Reis da Arena

CAPÍTULO 03

SOBRE O CAPÍTULO

Kadu flagra Elias saindo de sua casa. Gina chantageia Igor.

MEGAPRO                                                                2018

 

 

REIS DA ARENA

 

CAPÍTULO 03

 

WEB NOVELA DE: Lucas Oliveira

ESCRITA POR: Lucas Oliveira

 

 

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO:

HILDA
GASPAR
KADU
JOSEFA
EMILIS
HORÁCIO
BARTOLO
PIETRO
LETÍCIA
GEORGE
IGOR
RAFAELA
GINA
ZANDER
FAUSTO
DARCY
MARIELA
ULISSES
ALANA
LALÁ
ZETINHA

 

CENA 01. APARTAMENTO DE IGOR E RAFAELA. SALA . INT. DIA.

Continuação imediata do capítulo anterior. Rafaela, sentada no sofá, fazendo as unhas. Igor adentra o local.

RAFAELA: Até que enfim, Igor! Não imaginava que a gravação de sua cena com a Tetê Rameira fosse durar a noite toda.

IGOR: Não durou. Eu que estiquei a noite.

RAFAELA: Cê levou a Tetê pra outro lugar depois da gravação?

IGOR: Não! (T) Rafaela, eu fiz uma besteira. Fui fraco, burro. Não tenho nem como me defender, porque realmente não existe defesa.

RAFAELA: (Apreensiva/Levantando-se) Ah meu Deus, Igor! Cê tá me assustando. Fala logo de uma vez! O que você fez de tão grave?

IGOR: (Inspira e solta) Rafaela, eu passei a noite com a Gina!

RAFAELA: O quê? (Riso nervoso/Incrédula) Não, cê tá brincando comigo. Com a Gina? Logo com a cobra da Ginália, Igor?

Rafaela encarando-o. Igor tentando desviar o olhar.

RAFAELA: Você sabe que a Gina não presta, Igor! Como cê foi fazer uma coisa dessas?! Ela sempre teve ódio, inveja de mim.

IGOR: Me perdoa, Rafa! Me perdoa, por favor!

Em Rafaela, chorando. CORTA PARA/

 

CENA 02. LOJA EQUIPE A EQUIPE. SALA DE LETÍCIA. INT. DIA.

Letícia à mesa. George em pé.

GEORGE: (Surpreso) Pera aí. Eu ser o presidente da Equipe a Equipe, tia?

LETÍCIA: Sim, você mesmo! É meu sobrinho e é muito gabaritado pro cargo. Tenho certeza que cê vai tirar isso de letra, George. E é melhor você a frente de tudo, do que eu nomear terceiros.

GEORGE: Tia, sinceramente, eu não sei se tô pronto pra assumir uma responsabilidade dessas nesse momento.

LETÍCIA: Porque não, George?! Você trabalha aqui, do meu lado, há anos. Vai ser muito mais fácil pra você que sempre teve aqui e sabe como tudo funciona, do que se fosse um novato. Continuará no mesmo ritmo. A diferença é que você passará a dá a última palavra. (T) Eu preciso ir embora, sabe?! Sei lá. Eu fico aqui e só consigo pensar no que aconteceu com meu filho. Eu preciso mudar os ares pra vê se eu consigo recomeçar de fato.

GEORGE: Eu sei, tia. Eu te entendo. Mas eu/

LETÍCIA: (CORTA) Eu já avisei a Bartolo, que toma conta da filial lá em Touro Bravo muito bem, diga-se de passagem, e ele ficou muito animado. Posso contar com você, George? Cê aceita?

GEORGE: Tá, eu aceito!

LETÍCIA: (Sorri/Levanta-se) Ótimo! Eu sabia que eu poderia contar contigo. Meu sobrinho lindo nunca me desaponta!

Letícia aproxima-se e o abraça. Em George, visivelmente preocupado. CORTA PARA/

 

CENA 03. APARTAMENTO DE IGOR E RAFAELA. SALA. INT. DIA.

Rafaela e Igor em pés.

IGOR: Fala alguma coisa, Rafaela. Por favor, não me deixa nessa agonia.

