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Espirituosa, Entre Nós ressalta beleza e alegria dos anos 90 com pitadas de rock.

João Carvalho faz análise sobre novela literária recém-encerrada

— Postado pela Redação
Sexta, 31 de Mai/2019

Uma das primeiras chamadas de Entre nós

 

May Margret. Um nome americanizado, novo por estas bandas, mas que escondia em si um talento arrebatador. Trata-se da autora do maior sucesso literário da história recente do Megapro, ‘Entre Nós’.

A autora se propôs a criar uma história encantadora, cujos agentes de transformação são dois jovens - Daniel e Alex -; dois lados da mesma moeda e representantes das mais variadas emoções e dos mais profundos sentimentos. Surpreende bastante a condução de May. Quem leu a sinopse nunca poderia imaginar como Daniel, um cara que aparentemente parecia mais “maduro”, bem resolvido e que seria o grande responsável pelo sofrimento de Alex, já que o amor quase sempre faz sofrer em algum grau (ui, que desiludida), mas não foi isso que aconteceu.

May reuniu em sua trama elementos já conhecidos do grande público noveleiro. É fácil identificar semelhanças do texto da autora com o de dois outros grandes autores, Manoel Carlos e Lícia Manzo. Entretanto, os amantes de uma boa literatura vão concordar que Nicolas Sparks e John Green são muito presentes na obra da escritora. A reunião do mundo desses grandes romancistas com o de Charles Bukowski (1920 - 1994) fez da obra um primor. Ora, o “eu te amo” dos melhores romances de Sparks eram acompanhados de um “porra”, do jeito único e irreverente de Bukowski.

 

O irreverente e inesquecível Bukowski

 

Os anos 90 retratados pela autora me parecem mais espirituosos do que concretos. É só observar as manifestações musicais durante os capítulos. Mais importante do que demarcar um rock daquele período, me parece ser demonstrar a alma dos jovens daquela época. Isso é um ótimo contraponto, já que atualmente acompanhamos a novela ‘Verão 90’ na Rede Globo, que mostra um anos 90 cotidiano e mais extravagante. Afinal, foi o período de grandes revelações artísticas, pautado na musicalidade. Não haveria melhor período para retratar uma história como essa.

 

Rock esteve presente em toda a trama

 

Eu, particularmente, sou suspeito a falar do trabalho de May. Li seus contos e todos me dão a mesma sensação de amor e curiosidade. Começo a ler e logo depois me vejo fissurado, totalmente instigado a chegar na última linha e descobrir o que acontece com aqueles personagens. Certa vez tive a oportunidade de conversar com ela e disse que habita nela um talento natural, um diamante que já nasceu lapidado. Várias pessoas passam anos e anos até entenderem sobre ‘DIÁLOGOS’. Não conseguem expressar a realidade neles, como as pessoas falam. May, em sua primeira trama no MV, consegue no literário fazer o que muitos ainda não conseguem no roteiro.

Outros personagens são tão bons quanto os protagonistas. Cito aqui Jéssica. Para mim, quase uma protagonista. De complexidade absurda e uma construção invejável. Talvez Buckowski tenha ensinado muito a May de construção e realidade. Ele prezava pela realidade, pela verdade. Alex e Daniel somos nós. Já perceberam isso?

 

 

No penúltimo capítulo, Alex e Daniel têm uma noite de amor. Vibrei demais, entretanto, já recebi spoiler do merda do Diretor Geral e fiquei bem chateado. Tá, ele não me contou exatamente, mas já posso imaginar.

‘Entre Nós’ liderou o ranking de obras mais lidas da emissora na semana retrasada. Superou até mesmo os sucessos ‘Vidas Idênticas’ e ‘Laços de Ódio’ no período. Talvez seja o que eu falei. Começar a ler uma coisa de May é se preparar para viver uma angústia tremenda e querer saber o desfecho logo, de tão ligado aos personagens que você fica.

Contente com os números e a qualidade da obra, eu mesmo fiz questão de convidar a autora para comandar o departamento de literário na emissora. Ela aceitou de bom grado, e já vem trabalhando duro ao lado de Weslley Vitoritti. Ainda convidei a autora para assinar uma obra jovem em roteiro para o segundo semestre. Ela ainda não me deu uma super afirmativa, mas eu sou persistente.

 

 

O que fica de ‘Entre Nós’ é o amor. O poder dele e suas consequências. Ficam também as lições e soluções que a autora apresentou durante a trama. Um sacode leão. Viva, aproveite, tente quantas vezes precisar. Mas tente. Encerra como a maior novela literária da história recente do Megapro e com gosto de quero mais. May, obrigado. Volte logo! Volte sempre!

Por João Carvalho.