as suas frustações. Não tô defendendo a Emilis, mas também não vou perder meu tempo falando mal. Eu tô feliz com o Pietro e a nossa felicidade é o que importa!

ULISSES: Com certeza! E a faculdade?

LALÁ: Ah, começaremos amanhã. Acertei tudo hoje. Você é bom ir mais cedo, mas quanto a mim, já tá tudo resolvido! Agora é só partir pros livros.

ULISSES: A pior parte!

Os dois riem. Pietro vem de dentro.

PIETRO: Amor, e a janta?

LALÁ: (Levantando-se) Nada de janta, Pietro! (Aproximando-se) Primeiro vamos tomar um banho e aí depois a gente prepara alguma coisa e fazemos uma bagunça na cozinha. Se o Ulisses quiser ajudar...

ULISSES: Claro!

Lalá começa a retirar a camisa de Pietro.

LALÁ: (Na ação) Aí vamos nos banhar e nos ensaboar bastante. Então nada de preguiça, amor!

PIETRO: Hum. Pedindo assim é impossível recusar um programa desses.

Lalá joga a camisa de Pietro sobre o sofá.

LALÁ: Vamos!

Lalá e Pietro saem do local. Ulisses pega a camisa, alisa, abraça e cheira. Em Ulisses, suspirando. CORTA PARA/

 

CENA 21. MANSÃO SANTANA. SALA DE JANTAR. INT. NOITE.

Horácio à mesa. Zetinha o servindo.

HORÁCIO: A Hilda não vem jantar?

ZETINHA: Ela tá meio tristinha, Seu Horácio. Melhor deixa-la lá.

HORÁCIO: Triste?

ZETINHA: Ela e o Gaspar terminaram!

HORÁCIO: Mas isso é uma notícia maravilhosa! Precisa até de uma comemoração! Cancela o suco e trás o vinho que é melhor, Zetinha.

ZETINHA: Seu Horácio, por favor!

HORÁCIO: Ah, Zetinha. Não é novidade nenhuma de que eu nunca aprovei esse namoro e nunca fui muito com a cara do Gaspar desde quando ele era criança. O acho orgulhoso e pretensioso demais!

ZETINHA: O senhor tem uma visão totalmente errada do Gaspar. Ele é um homem bom e isso todo mundo vê.

HORÁCIO: E terminaram por qual motivo?

ZETINHA: Bom, isso só compete aos dois. Nem eu sei ao certo.

HORÁCIO: Senta aí, Zetinha! Janta comigo que hoje é dia de festa!

ZETINHA: Eu sinto muito, Seu Horácio, mas eu prefiro recusar o convite. Vou ver como a Hilda está que eu ganho mais! Com licença!

Zetinha sai do local. Em Horácio, sorrindo. CORTA PARA/

 

CENA 22. CASA DE JOSEFA. SALA. INT. NOITE.

Josefa sentada no sofá, visivelmente preocupada. Kadu vem de dentro.

KADU: (Nervoso) Mãe, eu vou botar aquele cara pra correr!

JOSEFA: (Assusta-se) Quê isso, Kadu?! De quem cê tá falando?

KADU: Aquele mendigo tá, de novo, aí na porta.

JOSEFA: O tal Elias?

KADU: Esse mesmo! Não se faça de desentendida, Dona Josefa, que a senhora sabe muito bem quem é!

JOSEFA: E?

KADU: O impressionante é que, com tantas casas aqui na cidade, ele só vem bater aqui na nossa porta! Não acha estranho, mamãe?

JOSEFA: Não acho que tem nada de estranho nisso. Você que é cismado demais, Kadu!

KADU: Eu vou lá e vou botar aquele remendo de gente pra correr! Não fiz voto pra padre!

JOSEFA: Deixa ele lá, meu filho. Por favor não faça nada! É apenas um pobre coitado!

KADU: Que a senhora insiste em defender, em ajudar. Gosta de bancar a boa samaritana com esse cara por qual motivo, hein, Dona Josefa?! (T) Responde!

Em Josefa, visivelmente nervosa. CORTA PARA/

 

CENA 23. QUARTO DE HOTEL. INT. NOITE.

Darcy abre a porta. Bartolo entra e a beija rapidamente.

BARTOLO: Vim te dá um beijo e desejar boa noite.

DARCY: (Visivelmente desanimada) Nem esperava você aqui de novo.

Darcy fecha a porta.

BARTOLO: Sair da loja um pouquinho mais cedo e resolvi passar aqui antes de ir pra casa jantar.

DARCY: Ninguém te viu entrando não, né?

BARTOLO: Claro que não! Eu faço isso todos os dias. Sei muito bem ser discreto e você sabe disso. Parece que você não gostou da surpresa ou eu tô enganado?

DARCY: Não é isso, Bartolo! É que...

BARTOLO: Aconteceu alguma coisa, Darcy?

DARCY: Hoje mais cedo eu sentir mal. Comecei a enjoar e vomitei.

BARTOLO: Comeu alguma coisa estragada? Tá se sentindo melhor, meu amor?

DARCY: Estou sim. Mas não é nada disso, Bartolo.

BARTOLO: E o que é?

Darcy, trêmula, começa a chorar.

BARTOLO: (Apreensivo) Fala, Darcy! Cê tá me deixando tenso. Diz!

DARCY: (Chorando) Eu fiquei com medo, preocupada. Mil e uma possibilidades passaram na minha cabeça. E eu sou assim mesmo, meio neurótica e não sossego até tirar minhas dúvidas.

BARTOLO: Vai direto ao ponto, Darcy!

DARCY: Aí eu fui à farmácia, comprei um teste de gravidez e...

BARTOLO: Ah não! Não vai me dizer que...

DARCY: O teste deu positivo, Bartolo! Eu tô grávida!

Darcy chorando. Em Bartolo, paralisado. CORTA PARA/

 

FIM DO CAPÍTULO!

 

Créditos sobem ao som de:  Você me Roubou – Rouge.

ATENÇÃO LEITORES

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