RAFAELA: (Choro cessa) Cê sabe que isso não vai acabar aqui, né?

IGOR: Como assim?

RAFAELA: A Ginália é uma cobra, Igor. É lógico que ela vai querer usar essa transa entre vocês pra nos atrapalhar, pra incomodar a gente.

IGOR: Ela não vai consegui! Ela sabe que eu só tenho olhos pra você, que nada e nem ninguém me separa de você, Rafa. Cê me perdoando, é o que me importa. O resto: Dane-se!

RAFAELA: (Sentando-se) Você não conviveu com ela como eu convivi. Não era pra você ter cedido às investidas dela. Mas agora que cedeu, não tem mais jeito.

IGOR: (Senta-se ao lado) Nós estando juntos, é o que importa pra mim! A gente enfrenta tudo!

RAFAELA: Não sei se será fácil...

IGOR: (Encarando-a) Eu te amo, Rafaela! Nunca se esqueça disso!

RAFAELA: (Comovida) Eu também te amo! E se eu tô com você, é exatamente por isso!

Os dois se abraçam fortemente. Ouve-se o celular tocar.

RAFAELA: É o teu, Igor. Atende!

Igor retira do bolso.

IGOR: (Olhando) É a minha mãe.

RAFAELA: Não vai atender?

IGOR: Não tô com cabeça pra ouvir lamúrias de Dona Zetinha agora.

Igor joga o celular sobre o sofá e o deixa tocando. Ele abraça Rafaela novamente. Clima melancólico. CORTA PARA/

 

CENA 04. PRAIA. EXT. DIA.

George e Alana caminham lado a lado pela areia da praia. Conversam.

ALANA: (Segurando as sandálias) Agora que você vai assumir a loja da Letícia, vai ficar muito mais fácil pra marcamos o Rally de moto. Cê sabe que eu sou doida pra fazer. Mas cê só me enrola (Riso).

GEORGE: Eu não tô nenhum pouco animado em assumir a loja.

ALANA: Que bobagem! Assumir a loja vai ser muito bom, Geo. Vai ter mais responsabilidades, claro. Mas também terá muitas vantagens. Suas agendas serão mais flexíveis. Porque você sendo o chefe, fará seus próprios horários.

GEORGE: Eu sei! Mas não é só isso. Vou ficar com muitas saudades da minha tia também. Eu compreendo que ela vai pra tentar se desligar um pouco da dor, do trauma que ela passou, mas o laço que a gente criou é muito forte.

ALANA: Isso é normal! (T) E o tal menino que você tava me falando no chat, hein?! Cê disse que tava morando de junto de sua casa. É bonito?

GEORGE: (Animado) Ai, é lindo! É diferente, sabe?! Mas é exatamente isso que me chamou atenção. O jeito, a excentricidade dele.

ALANA: Sei...

GEORGE: Eu sempre tive esse instinto de tentar compreender os incompreendidos, de ter uma compaixão. Mas com esse cara, eu não sei. Além de tudo isso, eu também tô sentindo uma atração.

ALANA: E tá esperando o quê?! Bate na porta e diz isso a ele!

GEORGE: Eu não posso, Alana.

ALANA: Por quê?

GEORGE: Eu nem sei se ele curte. Ele pode ser hétero. E também ele é muito fechado, tímido. Eu não vou ter coragem. Nem o nome dele eu sei.

ALANA: Ah, isso é muito simples de descobrir. É só cê ligar pro antigo morador da casa, o dono. Vocês não tinham intimidade com ele?! Então é só ligar, inventar uma desculpa e pronto!

GEORGE: Será?!

ALANA: Claro! Aí é só pegar o nome e procurar as redes sociais dele. Como virtualmente todo mundo fica menos tímido, será bem mais fácil.

GEORGE: Eu não sei. Porque mesmo assim eu travo e/

ALANA: (POR CIMA) Deixa de complicar as coisas, Geo! Faz o que eu tô falando. Não custa nada tentar!

Em George, pensativo. CORTA PARA/

 

CENA 05. TOURO BRAVO. EXT. DIA.

