Reis da Arena

CAPÍTULO 17

SOBRE O CAPÍTULO

Lalá se revolta e expulsa Ulisses da casa de Pietro. George resolver ir embora do RJ. Djavan fica cada vez mais encantado por Hilda.

MEGAPRO         2018



REIS DA ARENA

 

CAPÍTULO 17

WEB NOVELA DE: Lucas Oliveira

ESCRITA POR: Lucas Oliveira



PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO:

 

HILDA

EMILIS

HORÁCIO

BARTOLO

DARCY

LALÁ

PIETRO

IGOR

GEORGE

ALANA

YURI

RAFAELA

DJAVAN

MARIELA

ULISSES

ZETINHA





CENA 01. MANSÃO SANTANA. SALA. INT. DIA. 

Continuação imediata do capítulo anterior. Horácio, Bartolo e Djavan sentados no sofá. Zetinha em pé ao canto. Todos rindo. 

DJAVAN: Você também é muito divertido, Horácio. Bem que o Bartolo me falou! 

BARTOLO: O Horácio sempre foi muito bem humorado.

DJAVAN: Pois é. Tem horas que eu até esqueço que estou falando com o prefeito da cidade. 

HORÁCIO: Ah, mas pode esquecer mesmo. Pode deixar as formalidades de lado. O Horácio prefeito fica lá na prefeitura. 

DJAVAN: Isso é muito bom. Acho muito importante saber separar.

HORÁCIO: Às vezes, eu confesso, é inevitável! Mas na maioria das vezes, eu procuro não trazer trabalho pra casa. 

DJAVAN: É o certo.

BARTOLO: Só faltou mesmo o Djavan conhecer a Hilda.

HORÁCIO: É mesmo!

DJAVAN: Sua filha, né?

HORÁCIO: Isso! Mas essa menina foi achar de sair logo hoje. Ela foi pra onde, Zetinha?

ZETINHA: Ela disse que iria pra cachoeira, mas que seria rapidinho.

HORÁCIO: Esse rápido dela...

BARTOLO: As belezas naturais de Touro Bravo também são coisas que você precisa conhecer, Djavan.

DJAVAN: Minha viagem é rápida! Eu não posso me distrair, senão eu desvio do foco.

HORÁCIO: Mas o Bartolo tem razão! Os pontos turísticos de Touro Bravo são verdadeiros cartões de visitas. E se você já tá aqui, não tem porque não os conhecer. 

DJAVAN: Vou fazer o possível!

BARTOLO: Não vai se arrepender!

DJAVAN: (Levantando-se) Bom, foi tudo muito bem e muito bom, mas eu já estou indo. Vamos, Bartolo!

Horácio e Bartolo se levantam.

BARTOLO: Vamos!

HORÁCIO: Mas já? Ainda tá cedo. 

DJAVAN: É que eu ainda tenho que descansar da viagem e depois começar logo a minha busca. Não quero perder tempo. 

HORÁCIO: Eu compreendo! Adorei te conhecer!

DJAVAN: Digo o mesmo! E fico muito agradecido pelo almoço.

HORÁCIO: Não precisa agradecer.

DJAVAN: Com uma recepção foi maravilhosa dessas, eu preciso sim! Muito obrigado!

HORÁCIO: Às ordens!

Todos riem. Hilda adentra o local e invade a sala apenas de biquíni. Djavan a olha de baixo para a cima.

SONOPLASTIA: Apenas mais uma de amor – Lulu Santos. 

HILDA: Boa tarde!

HORÁCIO: (Repreendendo-a) Hilda!!!

DJAVAN: (Boquiaberto) Achei! Encontrei antes mesmo de preocupar!

SONOPLASTIA OFF. Djavan visivelmente fascinado. Todos se entreolham. 

BARTOLO: (Confuso) Como assim, Djavan?

DJAVAN: Eu encontrei, Bartolo! Sem nem mesmo procurar, encontrei a mulher que eu queria!

HILDA: Alguém pode me explicar o que tá acontecendo?

HORÁCIO: Minha filha, esse é o Djavan Fernandes. E Djavan, essa é minha filha! 

