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27 | VIGÉSIMO SÉTIMO CAPÍTULO

ESTRELA CADENTE


SOBRE O CAPÍTULO

Eliete chantageia Branca

TV NOVELAS                                                                2017

 

 ESTRELA CADENTE 

CAPÍTULO 27

 

Novela de

Lucas Oliveira

 

 Direção

Vitor Abou

 

Direção Artística

Vitor Abou

 

 CENA 01. SÍTIO MERTU. SALA. INT. DIA.

Continuação imediata do capítulo anterior.

Luara adentra o local.

LUARA: Mãe, já cheguei! Andei pela cidade toda, mas/

Luara se assusta ao vê o corpo de Cândida estirado no chão, inerte.

LUARA: MÃE! (Aproximando-se/Gritando) MÃE, MÃE!

Luara se abaixa junto a Cândida lhe colocando sobre seu colo. Olha a respiração, percebe que está morta.

LUARA: (Em choque/Chorando) Mãe, pelo amor de Deus, Fala comigo! Reage, mãe. Reage! (Dando-lhe leves tapas) Acorda, mãe! (Gritando) MAAAAAAÃEE!!!

Luara desesperada, urra, grita. Abraça-se com o corpo da mãe. Chora compulsivamente. Clima melancólico. CORTA PARA/

 

CENA 02. HOSPITAL. QUARTO 27. INT. DIA.

Eros deitado na cama visivelmente sonolento. Branca e Ueslei entram no quarto seguido do médico.

BRANCA: (Aproximando-se/Chorando) Oh, meu amor.

Branca alisa os cabelos de Eros.

EROS: (Olhando-a/Leve sorriso) Meus portos seguros...

UESLEI: (Emocionado) A gente tá aqui com você, meu irmão. E vamos continuar, viu?! Não se preocupe!

BRANCA: Vai dar tudo certo, meu amor. Aliás, já deu! Só faltam mais algumas coisas pra serem feitas. Mas você tá bem, tá fora de perigo e vai sair logo daqui, tá?!

Eros balança a cabeça positivamente. Branca e Ueslei pegam em suas mãos. Eros fecha os olhos.

MÉDICO: É bom que ele descanse um pouco. A gente deu esse calmante pra que ele possa descansar e aí cuidaremos do resto. Mais tarde ele acorda.

UESLEI: Mas eu vou ficar aqui, Doutor! Não arredo o pé daqui. Vou ficar com meu irmão todo tempo, acompanhando ele, do lado dele.

MÉDICO: Como queira. Mas lá na recepção. Quando der, nós chamaremos e vocês vão ter total liberdade pra entrarem no quarto. Mas por enquanto, melhor que esperem a melhor hora lá fora.

BRANCA: Claro, claro.

UESLEI: Se não tem outro jeito...

MÉDICO: Vamos!

Branca dá leve beijo na boca de Eros e o acaricia. Afasta-se. Ueslei dá um beijo na testa do irmão e se afasta. Todos vão indo em direção à porta. Olham para trás enquanto saem. O médico fecha a porta. CORTA PARA/

 

CENA 03. EDIFÍCIO LORES. APARTAMENTO 199. SALA. INT. DIA.

Fabiana e a diarista veem de dentro. Fabiana com uma xícara de chá em mãos. Conversam.

FABIANA: Então, eu estou adorando os seus serviços. Por isso mesmo queria te pedir: Será que você pode vim amanhã também? É que, sei lá. Esses dias eu não estou muito bem, um tanto quanto desanimada... Coisas pessoais!

DIARISTA: (Aproximando-se da porta) Oh, Dona Fabiana, eu bem que viria, mas eu já tenho serviços certos nos dias que eu não venho aqui.

FABIANA: Com quem?

DIARISTA: No apartamento aqui em frente. Nos outros dias, eu trabalho aí.

FABIANA: (Leve sorriso/Pra si mesma/Baixo) Mas será possível?! Até a minha diarista é a mesma que a do Greg. Francamente...

DIARISTA: A senhora disse o quê?

FABIANA: (Recompondo-se) Não, nada! Tudo bem! Agora vá de uma vez ao supermercado, e não se esquece de nada que eu te pedi. Principalmente as caixas do chá de erva-cidreira. Tinha só um restinho aí e eu já tô tomando agora.

DIARISTA: Pode deixar, Dona Fabiana. Até mais!

A diarista sai. Fabiana fecha a porta. Bebe um pouco do chá. Caminha devagar até o sofá e se senta, pensativa. CORTA PARA/

 

CENA 04. HOSPITAL. QUARTO 27. INT. DIA.