SONOPLASTIA: Amor de Criança – Vanilda D’ Paula.

PANORAMA da pequena cidade. CORTA PARA/

 

CENA 06. MANSÃO SANTANA. QUARTO DE EMPREGADA. INT. DIA.

SONOPLASTIA OFF. Zetinha em pé, desliga o celular e o coloca sobre o criado-mudo.

ZETINHA: (Pra si mesma) Nem me atender ele quer mais! Oh, meu Deus! Alivia essa angústia que tá dentro de mim. Protege meu menino. Cuida dele pra mim. Só isso que eu peço!

HILDA: (OFF) OH, ZETINHA. VEM AQUI NO MEU QUARTO, POR FAVOR.

ZETINHA: (Gritando) JÁ TÔ INDO!

Zetinha guarda o celular rapidamente em uma das gavetas e sai do local. CORTA PARA/

 

CENA 07. CASA DE BARTOLO. SALA. INT. DIA.

Emilis sentada no sofá, folheando uma revista. Ouve-se o barulho da porta abrindo. Bartolo adentra o local.

EMILIS: (Levantando-se) Ah, finalmente! Aonde você tava, Bartolo?

BARTOLO: Eu fui numa reunião com o Horácio lá na prefeitura. Negócios, Emilis! (T) O Pietro ainda tá aí?

EMILIS: Não! A tal Lalá chegou aí e ele já foi com ela pra casa dele. A menina ainda trouxe um amiguinho à tira colo, cê acredita?! E o Pietro ainda aceitou de hóspede. Definitivamente o Pietro puxou foi a você. De mim, eu não vejo quase nada!

BARTOLO: Deixa lá, Emilis. O Pietro sabe muito bem o que faz. Ele tá feliz, e é o que importa! Eu não me oponho. A Lalá é uma jovem dedicada, prendada, recatada e parece amar muito o nosso filho.

EMILIS: É verdade! Eu também não iria me opor, se ela fosse rica! Mas é uma pobre coitada! O único defeito dela é esse mesmo, mas é justamente o principal, o mais importante! 

BARTOLO: Cabeça dura é teu sobrenome! (T) Ah, a Letícia, dona da loja, avisou que vai voltar.

EMILIS: A tal da Letícia Vidreira? Ah meu Deus! Era só o que faltava!

BARTOLO: A Letícia é uma mulher e uma profissional maravilhosa.

EMILIS: Ah é?!

BARTOLO: Ela nasceu aqui, sempre fomos amigos e não foi atoa que ela me nomeou pra administrar a filial daqui, não.

EMILIS: E por qual motivo ela resolveu voltar de uma hora pra outra?

BARTOLO: Isso aí já é com ela! O fato é que eu vou continuar a ajudando na filial. A Letícia perdeu um filho recentemente e ainda tá bastante abalada.

EMILIS: Hummm...

BARTOLO: O que importa é que o Pietro também vai continuar trabalhando lá. A Letícia tem bastante consciência. A filial ficou anos sob meu comando, ela não ia chegar já tomando, não.

EMILIS: Só espero que a passagem dela por aqui seja bem rápida!

BARTOLO: (Respira fundo) Eu vou é tomar meu banho que eu ganho mais!

Bartolo sai. Em Emilis, visivelmente impaciente. CORTA PARA/

 

CENA 08. PREFEITURA MUNICIPAL. SALA DE HORÁCIO. INT. DIA.

Horácio à mesa. Josefa adentra o local.

HORÁCIO: O que te trás aqui, Josefa?! A secretária falou que você tá há horas esperando aí fora.

JOSEFA: (Aproximando-se) Ué, vim te visitar! Nunca mais a gente conversou assim, cara a cara. E tivemos uma história no passado. Se não fosse a falecida aparecer...

HORÁCIO: (Repreendendo-a) Josefa!

JOSEFA: Tá bom! Não vou mais tocar no assunto! Só que é verdade, Horácio. A falecida era estéril. Nem filhos ela pôde te dá. Se não adotasse a Hilda, nem sucessão cê teria... É como dizem: Más escolhas trazem más consequências, né?!