Djavan e Hilda se cumprimentam.

DJAVAN: (Sorridente) Muito prazer!

HILDA: Prazer! Mas será que você pode explicar melhor?

DJAVAN: Eu sou empresário. Tenho uma agência de modelos no Rio de Janeiro e sou primo da estilista Veridiana Castanheiras que tá prestes a lançar sua nova coleção com referencia country. Ela e eu sempre trabalhamos juntos e eu fui encarregado de descobrir uma nova modelo pra estrelar essa coleção. Por isso vim pra cá, que é a cidade onde mora meu amigo, Bartolo, em busca disso. 

HILDA: E você tá achando que eu sou essa mulher?

DJAVAN: Você é exatamente o que eu quero! Tem um brilho no olhar, mas ao mesmo tempo uma simplicidade. É linda, singela... O perfil ideal!

HORÁCIO: Aceita, minha filha! Uma oportunidade dessas não se joga fora. Aceita! 

Em Hilda, visivelmente perdida. CORTA PARA/ 

 

CENA 02. CASA DE BARTOLO E DARCY. SALA. INT. DIA. 

Mariela e Darcy frente a frente. A empregada fecha porta.

DARCY: Pode ir lá pra dentro! 

EMPREGADA: Licença!

A empregada sai. 

DARCY: Agora diz: Como é que você tem coragem de vir aqui depois de tudo que cê fez, Mariela?

MARIELA: Por isso mesmo que eu precisava me explicar, falar com você. Eu sei que eu errei, não tenho a menor dúvida disso porque a culpa bate em mim todos os dias assim quando eu acordo. Então só me resta falar com você e reconhecer esse erro.

DARCY: Reconhecer o erro, infelizmente, não vai mudar em nada o que já aconteceu, as lágrimas que derramei quando perdi meu bebê. Nada! 

MARIELA: Eu sei, Darcy. Eu sei de tudo isso. Mas você/

DARCY: (POR CIMA) Nem mais, nem menos! Se você não tivesse contado tudo pra Emilis, eu não tinha perdido o meu filho. Se você não tivesse desonrado a promessa que fez quando se formou em psicologia, nada teria acontecido. Se você não tivesse aberto a sua boca, eu não teria ouvido as coisas que eu ouvi dela. A Emilis me falou coisas horríveis! Ela tava torcendo pra que perdesse meu filho e deve ter ficado muito feliz quando isso aconteceu. Ela não me empurrou, mas foi em um sapato dela, justamente DELA, que me fez tropeçar e cair daquela escada. (Começa a chorar) Ah, meu Deus! Se arrependimento matasse... Eu não teria ido pra casa dela e muito menos teria me consultado com você. 

MARIELA: A Emilis é minha amiga há anos. Ela me prometeu que não falaria nada. Mas eu sei que eu errei e não tem justificativa pra isso. Eu sabia que ela era impulsiva e mesmo assim eu fui confiar. Ela sempre foi descontrolada!

DARCY: Mas você não! Como que você, uma psicóloga, uma mulher séria, uma profissional com uma carreira já consolidada e respeitada pôde ter uma atitude dessas? 

MARIELA; Eu errei, Darcy! Fui fraca! Eu fraquejei e eu sei, tô ciente disso.

DARCY: (Choro contido) Você foi antiética, irresponsável, baixa! 

MARIELA: Mas agora eu só posso te pedir desculpas. Uma desculpa do fundo do meu coração. (T) Me desculpa, Darcy?

DARCY: (Respira fundo) Eu posso até não guardar mágoa suas, porque isso só me faria mal. Mas eu não quero mais contato. E só não levo esse seu ato antiético pra justiça porque eu quero só paz! (T) Segue a tua vida, e eu a minha!

MARIELA: Eu entendo. É totalmente compreensível. 

DARCY: Só espero que seus próximos pacientes tenham mais sorte do que eu.

MARIELA: Nem sei mais se terá próximo. 

Darcy vai até a porta e a abre.

DARCY: Com tanto que esteja longe de mim... Seja feliz, Mariela! 

