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NOVELAS

MEIAS VERDADES

1 TEMPORADA


Tiago Machado
AUTOR

18. DÉCIMO OITAVO CAPÍTULO

O COMEÇO DO FIM

Jorge sentia a adrenalina correr por suas veias, o ódio corria por seu corpo funcionando como um poderoso combustível. Com uma quantia modesta ele conseguiu descobrir onde o taxista havia deixado à mulher e o menino. Ao ouvir que os dois haviam deixado o quarto ele sentiu vontade de quebrar tudo ao seu redor. Ele esteve tão perto de colocar suas mãos nela.

Tereza acabara de colocar Nicolas para dormir e estava deitada na cama ao seu lado. Jeremias andava de um lado para o outro como se algo passasse em sua mente.

— No que esta pensando? Você está inquieto. — Perguntou Tereza.

— Nós precisamos de uma definição definitiva. Eu não vou conseguir deixar você sozinha com o Nicolas sabendo que tem um louco por aí.

— Do que você está falando? Você acha que o Jorge faria alguma coisa?

— Não sei, mas eu estou disposto a descobrir.

Jeremias puxou Tereza para perto de si e apertou contra o peito.

— Nós precisamos de tranquilidade!

— Eu já tenho tranquilidade.

— Mentira Tereza, você tem tanto medo e receio quanto eu! Aquele homem com o dinheiro que tem pode nos aniquilar sem deixar pó.

— Por que nós não pegamos o dinheiro das joias e mudamos de estado. Podemos recomeçar em qualquer lugar. O Nicolas logo estará grande e eu posso trabalhar para te ajudar.

— Eu vou pensar em alguma coisa.

Rute ficou surpresa quando soube que ele viera ao seu apartamento. Ao abrir a porta para ele entrar, ela pode notar no semblante dele que algo estava errado. Jorge sentou no sofá e cruzou as pernas em posição confiante.

— Eu achei que não te veria tão cedo! Você me deu férias prolongadas.

— Você imagina quem pode ser esse homem que engravidou a Tereza? Pode ser o jardineiro?

— Não sei. O jardineiro não é ele morreu tem algum tempo.

— Morreu?  Eu preciso descobrir onde ela está e quem é o amante dela!

— Jorge eu não sei o porquê dessa fixação. Ela fez um favor em sumir da sua vida, ela está grávida de outro.

Jorge se pôs de pé e parou de frente para a Rute. Sua expressão era tranquila, mas seus olhos transmitiam uma intensidade que intimidaria o mais confiante dos homens.

— Ela só sai da minha vida quando eu permitir. Se você não for me ajudar eu consigo pessoas para me ajudar. Não tem problema.

— Eu vou fazer uns contatos. Preciso apenas de alguns dias. — Disse Rute não querendo contrariar o chefe.

— Muito bem. Volte à mansão quando tiver novidades.

Tereza acordou no meio da noite assustada. Ela olhou para o lado e constatou que Nicolas dormia tranquilo e Jeremias também. Seus olhos percorreram o pequeno quarto e sua estranha sensação a invadiu. Seu coração estava comprimido no peito e o barulho que a noite produzia era como alguém sussurrando em seu ouvido. A vida toda era fizera escolhas. Algumas boas outras nem tanto, mas a tentativa era sempre acertar. Durante muito tempo ela se escondera com medo dos agenciadores e que seu passado voltasse para cobrar sua dívida. Agora novamente ela tinha a possibilidade de recomeçar, mas o passado tão recente poderia ressurgir para cobrar o que era seu. Jeremias acordou e envolveu Tereza com o braço.

— O que te fez perder o sono?

— Eu vou resolver essa situação. Não posso colocar você em risco. Eu não te falei, mas eu resolvi fugir porque estou esperando um filho seu.

Jeremias absorveu a informação por alguns segundos e em seguida abraçou Tereza com mais força. Havia alegria em seus olhos.

— Nós resolveremos isso. Eu não tenho muito, mas o pouco que tenho vai ser para dar a você uma vida tranquila.

— O que nós vamos fazer? — perguntou Tereza.

— Eu ainda não sei, mas tudo ficará bem.