HORÁCIO: (Visivelmente Incomodado) Que assunto desnecessário, Josefa! Foi pra isso que você veio aqui?! Se foi, já pode ir embora!

JOSEFA: Calma! Não é porque no passado você errou que não pode fazer diferente no presente. Eu ainda tô aqui, Horácio. Viva, bem e totalmente disposta a viver um dejavú.

HORÁCIO: Josefa, por favor...

JOSEFA: (Acariciando-o) A gente sempre se deu bem, Horácio. Nos conectávamos. Na cama então, era uma loucura! E você continua bonito, em forma, viril... E eu também me cuidei! Reviver aquilo que foi bom é maravilhoso!

HORÁCIO: Isso quando as duas partes envolvidas querem! (Empurrando-a) Melhor você ir embora, Josefa! Essa conversa já foi longe demais. E pode ter certeza: não vai te levar a lugar nenhum!

Josefa sorri timidamente.

JOSEFA: (Seca) Ok! Com licença, Horácio!

HORÁCIO: Toda!

Josefa sai. Em Horácio, balançando a cabeça negativamente. CORTA PARA/

 

CENA 09. MANSÃO SANTANA. QUARTO DE HILDA. INT. DIA.

Hilda e Zetinha sentadas na cama. Conversam.

HILDA: Eu fiquei muito decepcionada com o Gaspar. Eu fui lá, perguntei a ele, quase implorei pra ele se abrir e nada. Até parece que não confia em mim ou que tá escondendo algo, sei lá.

ZETINHA: Não, Hilda. Também não é bom julgar.

HILDA: Mas é o que parece! Por que esconder de mim então?! Logo de mim, Zetinha. Sempre fomos unidos. Não tem porque isso.

ZETINHA: Pois é. Você e o Gaspar sempre se deram tão bem. Se ele tá agindo desse jeito, alguma coisa deve ter acontecido. O jeito é esperar o tempo dele.

HILDA: Eu só espero que o Gaspar não esteja me traindo. O Kadu sempre fala que não gosta dele. Eu nunca dei ouvido, mas se eu me decepcionar, não sei se sou capaz de perdoar, Zetinha. Eu não vou aguentar o baque. Não vou!

Zentinha visivelmente preocupada. Em Hilda, pensativa. CORTA PARA/

 

CENA 10. CONSULTÓRIO DE MARIELA. SALA DE ATENDIMENTO. INT. DIA.

SONOPLASTIA: Eu me Acerto – Zélia Duncan.

Mariela sentada. Darcy em pé.

MARIELA: Pode sentar aí nessa cadeira e ficar à vontade, querida.

DARCY: (Sentando-se) Obrigada!

MARIELA: Então, o que você tem pra contar? Pode ficar tranquila que eu vou estar apenas ouvindo.

DARCY: Tem pouco tempo que eu cheguei aqui em Touro Bravo. Vim pra cá com algumas expectativas, mas também por falta de opção, sabe?! Onde eu tava, estava pior. E eu, apaixonada, resolvi vim com ele. Só que ele é casado!

MARIELA: Sei...

DARCY: Ele prometeu que iria se separar. Mas até agora nada! E eu me sinto apenas uma merenda que só serve pra o saciar nas horas vagas. Eu não me sinto totalmente preenchida. Parece que falta alguma coisa.

MARIELA: E quando vocês estão juntos é bom?

DARCY: (Pensativa) É... Ele me dá carinho, atenção, prazer, um ombro, me ouve. Mas é passageiro. Na verdade ele me dá sobras de tudo isso, migalhas! Não digo que ele não goste de mim. Mas falta coragem pra se decidir, pra sair do comodismo, pra enfrentar a relutância da esposa, os problemas que podem vim com o divórcio.

MARIELA: O que você sente que ele possa sentir em relação a você?

DARCY: Talvez medo, insegurança...

MARIELA: Por quê?

DARCY: Ah, sei lá. Talvez por achar que eu não fique com ele depois de tudo, que eu o abandone. Aí ele pode pensar que nem vale a pena abrir mão do casamento. Eu digo pra ele que eu o amo, falo dos meus sentimentos, mas não sei se isso é suficiente, entende?! Ainda mais que tem pouco tempo que nos conhecemos.