MARIELA: (Cabisbaixa) Você também, Darcy. Você também!

Mariela sai. Darcy fecha a porta. Em Darcy, respirando fundo. CORTA PARA/ 

 

CENA 03. CASA DE PIETRO. QUARTO DO CASAL. INT. DIA. 

Pietro e Ulisses sentados na cama. 

PIETRO: Você tá apaixonado por mim, é isso?

ULISSES: Isso mesmo que cê ouviu! 

PIETRO: (Visivelmente surpreso) Eu nem sei o que dizer, cara! Eu não imaginava. Te via apenas como o amigo da Lalá.

ULISSES: Não, mas eu sou amigo da Lalá!

PIETRO: É?

ULISSES: Claro! Minha intenção jamais foi trair a confiança, a amizade dela. Simplesmente aconteceu. A gente não manda no que sente. Talvez você não consiga entender, mas é exatamente isso que aconteceu. 

PIETRO: Caraca! Sinceramente...

ULISSES: Você é especial, Pietro! Desculpa eu te dizer isso, mas a Lalá teve a sorte grande de te encontrar. Eu jamais sentir inveja dela. Só que eu comecei a gostar de você também e numa velocidade que eu não consegui controlar. Eu sei que cê não teve culpa. Você foi apenas você. Eu que criei tudo aqui dentro de mim porque eu me encantei com esse seu jeito de ser. Eu tentei negar, deixar passar, justamente por considerar demais a Lalá... Mas não tem jeito. Se eu não falasse, se eu não botasse pra fora, eu ira explodir! 

PIETRO: Cara, eu posso ser seu amigo e tal, mas não se ilude. Cê sabe que nunca vai rolar nada, né? Além de amar a Lalá, eu sou hétero. E também eu acho que daqui pra frente... Não me leve a mal, mas vai ficar meio estranho a partir de agora com eu sabendo de tudo isso.

ULISSES: Não precisa ficar, Pietro. Eu já imaginava. Eu sei de tudo isso e pode ter certeza que não tava esperando, não tava com esperança nenhuma de reciprocidade. Só queria mesmo desabafar, botar pra fora, porque eu já não tava aguentando mais prender. 

LALÁ: (Entrando no local) Então eu te dou minha amizade e é isso que você me devolve, né, Ulisses? 

Ulisses vira-se. Ele e Lalá encaram-se. CORTA PARA/ 

 

CENA 04. MANSÃO SANTANA. SALA. INT. DIA. 

Hilda, Djavan, Horácio e Bartolo em pés. Zetinha ao canto.

HILDA: Eu não sei, gente! Eu acabei de voltar da cachoeira. Não tem como eu decidir nada assim, do nada. 

DJAVAN: Pensa, Hilda! Pensa! Essa é uma proposta que só vai te trazer benefícios. Se você aceitar, a gente vai pro Rio e lá começaremos sua preparação. 

HILDA: Eu vou pensar, sim. 

HORÁCIO: O Djavan bem que poderia ficar aqui em casa. A Zetinha preparava o quarto de hóspede e pronto.

BARTOLO: Mas o Djavan vai ficar lá em casa, Horácio. As malas dele já estão lá.

HORÁCIO: Isso não é problema. Eu mando a Zetinha buscar depois. (P/Djavan) Cê aceita? (Aproxima-se) É um convite reflexo do prazer que eu tive em conhecê-lo. (Baixo) E também, perto da Hilda, pode ser mais fácil de convencê-la. 

DJAVAN: (Riso) Você não fica chateado, Bartolo?

BARTOLO: (Seco) Não! Tudo bem...

HORÁCIO: Ótimo! 

HILDA: Bom, com licença!

HORÁCIO: Vai pra onde, minha filha?

HILDA: Vou ir pro meu quarto e tomar um banho. Vem comigo, Zetinha!

ZETINHA: Claro!

Hilda sai. Zetinha a segue. Bartolo, Horácio e Djavan se entreolham. CORTA PARA/

 

CENA 05. CASA DE EMILIS. QUARTO DE EMILIS. INT. DIA. 