Quando o dia amanheceu Jorge abriu o portão para ir trabalhar quando Jeremias apareceu. O homem ficou parado por alguns segundos e caminhou em direção ao carro de Jorge. Jorge desceu o vidro.

— Jeremias! O que está fazendo aqui tão cedo? — Perguntou Jorge surpreso.

— Eu precisava conversar com o senhor.

— Eu já estou de saída. Se você puder voltar outra hora eu te recebo.

— O assunto é urgente. Não pode esperar tanto.

— Seja o assunto qual for eu tenho certeza que pode esperar sim. — Respondeu Jorge firmemente.

— É sobre a Tereza.

A expressão de Jorge. Ele segurou o volante com força e fez com que os nós dos dedos ficassem brancos.

— Você tem razão. O assunto é mesmo importante.

Jorge deu ré no carro e Jeremias adentrou pelos portões. Após estacionar o carro, Jorge fez sinal para Jeremias o acompanhasse para dentro. Os dois já acomodados, Jorge olhou para Jeremias e esperou que esse começasse a falar, mas diante da demora do outro homem, Jorge começou.

— O que você sabe sobre aquela mulher. A Rute pediu para você me trazer alguma informação?

— Não! Eu vim porque ela está comigo.

Jorge raciocinou com velocidade e entendeu imediatamente o que havia acontecido.

— Você então é o pai dos filhos dela. — Afirmou Jorge sentindo a raiva borbulhar dentro de si.

— Eu quero que você nos deixe em paz. Sei que o que nós fizemos não foi certo. Ela acabou fugindo e sei que nada pode reparar, mas nós queremos recomeçar.

— Eu entendo. — Jorge sorriu. — Talvez você não saiba e isso é natural, mas a história não e tão simples quanto parece. Eu quero vê-la.

— Jorge, pode ser muito simples. Deixe a Tereza em paz. Nós queremos esquecer tudo isso.

— Você come a minha mulher, faz um filho nela e vem a minha casa para pedir para esquecer? O que mais você quer? Que eu financie vocês, que eu te peça desculpas?

Jeremias se colocou de pé e sacou uma arma para Jorge. O ato não deixou Jorge intimidado. Ele permaneceu parado olhando para a arma.

— Se for atirar, atire para me matar.

Rute abriu a porta e viu a cena se desenrolar.

— Jeremias! O que você está fazendo? — Perguntou tentando manter a tranquilidade na voz.

— Rute, ele é o papai do filhinho da Tereza. Veio me pedir para deixa-los em paz.

— Não é assim que as coisas se resolvem Jeremias. Você sempre foi um homem honesto e trabalhador. Não permita que uma paixão coloque tudo a perder. — Interveio Rute.

Jorge colocou-se de pé. Jeremias acompanhou o movimento com a arma apontada para ele.

— Ela é assim, oferece o melhor e depois ferra com a sua vida. Você acha que ela vai ficar satisfeita sendo mulher de um motorista? Quando essa paixão acabar ela vai procurar outro para banca-la. As mulheres são assim. — Disse Jorge.

Rute avançou alguns passos em direção aos dois homens e Jeremias dividia a atenção entre os dois. Em alguns segundos de distração, Jorge segurou a mão de Jeremias que estava com a arma e os dois começaram a medir forças. Jeremias em manter a arma e Jorge para tirá-la. Rute a tudo observava sem condições de intervir. Os movimentos bruscos continuaram por alguns segundos até que um tiro fez cessar a cena. Os dois homens se encararam e Jorge caiu de joelhos e levou uma das mãos ao abdômen. Uma mancha de sangue começou a se formar na roupa social. Jeremias se afastou e Jorge deitou e fechou os olhos.

Rute precisava pensar rápido. Jeremias permanecia parado.

— Pegue essa arma e saia daqui. Se você quer que sua vida continue.

— Ele vai... — Tentou falar Jeremias.

Rute puxou pelo braço até que os dois estivessem fora da casa.

— Eu sempre quis que essa mulher saísse dessa casa e da vida do Jorge. Pegue essa arma e suma com ela. Eu vou fazer o possível para te encobertar. Agora vai!

Jeremias saiu correndo e Rute ligou para a emergência.



FIM DO CAPÍTULO

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