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TRIBUNAL DE RUA

TUDO FOI FEITO PRA NÓS: O mundo de ‘Tribunal de rua’

20/02/2018 22:49

Trama das 21h do MEGAPRO registra altos índices de audiência e ainda repercute


João Carvalho, autor de 'Tribunal de rua' 'Ruínas'

 

            A minissérie ‘Tribunal de rua’ estreou no último dia 30 no MEGAPRO e já está causando com seus temas sociais referentes ao período militar, através da visão das comunidades.

            A trama escrita por João Carvalho preserva algumas discussões de ‘Ruínas’, novela de sua autoria que fora escrita em 2017 e exibida pelo TVN no mesmo ano, que discutia o limite da honestidade no Brasil, além de mostrar os bastidores da corrupção na imagem de quatro protagonistas – o senador Lauro, a empresária Ângela e os marqueteiros Clara e Leonel -, que entrariam em decadência graças ao avanço de um inquérito de investigação instituído pelo juiz Sérgio e pela delegada Iolanda. O autor ainda fala com carinho de sua novela:

“Ruínas cumpriu com sua obrigação. Retratou de forma mais realista possível os mandos e desmandos de Brasília. Eu sempre falo que me orgulho da trama, pois querendo ou não ela foi uma sátira, uma representação de uma realidade através de personagens fictícios, às vezes até muito caricatos, mas ainda assim não deixou de tratar de forma sérias os temas recorrentes da sociedade, principalmente no âmbito político.” – disse o autor;

tema de abertura de 'Tribunal'

            Escrever ‘Tribunal’ também foi um desafio para o autor, que retrata mais uma vez um momento histórico e tão polêmico, que é a própria ditadura militar. Entretanto, ao invés de recorrer ao já desgastado jeito de contar histórias naquele período, João Carvalho conta uma nova visão dos fatos, a visão das comunidades, que presenciam uma luta armada no centro da cidade, enquanto uma guerra civil se institui na favela, que, inclusive, através do relatório da Comissão da Verdade, mostrou que realmente os confrontos naquele período nas favelas eram devastadores para aquela população.

            A minissérie conta a história de Pedro Bala (Milhem Cortaz), um homem comum como todos os outros, classe média, filho de pais conservadores e já aposentados, e que só conseguiram subir na vida graças ao esforço de Benício (Marcelo Noaves) e Ronaldo (Enrique Diaz), que se tornaram grandes advogados, mesmo sendo completos corruptos. Pedro se envolve em um jogo de bicho arriscadamente e é preso. Na cadeia conhece Dogão (Babu Santana), um homem poderoso na favela, que sempre teve vida boa e que o convence em entrar para um esquema perigoso de tráfico e jogo de bicho. A boa relação de Pedro com a comunidade o faz ser conhecido como o BALA e ele assume o comando do Morro da Providência.

            Só que a grande vontade de Pedro é fazer um sucessor, mas sem um filho isso ficaria difícil e é então que Nicolau (Vinicius Redd) se põe a disposição para ser treinado e um dia substituir o tio. O grande conflito da trama se dá quando Pedro descobre que Benício é o verdadeiro culpado pela morte do amor de sua vida e se coloca de uma vez por todas contra o próprio irmão, porém a prisão de Pedro fará com que Nicolau assuma o Morro e com isso nasça uma nova guerra, agora de sobrinho contra tio.

Trecho do livro 'Capitães da areia'

 

           Pedro Bala, homem honesto que se vê perdido pelo mundo do crime, é baseado no personagem de mesmo nome do livro ‘Capitães da areia’, de Jorge Amado. O livro é responsável pelo clima da trama que, apesar de se passar no Rio de Janeiro, têm pontos da cultura baiana do período de Amado.

            Um dos destaques da novela é Mona Stuart, uma drag queen que é dona de um bordel e que se coloca a disposição de Pedro para ajuda-lo na criação de seu substituto. Desbocada, empoderada e completamente fora da casinha, Mona é o retrato do que a sociedade não gostaria de ver ou pelo menos finge que não vê. O destino dela na reta final da minissérie é surpreendente e os leitores irão entender parte do que ela disser.

            No mais, ‘Tribunal de rua’ é mais que uma minissérie comum, é o retrato de uma sociedade completamente ultrapassada que esqueceu de seus mártires, das pessoas que lutaram para que hoje o Brasil viva em um Constitucionalismo pleno, sem repressões, e para dar um “tapa” na cara de quem acredita que o Regime Militar foi o momento em que o país esqueceu a violência.

            ‘Tribunal’ é exibida todas as quartas, às 21h.