Yuri abaixado fazendo o serviço. Emilis se abaixa ao seu lado.

EMILIS: Tá muito difícil aí? 

YURI: Coisas que a madame jamais vai entender. Melhor ficar afastada! 

EMILIS: Eu costumo observar bem os serviços de quem eu contrato para ter certeza de que estão sendo feitos corretamente. 

YURI: (Encarando-a) Você nunca vai ter certeza de algo que não entende!

EMILIS: Eu prefiro ficar olhando!

YURI: Você quem sabe! Depois não diz que eu não avisei! 

Um cano estoura. Emilis e Yuri começam a se molhar. Yuri retira a camisa. 

EMILIS: (Grita) Ó! FECHA ISSO LOGO! RÁPIDO!

YURI: Não é rápido, não! Viu no que deu a sua pressão?

EMILIS: Então eu quem sou a culpada por essa molhadeira toda?! Era só o que me faltava!

Emilis tenta se levantar e escorrega, caindo sobre Yuri que a segura. Os dois com os rostos bem próximos, encarando-se. CORTA PARA/

 

CENA 06. MANSÃO SANTANA. QUARTO DE HILDA. INT. DIA. 

Hilda e Zetinha sentadas na cama.

ZETINHA: Vai, Hilda! 

HILDA: Eu não sei, Zetinha. 

ZETINHA: Não foi você quem tava dizendo que estava tudo chato, sem ter o que fazer, que precisava inventar algo novo? Então! Esse novo bateu na tua porta e é uma oportunidade incrível. Cê não pode deixar passar, menina! 

HILDA: Esse tal de Djavan aí... Sei lá, me olhou de um jeito...

ZETINHA: Olhou do jeito que todo homem olha quando vê uma bela mulher. E você é linda, Hilda! 

HILDA: Ah, Zetinha... Eu nunca me vi assim, como modelo. Sei lá. É uma exposição, um exibicionismo que eu não sei se eu me acostumaria. 

ZETINHA: Com o tempo, acostumaria sim. E, cá entre nós, esse Djavan é bem bonito!

HILDA; (Riso) Sabe que eu nem reparei?

ZETINHA: Reparou sim, Hilda! Assim como ele reparou em você, cê também reparou nele. E eu tava lá no canto só reparando tudo. 

HILDA: Mas o Gaspar/

ZETINHA: (POR CIMA) Tá na hora de você parar de chorar pelos cantos e fazer alguma coisa. Tá na hora de cê parar de ser apenas a filhinha do papai e mostrar pra que veio. Deixar teu brilho aparecer!

HILDA: É... Eu acho que você tem razão.

ZETINHA: E o Djavan vai ficar hospedado aqui. Eu vou agora lá à casa do Bartolo pegar as malas dele pra trazer pra cá. E tenho certeza que com o Djavan aqui, ele não hesitará maneiras pra te convencer a aceitar. 

HILDA: Eu vou pensar, Zetinha! Já estou pensando! 

ZETINHA: Muito bem!

As duas riem. Clima harmônico. CORTA PARA/ 

 

CENA 07. MANSÃO SANTANA. QUARTO DE HÓSPEDE. INT. DIA. 

Horácio e Djavan adentram o local.

HORÁCIO: E esse é o quarto onde você vai ficar!

DJAVAN: (Olha em volta) É muito bonito e aconchegante! Muito obrigado mesmo, Horácio!

HORÁCIO: Magina! (T) Djavan, me diz uma coisa: Cê viu mesmo um nipe de modelo na minha filha?

DJAVAN: Total! Eu olhei pra sua filha e já a vi estourando nas passarelas. Muito flash, muita luz, muito sucesso! 

HORÁCIO: Nossa!

DJAVAN: Se ela topar, ela vai ser a estrela da próxima coleção da minha prima. E tem que ser ela! Era exatamente uma mulher como ela que eu estava buscando.

HORÁCIO: E você encontrou logo no seu primeiro dia aqui.

DJAVAN: Foi Deus, o universo, que conspirou para que eu a encontrasse sem nenhum esforço. 