MARIELA: Entendo.

DARCY: É novo pra mim e pra ele também. Deve ser estranho sair da zona de conforto, assim como também é pra mim. E é por isso que tá me incomodando tanto. Eu me vejo praticamente escondida. Eu me conheço e sei que não vou aguentar muito tempo. Por isso eu sei que se ele não tomar logo uma atitude, por mais que eu goste dele, essa situação não vai durar muito tempo! (T) Eu me sinto perdida. Definitivamente eu não sei o que fazer!

Darcy visivelmente triste. Em Mariela, Observando-a. CORTA PARA/

 

CENA 11. CASA DE GASPAR. SALA. INT. DIA.

SONOPLASTIA OFF. Gaspar deitado no sofá, pensativo. Zander vem de dentro.

ZANDER: Você ainda tá assim, Gaspar?! Ficar pensando no problema não vai ajudar a resolver.

GASPAR: (Visivelmente Irritado) Zander, se não for pra falar nada de útil, fica calado. Ok?!

ZANDER: Não conseguiu se entender com a Hilda, né?! Gaspar, esse teu orgulho não vai nos levar a nada. Porque não abrir logo o jogo pra ela? Pra que ficar guardando tudo pra você?

GASPAR: (Levantando-se/Respira fundo) Eu vou sair por aí, antes que eu exploda!

Gaspar sai. Zander balança a cabeça negativamente e vai em direção a um armário. Ele pega uma garrafa de bebida e começa a beber visivelmente feliz. CORTA PARA/

 

CENA 12. TOURO BRAVO. EXT. DIA.

SONOPLASTIA: Peço Só – Danilo Moura.

PANORAMA da pequena cidade. ANOITECE. CORTA PARA/

 

CENA 13. CASA DE JOSEFA. SALA. INT. NOITE.

SONOPLASTIA CONTINUA. Kadu sentado no sofá, visivelmente aborrecido. Ouve-se barulho da porta. Josefa adentra o local.

JOSEFA: (Animada) Oi, Kadu. Já chegou?

KADU: (Seco) Não! Tô lá!

JOSEFA: (Estranha) Nossa! Pra quê esse mau humor todo?

KADU: O que aquele cara tava fazendo aqui, hein?

JOSEFA: (Fazendo-se de desentendida) Que cara, meu filho?

KADU: (Levantando-se) Não se faça de boba, Dona Josefa! Ou a senhora pensa que eu não vi aquele mendigo saindo daqui mais cedo?! Porque insiste em ficar ajudando aquele pé rapado, mãe? 

SONOPLASTIA OFF. Em Josefa, paralisada. CORTA PARA/

 

CENA 14. CASA DE PIETRO. SALA. INT. NOITE.

Lalá e Pietro deitados no sofá, abraçados.

PIETRO: Amor...

LALÁ: Hum.

PIETRO: Bora brincar de nuvem?

LALÁ: Nuvem?

PIETRO: É. Eu fico nu e você vem. Que tal?

LALÁ: (Ri) HAHA! Palhaço safadinho!

PIETRO: Só um pouquinho! (Riso).

LALÁ: Mas, falando sério, tô tão feliz em tá aqui com você, amor. Parece um sonho! De tanto eu sonhar com isso, ainda não caiu a ficha que finalmente se realizou.

PIETRO: Eu também. Ainda não acredito. Tantos casais por aí correndo da rotina e a gente louco pra começar a nossa, né?!

LALÁ: (Ri) É verdade. É porque nosso sentimento é verdadeiro, forte demais!

PIETRO: Só fico meio sem jeito com seu amigo aí. Eu sei que ele não vai atrapalhar, parece gente boa. Mas...

LALÁ: É só por um tempo, amor. Quando o Ulisses conseguir alguma coisa aqui, ele aluga um apê pra ele.

PIETRO: Ele é gay, né?

LALÁ: É sim!

PIETRO: Eu percebi. Não é afeminado, mas deu pra notar.

