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É hoje! Weslley Vitoritti revela curiosidades e detalhes de Heroína

Nova novela do Megapro estreia hoje, às 21h

Vitor Azevedo Abou Mourad, Redação Megapro
12.10.2020 às 11:31

Logo mais, às 21h, estreia a nova novela do Megapro, ‘’Heroína’’, de Weslley Vitoritti. E faltando poucas horas para o grande lançamento, o autor conversou comigo, Vitor Abou, sobre a trama, sua criação e diversos detalhes. Vale a pena conferir:

 

  

VITOR ABOU: Weslley, começo fazendo uma pergunta que deve estar na cabeça de muitos leitores de ‘’Juízo Final’’ (2018), sua última novela, que foi um grande sucesso: o que ‘’Heroína’’ herdou de ‘’Juízo Final’’ e o que ela mudou completamente?

WESLLEY VITORITTI: Heroína e Juízo Final são duas obras que tem uma linguagem bem moderna, que bebem muito do cinema, das séries... Em estrutura e narrativa. Acho que isso é o que uma herdou da outra. Quanto ao que mudou... O tamanho estrutural. Em Juízo Final eu tinha quase 40 personagens e mais de 30 capítulos, tramas paralelas, muita coisa... Em Heroína isso é bem diferente. Aqui, são 15 capítulos divididos em 4 fases (incluindo epílogo), personagens rotativos, não fixos, e sem núcleos paralelos. Tudo é complexo. Em Heroína, TUDO está em função da narrativa principal, por menor que seja. Nesse meio tempo, entre uma trama e outra, eu estudei muito. Estou ainda mais seguro do que eu quero e de como pretendo contar.

 

Heroína é livremente inspirada neste livro

 

VITOR: O argumento da trama é escrito por você, Weslley, e por Maria Fernanda, conhecida até alguns meses atrás como May Margret, com livre inspiração no livro ‘’Eu, Christiane F., 13 anos, Drogada, Prostituída’’. Como foi o surgimento da sinopse de vocês? Foi a com a leitura do livro, conversas, pesquisas? Conta tudo pra gente.

WESLLEY: Heroína surgiu da minha vontade de fazer uma adaptação este ano, algo curto. Compartilhei a ideia com a May e chamei ela para escrever comigo e aí ela veio com a história da Christiane, pois já havia lido o livro. Eu já conhecia, mas ainda não havia lido. Após isso, lemos a obra, reviramos a vida da Christiane, fizemos várias pesquisas... Foi bem intenso esse processo. Com isso finalizado, começamos a adaptação da história para o Brasil, isso acabou fazendo com que desistíssemos da ideia de fazer uma adaptação, mas, em vez disso, simplesmente nos inspirássemos não só no que é relatado no livro como na vida da Christiane. Infelizmente, quando estávamos começando as escaletas, a Maria Fernanda precisou sair do projeto por conta da sua vida pessoal. Mas ela continua por dentro de toda trama, acompanhando de perto, recebendo os capítulos, opinando, roteirizando alguma ceninha quando eu peço... Como eu disse pra ela: Eu sou o pai e ela é a mãe dessas crianças rebeldes (risos).

 

VITOR: A protagonista da novela, Maria Aparecida (Isabella Scherer), começa a trama com treze anos, chegando ao Rio de Janeiro com sua família. Em meio a diversos problemas em casa e na escola, acaba conhecendo o rebelde Luciano (Vinicius Wester). Essa aproximação entre os dois tem um lado dúbio: é boa, mas também é ruim?

WESLLEY: Então, diferente do livro, a protagonista começa com 15 anos, e não 13. Essa foi uma das coisas que resolvi modificar ao me inspirar no livro. Já é pesado você escrever cenas de consumo de drogas, violência e prostituição envolvendo uma adolescente de 15 anos, imagina com uma de 13? Eu me sentiria ainda pior. Quanto a aproximação da Maria Aparecida com o Luciano, ela é só aparentemente benéfica, pois é ela quem a leva a enveredar pelos caminhos que já falamos acima. No fundo, não há nada de benéfico ali.

 

VITOR: Com o tempo, como já divulgado na sinopse, Maria Aparecida vai entrar no caminho das drogas, começando pela heroína. O que as drogas representam para essa jovem?

WESLLEY: Representa fuga da realidade, injeção de coragem, autoestima... Tudo que eles querem ter ou a fuga que eles tanto queriam. Mas o efeito é passageiro e as consequências são permanentes. Só agrava ainda mais problemas que eles já possuem e geram outros.