HORÁCIO: Vai ser ela! Você pode ficar tranquilo que eu irei convencer minha filha. Eu irei!

Horácio e Djavan apertam as mãos. CORTA PARA/

 

CENA 08. CASA DE EMILIS. QUARTO DE EMILIS. INT. DIA. 

Emilis e Yuri com os rostos próximos. Emilis levanta-se rapidamente.

EMILIS: (Recompondo-se) Desliga isso e vai embora!

YURI: Não precisa falar duas vezes!

EMILIS: E Só volte aqui depois.

YURI: É pra eu continuar vindo?

EMILIS: Claro!

YURI: Bom, então...

EMILIS: Se já começou o serviço, que termine! 

Yuri sorri. Ele mexe no local e consegue parar a água. 

YURI: Pronto!

EMILIS: Não corre o risco de estourar e molhar meu quarto todo de noite, não, né?

YURI: Tá seguro! Amanhã eu dou um reforço. 

EMILIS: (Desviando o olhar) Cê já pode ir!

YURI: Tá com pressa?

EMILIS: Apenas solidária. Não é justo cê continuar trabalhando nessas condições. 

YURI: (Riso) Sei... Até, madame! 

EMILIS: Até!

Yuri joga a camisa sobre o ombro e sai do local. Em Emilis, visivelmente envolvida. CORTA PARA/

 

CENA 09. CASA DE PIETRO. QUARTO DO CASAL. INT. DIA. 

Ulisses se levanta. Lalá aproxima-se dele. Pietro sentado na cama.

ULISSES: Cê tava aí?

LALÁ: Eu escutei tudo, Ulisses!

ULISSES: Não era pra você escutar assim, dessa forma.

LALÁ: Eu bem que tava desconfiando. Como você pôde trair minha confiança dessa forma, Ulisses?

ULISSES; Eu não trair sua confiança!

LALÁ: (Nervosa) Como não? Eu te trouxe pra cá, pra morar comigo. Sempre fui sua amiga lá em Toureiro, te trouxe pra cá pra ficar comigo, pra fazer faculdade comigo, porque eu queria que meu amigo crescesse também, saísse daquela bolha e daquela pressão que os seus pais sempre te impuseram. E olha só o que você faz...

ULISSES: (Segurando o choro) Eu sei, Lavínia. E eu sempre fui muito grato por tudo isso. 

LALÁ: Grato? (Riso nervoso) Eu tô vendo mesmo como foi essa sua gratidão.

Pietro se levanta e aproxima-se de Lalá.

PIETRO: Calma, meu amor!

LALÁ: Eu tô calma!

PIETRO: Que calma o quê! Cê tá muito nervosa! 

LALÁ: E não é pra tá?! Meu Deus! (Começa a chorar) Ele diz que foi grato a mim e quando vem morar junto comigo e com meu namorado, o namoro que ele viu de perto acontecer desde quando eu mostrei a ele a primeira conversa que eu tive pelo aplicativo ainda lá em Toureiro, ele vem e diz que tá apaixonado por quem? Justamente pelo namorado da menina que ele chamava de amiga! Contraditória essa gratidão, não?!  

ULISSES: Você não tá me compreendendo! Eu não mando no coração. Ninguém manda!

LALÁ: Eu lembro. Eu já vi você abraçando a camisa do Pietro, sentindo o perfume dele, sorrindo pelos cantos, no mundo da lua. Eu desconfiei, é claro! Mas eu não queria acreditar. Eu não queria julgar sem ter certeza. Seria baixo demais!

ULISSES: Lavínia, pelo amor de Deus...

LALÁ; Por que você não veio contar pra mim? Porque se calou? Ficou com sua cara de pau, com sua falsidade! Você foi um FALSO! 

ULISSES: Medo! Justamente por sua amizade ser tão importante pra mim. 

LALÁ: (Choro contido) Não seja patético, Ulisses! 

ULISSES: Por favor, não faz eu me senti pior do que eu já tô. 