LALÁ: E é um amigo maravilhoso! (Sentando-se) Na tal filial da loja que você trabalha num tem vaga pra, quem sabe, o colocar, não?

PIETRO: Tem nada! E ainda por cima, meu pai me mandou uma mensagem mais cedo dizendo que a dona vai voltar pra cá. Mas eu vou tentar arranjar alguma coisa pro Ulisses.

LALÁ: Como é, Pietro?! Que dona é essa? É bonita?

PIETRO: (Sorridente/Abraçando-a) Ah, meu Deus! Mas essa minha manteiguinha fica tão fofa com ciúmes.

LALÁ: Ah é, né, safado?! Pois eu não acho a menor graça, tá?!

PIETRO: Boba. Eu nem conheço a mulher. (T) Que tal a gente fazer um programa amanhã, hein? Só nos dois.

LALÁ: Que tipo de programa?

PIETRO: Ao ar livre, de preferencia. Aqui em Touro Bravo tem cada paisagem linda, amor. Preciso te apresentar. A gente pode ir numa cachoeira. Que tal?

LALÁ: Eu amoooooo cachoeira. Pena que lá em Toureiro não tinha.

PIETRO: Então, você vem comigo. Garanto que companhia melhor não há!

LALÁ: (Sorri) Convencido! Te amo, sabia?!

PIETRO: Eu também te amo, minha ciumentinha linda.

Lalá e Pietro se beijam com ímpeto.

SONOPLASTIA: Um anjo veio me falar – Rouge.

PIETRO: (Levantando-se) Bom, vou tomar meu banho antes que me bata vontade de fazer outra coisa.

LALÁ: E eu vou fazer um jantar bem caprichado pra gente.

PIETRO: Hummm. Delícia!

Pietro sai do local.

LALÁ: (Levantando-se) Lava tudo direitinho, hein?!

PIETRO: (OFF) Pode deixar!

Em Lalá, sorridente. CORTA PARA/

 

CENA 15. CASA DE PIETRO. QUARTO DE HÓSPEDE. INT. NOITE.

SONOPLASTIA CONTINUA. Ulisses deitado na cama visivelmente pensativo. Ele abraça o travesseiro e sorri. CORTA PARA/

 

CENA 16. CASA DE JOSEFA. SALA. INT. NOITE.

SONOPLASTIA OFF. Kadu e Josefa em pés.

KADU: (Indagando-a) Fala, mãe! Porque a senhora insiste em ajudar esse cara e trazer ele pra cá?

JOSEFA: (Visivelmente nervosa) É apenas um coitado, meu filho. Um pobre diabo que fica vagando por aí. Vaga mais que alma penada e é mais invisível que uma. Ninguém o nota!

KADU: (Ri) E logo a senhora foi notar?

JOSEFA: Pra você ver como eu tenho um coração bom.

KADU: Só se for um pedaço minúsculo. Até agora essa história não me convenceu!

JOSEFA: Para de ficar me interrogando, Kadu! Vamos falar do que interessa! (Senta-se) Tô vindo da prefeitura! Fui jogar uma lábia pro Horácio e eu acho que consegui atiça-lo.

KADU: Isso eu duvido! Mas foi bom a senhora ter ido até lá. Quanto mais aproximação com o Horácio, melhor!

JOSEFA: Ele praticamente me expulsou de lá. O Horácio mudou muito depois que se tornou prefeito. Ainda bem que ele não sabe da nossa real situação financeira, senão, me humilharia ainda mais!

KADU: A senhora vai ter que reverter essa situação, mãe! Tô tendo uma ideia aqui, que se der certo, a gente vai deixar o Horácio comendo em nossas mãos!

JOSEFA: Que ideia?

KADU: Calma, Dona Josefa! Você vai ter que voltar lá na sala do Horácio. Só que dessa vez, com outras finalidades.

JOSEFA: Quais?

KADU: Na hora certa você vai saber!

Em Kadu, sorrindo maliciosamente. CORTA PARA/

 

CENA 17. CASA DE PIETRO. SALA DE ESTAR. INT. NOITE

Pietro deitado no sofá visivelmente entretido com o celular em mãos. Ulisses escondido ao fundo, observando-o. CORTA PARA/

 

CENA 18. CASA DE PIETRO. QUARTO DE PIETRO E LALÁ. INT. NOITE.

