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Misturando literário e roteiro, As Melhores Escolhas promete fazer você se questionar

Weslley Vitoritti analisa estreia da série de Hugo Martins na DNA TV

Vitor Azevedo Abou Mourad, Redação Megapro
20.06.2020 às 17:12

 

Estreia da semana, pela DNA TV, ''As Melhores Escolhas'', de Hugo Martins, chegou convidando o público a acompanhar a trajetória de amadurecimento não só do protagonista, mas de todos os personagens do enredo. O que parece simples na teoria é bem mais difícil na prática. Quais são as primeiras impressões?

O enredo de ''As Melhores Escolhas'' é puxado pelo jovem Luccas, que está às vésperas de completar 18 anos e está no momento em que começa a fazer a transição da adolescência para a vida adulta, ocasionando diversas questões e conflitos até então novos para o belo rapaz. 

Na primeira cena, somos apresentados à família de Luccas, que parecia viver harmonicamente bem, exceto pelas atitudes irresponsáveis do pai, Ademir. Logo, avançamos 14 anos no tempo e descobrimos que os pais dele encontram-se separados e surge o primeiro conflito do personagem: a doação do seu vídeo game Nintendo. Presente de seu pai, a mãe resolveu doá-lo para seu vizinho sem que o mesmo soubesse. Mas bastou Luccas ver o garotinho com o brinquedo para que ele surtasse e, no resumo da ópera, quebrar o vídeo game diante de todos. Comportamento estranho e atípico para um garoto de 17 anos, não? É, provavelmente. Mas, aqui, ele é eficiente e cabível, pois além de evidenciar que o personagem está em uma fase transitória também serviu como gatilho para expor sentimentos complexos da mãe, dona Liana, com relação ao ex-marido. Isso é simplesmente incrível e inteligente.

Com o avançar do capítulo, Luccas se mostra indeciso diante dos desafios da vida adulta e sensível diante do abandono do pai. E neste ponto da trama, Hugo usa outro elemento para desencadear e expor tais sentimentos: A gravata. Ao procurar um terno e ouvir do vendedor que os pais ensinam seus filhos a darem os nós, ele se desestabiliza e parte em meio a um choro contido. A cena que melhor evidência isso é a que ele está no alto de uma caixa d'Água e tem uma conversa com a projeção de seu pai criada por sua mente. O medo dele e revolta são expostos, fazendo o leitor se afeiçoar ainda mais ao nosso querido e cativante Luccas. Com certeza, muitos se identificarão com os dramas do jovem rapaz.

''As Melhores Escolhas'' opta por adotar o uso de cabeçalhos, característica do roteiro, para fazer a divisões de cenas. Algo incomum, que pode gerar estranheza ao leitor mais assíduo do literário e averso ao roteiro. Porém, eu não vejo problema algum. Com um texto limpo e fluido, os diálogos são bastante coloquiais, naturais. Sem precisar devanear pelo ser existencial. Hugo faz isso, mas de forma paupável e direta, usando como base o personagem e seus sentimentos, sem precisar recorrer a metáforas, que muitas vezes parecem incógnitas indecifráveis. Com poucos erros de português, quase imperceptíveis, a trama é quase perfeita... quase. O tamanho do capítulo é um pouco exaustivo no formato literário para quem não lê o gênero com certa frequência por aqui. 

Com enredo simples e cativante, Hugo Martins é eficiente em mostrar que um bom e velho clichê é sempre bem-vindo, desde que seja bem desenvolvido e amarrado. 

Ao fim do capítulo, ficamos com o gostinho de quero mais e ansioso para acompanhar a trajetória do jovem Luccas pelo novo mundo que surge diante de seus olhos ao horizonte. 

90/100

Por Weslley Vitoritti

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