 

VITOR: Exatamente. É uma realidade muito dura. Aliás, Weslley, acho importante deixar marcada sua intenção totalmente contrária à apologia às drogas como algo positivo, né? Inclusive, os efeitos destrutivos serão mostrados, certo?

WESLLEY: Sim, jamais faria apologia disso. Serão mostrados não só os efeitos destrutivos e perigosos da droga como também do machismo enraizado, de uma família mal estruturada, da prostituição... Heroína não faz qualquer apologia, não romantiza nada. É realista ao extremo. Nada será poupado. Na sinopse de Heroína eu coloquei o seguinte: "Quem sabe possamos lançar uma luz, alerta para os jovens leitores, sobre algo que parece muitas vezes incentivado pela sociedade e exposto nas músicas como algo bacana quando, na verdade, sabemos que não é". Espero que Heroína sirva como ponto de reflexão, alerta, não só para os jovens, mas também para os pais, qualquer pessoa que se sentir tocado.

 

VITOR: A primeira fase da trama se passa nos anos 80, mais precisamente em 1986. E essa ambientação é fundamental para a trama, até porque teremos a música muito presente. Como foi sua pesquisa desse assunto?

WESLLEY: Ao longo de Heroína acompanharemos a trajetória de Maria Aparecida permeada pelo vício. Nos anos 80 o Brasil respirava juventude, o rock bombava... Melhor época para começar que ela não há. A música estará presente, mas não tanto quanto vocês pensam. A década foi mais escolhida pelo que eu disse acima.

 

VITOR: Analisando o título, assim que fiquei sabendo da trama, percebi uma dupla interpretação: a personagem sendo uma heroína e a droga heroína. Imagino que tenha sido sua intenção justamente essa. Como essas duas interpretações vão dialogar e se atravessar durante a obra?

WESLLEY: Sim, você está certo. Era essa a minha intenção com o título: ter essa dupla interpretação. Digo que a heroína é o par romântico da Maria Aparecida e co-protagonista da trama (risos). Ela e Maria Aparecida são dependentes uma da outra e isso ficará evidente ao longo da trama.

 

Isabella Scherer é Maria Aparecida na 1ª fase

 

VITOR: Na novela, você fará sua estreia usando o Master Scenes, padrão de roteiro internacional, adotado comercialmente no meio audiovisual. Por que você decidiu utilizá-lo? O que mais terá de novo no seu texto, considerando o que vem aprendendo desde ‘’Juízo Final’’?

WESLLEY: Decidi porque acho que estamos em um mundo cada vez mais globalizado, de universalização do entretenimento e porque eu quis colocar em prática o que já estava estudando há algum tempo. De novo, Heroína tem ainda mais consciência textual e estrutural, mas sem nunca, jamais, deixar a emoção e as histórias humanas de lado. No final das contas, são elas que contam.

 

VITOR: Além disso, uma novidade é o formato. ‘’Heroína’’ terá 15 capítulos. Nesse momento, muita gente pode estar se perguntando: ‘’15 capítulos e é novela?’’. Passo a pergunta pra você, Weslley: o que torna ‘’Heroína’’ uma novela?

WESLLEY: Sim, e é novela (Risos)! Há muito tempo temos rumores de novelas curtas vindo aí, como Verdades Secretas 2... Por que não por aqui? Claro, desde que elas apresentem algum diferencial, não sejam como todas as outras. (T) O que torna Heroína novela é o formato escolhido para contar. Eu poderia dizer que é a jornada da heroína personificada em nossa protagonista, as relações etc. Mas tudo isso nós temos em uma dramaturgia bem feita, independente do formato.

 

VITOR: Para terminar, uma pergunta um pouco até clichê: o que o público pode esperar de ‘’Heroína’’?

WESLLEY: Uma história forte, polêmica e emocionante. Heroína pretende, acima de tudo, trazer emoção, reflexão e, se possível, um alerta. É uma obra que eu acredito muito, que estou simplesmente apaixonado, envolvido. Espero que todos fiquem como eu estou ao desenvolver ela.

 

VITOR: Muito obrigado, Weslley, pelo nosso bate-papo. Foi ótimo saber mais dessa trama maravilhosa que está chegando. Sucesso, amigo, e aproveita o espaço pra vender seu peixe.

WESLLEY: Gente, Heroína estreia hoje. Espero muito que vocês possam acompanhar comigo a trajetória dessa menina que só queria se encontrar, mas acaba se perdendo. Prometo que estou dando o meu melhor, como sempre. Obrigado, Vitor, pelo espaço e pela emissora por confiar nesse projeto que me dá tanto orgulho.

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