Lalá forrando a cama. Ulisses adentra o local.

ULISSES: Lalá, minha amiga. Tenho um negócio meio chato pra te falar.

LALÁ: Quê foi, Ulisses?

ULISSES: Bem... É... Eu tava indo pra sala, mas aí eu parei porque eu vi o Pietro no celular.

LALÁ: E daí?

ULISSES: (Aproximando-se/Baixo) Ele tava assistindo filme pornô, Lalá. Eu não quero ficar fofocando, minha amiga. Mas, sei lá. Se eu vir, ia ficar me sentindo mal se não contasse.

LALÁ: E daí, Ulisses? Qual é o homem que não ver filme pornô, me diz?!

ULISSES: Ah quando tá namorando, acho que alguns não.

LALÁ: Alguns fingem que não, Ulisses. Apenas isso! E algumas mulheres optam por acreditar nessa ilusão. Já eu não ligo, não. Homens gostam dessas coisas mesmo. Não vou ficar me iludindo. Prefiro encarar uma verdade e tentar compreender, do que me iludir com uma mentira!

ULISSES: Vendo por esse lado...

Lalá senta-se na cama.

ULISSES: Oh amiga, me responde uma coisa: Você e o Pietro costumam brigar?

LALÁ: A gente dá nossos pitis, perturba um ao outro, mas sério mesmo, não! Por quê?

ULISSES: Por nada. Curioso, né?!

LALÁ: Não acho. A gente se ama e se entende em todos os aspectos. É coisa rara de se acontecer, mas aconteceu com a gente. Ah, e no sexo também nós nos encaixamos. Somos praticamente um vulcão em erupção.

ULISSES: Nossa! Não vejo a menor graça nisso. Nem me conta os detalhes. Pra mim é tudo bobagem. Eu não sinto nada e nem dou a menor importância pra sexo.

LALÁ: Claro que é importante. Não é o mais importante, mas também é uma parte essencial em que o casal tem que se entender.

ULISSES: Dispenso!

LALÁ: (Sorri) Você e essa sua mania de não gostar de sexo. Mas enfim, a minha relação com o Pietro é assim. Um completa o outro, sabe?! É isso que a gente sente. Nós nos encaixamos perfeitamente em tudo e eu não consigo mais imaginar minha vida sem ele.

 

ULISSES: O Pietro realmente é mesmo um cara incrível. Isso se nota há quilômetros! Só que eu acho que felicidade, óbvio que é uma coisa boa, mas essa coisa perfeitinha assim o tempo todo, pode parecer chata.

LALÁ: (Deita-se na cama) Mas eu amo minha felicidade! E a gente sabe ser tudo, na hora certa. Criatividade não falta! (Suspira) Ai, amigo. Se existe mesmo esse negócio de destino traçado, é inquestionável que eu e o Pietro fomos feitos um pro outro!

Ulisses dá um leve sorriso de canto de boca. CORTA PARA/

 

CENA 19. CASA DE JOSEFA. QUARTO DE KADU. INT. NOITE.

SONOPLASTIA: Peço Só – Danilo Moura.

Kadu, apenas de toalha, fala ao celular.

KADU: (Entusiasmado) Você o quê, Fausto?

FAUSTO: (OFF) É isso mesmo que você ouviu, Kadu. Eu tô indo pra aí!

KADU: Mas isso é maravilhoso! Você disse que tava corrido, que tava sem tempo. Eu, sinceramente, só tava esperando você aqui só lá pro mês que vem.

FAUSTO: (OFF) É, mas eu desmarquei alguns compromissos, resolvi outros antes do previsto, enfim... Cê sabe como ninguém que vida de empresário é assim mesmo; um constante circuito rotativo. Avisa aos responsáveis daí sobre a minha chegada, diz que chego semana que vem. Quero ver um rodeio maravilhoso, hein?!

KADU: Pode deixar, Fausto! E verá! Disso não tenha dúvidas!