LALÁ: Aposto que se o Pietro te desse alguma esperança, você não pensava duas vezes e se jogava pra cima dele. Que me considerar que nada! Você se jogava sem nem olhar pra trás!

ULISSES: Agora sou eu quem tô surpreso em saber que é essa visão que cê tem de mim, Lavínia. Eu não esperava!

LALÁ: Me poupe, Ulisses! Quer colocar na balança a decepção?!

PIETRO: Respira fundo, amor! 

LALÁ: Vai embora daqui, Ulisses! 

ULISSES: Quê?

LALÁ: É. Vai pro hotel, vai pra onde cê quiser, mas vai embora dessa casa!

ULISSES: É assim mesmo que você quer resolver as coisas?

LALÁ: Sai! Some daqui! (GRITA) SOMEEEE!

Lalá senta a mão na cara de Ulisses. Pietro a segura. Ulisses a encara. Clima tenso. 

ULISSES: Não precisa repetir! Eu já tô indo! 

Ulisses sai do local apressadamente. Lalá se joga na cama e volta a chorar descontroladamente. Pietro a abraça. CORTA PARA/ 

 

CENA 10. CASA DE BARTOLO E DARCY.  SALA. INT. DIA.

Darcy e Bartolo frente a frente. 

DARCY: O Djavan não vai mais ficar hospedado aqui?

BARTOLO: Não! 

DARCY: Como não?

BARTOLO: O Horácio adorou o Djavan. Bom, e aí depois do almoço a Hilda chegou.

DARCY: E?

BARTOLO: E aí o Djavan se encantou por ela. Ficou lá de queixo caído dizendo que já tinha encontrado o que veio procurar aqui. 

DARCY: Então ele quer levar a Hilda pra lançar como modelo?

BARTOLO: Se ela aceitar...

DARCY: Quem diria...

BARTOLO: A Hilda é muito bonita.

DARCY: Eu sei. Mas quem diria que quando vocês saíram daqui para um simples almoço, fosse resultar nisso tudo. 

BARTOLO: Pois é. Aí quando o Djavan falou isso, Horácio ficou louco! Já foi convidando o Djavan pra ficar lá com o intuito dele insistir e convencer a Hilda aceitar, né?! E o Djavan aceitou de cara! 

DARCY: A Mariela teve aqui!

BARTOLO: (Surpreso) A Mariela?

DARCY: Sim.

BARTOLO: Veio aqui em casa?

DARCY: É. Veio em missão de paz, foi o que ela disse. Pedir desculpas. Pelo jeito tava mesmo arrependida. Eu desculpei, mas fui sincera e disse que não queria mais contato. Aí ela foi embora!

BARTOLO: A Mariela sempre foi uma mulher do bem. Ela errou feio e me surpreendeu muito. Teve uma atitude infeliz como profissional, mas eu sei que ela não é uma pessoa má. 

Ouve-se a campainha tocar.

DARCY: Deixa que abro!

Darcy aproxima-se da porta e a abre. 

ZETINHA: Boa tarde, Darcy! Eu trabalho lá na casa do Seu Horácio e eu vim buscar as malas do Seu Djavan. 

DARCY: Ah... Entra!

ZETINHA: (Entrando) Com licença!

Darcy fecha a porta. 

BARTOLO: Oi, Zetinha.

ZETINHA: Eu vim pegar as malas do Djavan.

BARTOLO: Eu vou lá dentro buscar!

Bartolo sai.

DARCY: Senta aí, Zetinha!

ZETINHA: Não. Obrigada! (Olhando em volta) Muito bonita a casa. 

DARCY: Bastante!

Bartolo vem de dentro com as malas em mãos.

BARTOLO: (Entregando-as a Zetinha) Pronto!

ZETINHA: (Pegando) Muito obrigado, Bartolo!

BARTOLO: E o Djavan já convenceu a Hilda?

ZETINHA: (Riso) Ele já tá muito bem acomodado. Acomodadíssimo! Pra Hilda aceitar, vai ser questão de tempo!

BARTOLO: Eu também acho!

ZETINHA: Já vou indo!

Darcy abre a porta.

DARCY: Tchau! Boa tarde!