FAUSTO: (OFF) Assim espero! Boa noite, Kadu. Abração!

KADU: Abraço!

Kadu desliga.

KADU: (Vibrando/Pra si mesmo) Yes! Agora sim as coisas vão começar a acontecer! Me aguarde, Gaspar!

SONOPLASTIA OFF. Kadu joga o celular sobre a cama e sorri. CORTA PARA/

 

CENA 20. RIO DE JANEIRO. EXT. NOITE.

SONOPLASTIA: Pensando em Você – Paulinho Moska.

Planos gerais de diferentes pontos turísticos da cidade. CORTA PARA/

 

CENA 21. CASA DE LETÍCIA. QUARTO DE GEORGE. INT. NOITE.

SONOPLASTIA CONTINUA. George, sentado na cama, fala ao celular.

GEORGE: Então tá certo, Seu Alfredo. Brigadão mesmo pela ajuda. É só pra acrescentar na lista da festa dos vizinhos mesmo, como a gente fazia todo ano!... Abraço pro senhor também! Boa noite!

George desliga.

GEORGE: (Pra si mesmo/Sorridente) Edson Silva. Nome lindo!

George começa a digitar no celular. CORTA RÁPIDO PARA/

 

CENA 22. CASA DE LETÍCIA. QUARTO DE LETÍCIA. INT. NOITE.

SONOPLASTIA CONTINUA. Letícia retira uma gaveta do guarda-roupa e senta-se na cama. Retira fotos e objetos de dentro dela e começa a olhar.

LETÍCIA; (Emocionada/Pra si mesma) Ah, meu filho. Como é difícil. (Retira uma camisa do flamengo e abraça) Eu nunca vou te esquecer, Gustavo. Nunca! Nunca!

Em Letícia, chorando, abraçando a camisa. CORTA PARA/

 

CENA 23. APARTAMENTO DE IGOR E RAFAELA. QUARTO. INT. NOITE.

SONOPLASTIA OFF. Igor e Rafaela deitados na cama, abraçados. Ouve-se o celular tocar. Igor senta-se e pega sobre o criado-mudo.

RAFAELA: Ah, mas isso é hora de te ligarem?!

IGOR: Deve ser meu diretor! Pode ser alguma coisa importante!

RAFAELA: Duvido ser o diretor uma hora dessas.

IGOR: Nunca se sabe, Rafa.

Igor atende.

IGOR: Alô?

GINA: (OFF) Sou eu, querido! Você me reconhece só pela voz que eu sei.

IGOR: (Irritado) Pra quê cê tá ligando pra cá? Se sai, garota!

RAFAELA: (Apreensiva) É a vagabunda da Gina?

IGOR: Anda! Fala logo o que você quer!

GINA: (OFF) Tá apressadinho, meu caro?! Naquela noite comigo cê não tava.

IGOR: (Grita) FALA ou eu vou desligar!

GINA: (OFF) Eu vou ser direta: Quero é dinheiro, grana, bufunfa!

IGOR: (Incrédulo) Quê?!

GINA: (OFF) Isso mesmo que você ouviu! Quero dinheiro na minha mão, ou então...

IGOR: Você tá louca!

GINA: (OFF) Louca?

IGOR: Eu não vou te dá nem um centavo!

GINA: (OFF) Ah, vai sim!

IGOR: Cê tá achando que eu sou trouxa, garota?!

GINA: (OFF) Olha, acho melhor você repensar, hein. Em quem você acha que vão acreditar?! Numa frágil mulher como eu ou em um homem opressor e promiscuo como você?! É assim que a mídia vai nos enxergar, meu caro. Você nem imagina o que vou fazer. E eu acho muito difícil a impressa ficar do teu lado...

Igor pálido, trêmulo. Rafaela apreensiva.

RAFAELA: Meu Deus, Igor! Cê tá me deixando nervosa. O que foi que essa desgraçada falou? Fala!

Clima tenso. Em Igor, paralisado. CORTA PARA/

 

FIM DO CAPÍTULO!

 

Créditos sobem ao som de: ISTRUMENTAL DE SUSPENSE.