ZETINHA: Boa tarde! 

Zetinha sai. Darcy fecha a porta. Ela e Bartolo se entreolham. CORTA PARA/ 

 

CENA 11. QUARTO DE HOTEL. INT. DIA. 

SONOPLASTIA: Um dia sem você – Rouge. 

Ulisses, deitado na cama, abraça o travesseiro e chora. CORTA PARA/

 

CENA 12. MANSÃO SANTANA. QUARTO DE HÓSPEDE. INT. DIA. 

SONOPLASTIA OFF. Djavan sentado deitado na cama. Zetinha bate na porta.

ZETINHA: (OFF) Sou eu, Zetinha!

DJAVAN: Pera!

Djavan levanta-se e abre a porta. 

ZETINHA: Já fui lá na casa do Bartolo e trouxe suas malas. Aqui estão! 

DJAVAN: (Pegando-as) Obrigado! Ainda bem que não são pesadas. Homem é pratico! Se fosse malas de mulheres...

ZETINHA: Eu aguentava do mesmo jeito! Já tô acostumada a pegar peso desde menina. A necessidade me obrigou! (T) Insiste com a Hilda, tá?! Eu a conheço bem. Sei que com um empurrãozinho, ela vai aceitar! 

DJAVAN: Pode deixar! Eu vou insistir, sim. Até porque se não for ela, não vai ser mais nenhuma outra! (T) Com licença! 

ZETINHA: Toda!

Djavan fecha a porta e sorrir, visivelmente pensativo. CORTA PARA/ 

 

CENA 13. RIO DE JANEIRO. EXT.  DIA. 

SONOPLASTIA: Pensando em você – Paulinho Moska. 

PANORAMA da grande metrópole. CORTA PARA/

 

CENA 14. CASA DE GEORGE. QUARTO DE GEORGE. INT. DIA. 

SONOPLASTIA OFF. George deitado na cama. Alana ao lado, sentada.

ALANA: Conversa comigo, Geo. Você com esse seu olhar paralisado, pensativo, fixo, me deixa preocupada. 

GEORGE: (Cabisbaixo) Me deixa, Alana!

ALANA: Não vou te deixar, não! Eu sou sua amiga e daqui eu não saio! Vou ficar aqui até você sorrir pelo o menos uma única vez.

GEORGE: Quer ficar, então fica. Mas me deixa quieto!

ALANA: Te vê nessa situação me deixa mal, George. Só chorando, triste, pra baixo... Conversa comigo, se abre, vai!

GEORGE: (Sobe o tom) ME DEIXA QUIETO! Tudo que aconteceu comigo, você já sabe. E sabe muito bem que é motivo o suficiente pra eu ficar assim. E não só por esses dias, como também pro resto da minha vida! 

Alana deitada ao lado de George e o abraça. Clima melancólico. CORTA PARA/

 

CENA 15. APARTAMENTO DE IGOR E RAFAELA. QUARTO DO CASAL. INT. DIA. 

Rafaela em frente ao espelho. Igor adentra o local.

IGOR: Vamo, Rafa! A gente já tá atrasado. Daqui a pouco o diretor começa a ligar e, você sabe, eu detesto pressão!

RAFAELA: Calma, Igor! Tô só terminando de arrumar meu cabelo aqui.

Igor aproxima-se de Rafaela e a agarra por trás.

IGOR: Não tem mais nada aí pra arrumar. Você já tá linda! Aliás, você é linda!

RAFAELA: Eu sei. Mas de junto daquela Tetê eu tenho que tá impecável!

IGOR: Cê sabe que é muito melhor que ela, né?!

Rafaela se vira e o beija rapidamente.

RAFAELA: Tinha necessidade mesmo de a Tetê participar desse filme?

IGOR: A gente já gravou várias cenas sem ela. A última que ela particiupou foi o primeiro que você fez. O diretor que pediu. Acho que pra dar uma diferenciada. 

RAFAELA: Nós já somos mais que ela. Não foi o próprio diretor quem falou que nossas cenas estão dando recordes de acesso no site?! Somos um sucesso!

IGOR: E vamos fazer mais ainda! E ganhar mais e mais dinheiro. Aí quando eu for pagar o agiota, o que eu devo a ele somado com os juros, vai ser esmola!

SONOPLASTIA: Sem Parar – Gabriel, o Pensador. 

RAFAELA: (Vibra) E o céu é o limite!

IGOR: (Grita) Vamos!

Igor e Rafaela beijam-se rapidamente e saem do local, visivelmente eufóricos. INTERCALA COM/ 

 

CENA 16. APARTAMENTO IGOR E RAFAELA. SALA. INT. DIA. 

SONOPLASTIA CONTINUA. Igor e Rafaela veem de dentro. 

RAFAELA: Cadê minha bolsa?

IGOR: Tá ali em cima do sofá.

RAFAELA: (Pega a bolsa) Depois que tu pegou meu celular àquela hora, botou aqui dentro de novo?

IGOR: Botei, botei. Tá aí. (T) Vamo logo!

RAFAELA: Bora!

Igor e Rafaela saem apressadamente. CORTA PARA/

 

CENA 17. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA. 

SONOPLASTIA CONTINUA. Planos gerais de diferentes pontos turísticos. ANOITECE. CORTA PARA/

 

CENA 18. CASA DE GEORGE. QUARTO DE GEORGE. INT. NOITE. 

SONOPLASTIA OFF. George deitado na cama. Alana em pé.

ALANA: Eu sei que eu posso tá sendo chata, Geo. Estando o tempo todo aqui na sua casa, falando toda hora as mesmas coisas... Mas se eu falo isso, é pro teu bem. É porque eu me preocupo com você, meu amigo. E eu tô te vendo de fora, por um ângulo diferente do seu. E é exatamente por isso que eu reafirmo: Ficar desse jeito não vai te fazer bem, George!

GEORGE: Eu não tenho mais animo pra nada, vontade de nada. Chega! Eu fui o culpado pela morte de um homem. E um homem que eu amei e ainda amo. Mas que só enganei, só não contei tudo antes justamente por medo de perdê-lo. E se eu senti medo, é porque eu o amava. Enfim, você sabe. Não vou conseguir esquecer isso nunca!

ALANA: Você tá escolhendo o pior caminho pra levar essa situação. Você tá vivo! Cê acha que se negando a viver vai fazer com que o Edson volte à vida? Ou então que isso supra a culpa que você sente? Não! O tempo vai cicatrizar sua ferida, meu amigo. Ela vai continuar lá, mas vai parar de sangrar. E não tem melhor maneira de esperar o tempo passar a não ser VIVENDO! 

GEORGE: Ah, Alana...

ALANA; VIVER! Vive, George! Você precisa VIVER! Cê tem que se reerguer, recomeçar, voltar a trabalhar, continuar caminhando. 

GEORGE: Não sei se tenho forças...

ALANA: (Senta na cama) Eu tô aqui, Geo! Eu vou te ajudar sempre! 

GEORGE: Não, Alana.

ALANA: Como você é teimoso!

GEORGE: Esses dias eu pensei muito, quase enlouqueci e cheguei a uma conclusão. 

ALANA; Que conclusão?

GEORGE: Depois de tudo que aconteceu, não tem como continuar morando aqui, de junto da casa que o Edson morou. 

ALANA: Cê vai sair daqui?

GEORGE: Vou falar com a tia Letícia e perguntar se eu posso ir morar com ela lá na tal Touro Bravo. 

ALANA: Quê? Aquilo lá é um fim de mundo, uma cidade de interior. Você mesmo disse que não se acostuma mais com isso, Geo.

GEORGE: A gente muda, Alana. Ainda mais depois do que eu passei. E eu não vou conseguir começar nada aqui nessa cidade, nesse lugar. Tudo vai me remeter ao Edson.

ALANA: E a loja, George? E eu? 

Em Alana, visivelmente confusa. CORTA PARA/

 

FIM DO CAPÍTULO!

 

Créditos sobem ao som de: Pensando em Você – Paulinho Moska.