Eros deitado. Hugo em pé ao lado da cama. Conversam.

HUGO: Cara, que azar esse acidente logo agora.

EROS: (Sonolento) Nem me fala, mestre. Em uma fração de segundos, quando eu dei por mim, já não vi mais nada.

HUGO: A vida da gente é um sopro! Eu fiquei muito preocupado contigo. Você sabe que também é um amigo pra mim, Eros. Mas não posso negar que também tô preocupado pacas com a luta de segunda. Como é que vai ser agora, cara?

EROS: Eu não sei, Hugo. Só sei que no estado que tô, eu não vou poder lutar. Ou você cancela a luta, ou coloca outro no meu lugar.

HUGO: Não tem ninguém pra botar no teu lugar assim, em cima da hora. Você sabe o tempo de preparação que a gente vinha tendo, o tanto de treino. Putz! Tudo jogado fora. Essa luta com o Neon Farter é muito importante. E a gente cancelando agora, vai ser difícil consegui marcar novamente. Seria tua grande chance, Eros.

EROS: Eu não tô ligando mais. Isso que aconteceu comigo, me fez ver que a vida realmente é rápida. E que ela pode se acabar apenas com um piscar de olhos. E são as coisas simples que realmente importam. Então são elas que eu quero valorizar daqui pra frente. Minha família, meus amigos, meu amor... (T) Acho que no fundo isso tudo aconteceu pro meu próprio bem, sabe?! Melhor mesmo eu ficar com minhas lutas esporádicas, no meio dos parceiros que eu conheço, do que eu me cegar pela ambição, focar só em subir e chegar lá e tá me faltando algo. Se eu vencesse essa luta, ela ia vim acompanhada de mais responsabilidade, de ainda mais distância de que eu amo, de preocupações, de compromissos, e eu ia tá deixando se afastar ainda mais o que realmente preenche a gente. Eu tô bem. (Leve sorriso) Eu tô muito bem!

Hugo segura firme nas mãos de Eros.

HUGO: Tamo junto! E eu vou tá aqui sempre pra qualquer decisão que você for tomar. (T) Bom, então o vou ter que cancelar mesmo a luta?

EROS: É o jeito!

HUGO: É. Não tem outra coisa a fazer, mas farei de coração partido! 

Eros e Hugo de mãos dadas. Hugo pensativo. CORTA PARA/

 

CENA 05. FAZENDA DE IZAEL. EXT. DIA.

William sobe em um pé de manga. Marisa vem caminhando lentamente.

WILLIAM: (Do alto) Ei, Marisa. Tô aqui em cima do pé de manga pegando algumas.

MARISA: (Olhando pra cima) Ah! É que eu queria conversar com você.

WILLIAM: (Jogando uma manga) Pega!

Marisa pega.

MARISA: Desde aí, William!

WILLIAM: (Chupando uma manga) Ah não, Marisa. Acabei de subir.

MARISA: (Saboreando) Humm. Essa que você jogou pra mim, tá docinha.

WILLIAM: Tá tudo madura. Vou encher o balde. (T) Sobe aqui!

MARISA: Aí em cima?

WILLIAM: É.

MARISA: Deus me livre! Não aguento subir aí não, William. Não sou mais uma adolescente.

WILLIAM: Quê nada! Venha cá que eu te ajudo, vem!

Marisa se aproxima do pé de manga.

MARISA: Isso não vai prestar...

WILLIAM: Pega na minha mão!

Marisa pega nas mãos de William que o ajuda a subir com uma certa dificuldade. Eles se posicionam em cima do pé de manga.

WILLIAM: Não disse que você conseguia?

MARISA: (Olhando pra baixo) Nem eu tô acreditando que subir aqui em cima.

WILLIAM: Quando realmente se quer algo, nada é empecilho!

MARISA: Tem um fiapo de manga no teu dente. Espera que eu te ajudo a tirar.

Marisa beija William rapidamente. Eles sorriem. Continuam chupando mangas. CORTA PARA/

 

CENA 06. RESORT. PISCINA. EXT. DIA.

Movimentação. Muitas pessoas no local. Ridinha caminhando em direção um homem (Corpo másculo, moreno) que está deitado em uma cadeira.

RIDINHA: (Tocando-o) Com licença!

HOMEM: (Observando-a/Sorridente) Pois não?

RIDINHA: Será que você poderia passar o protetor aqui nas minhas costas? É que eu sozinha, não consigo. (Provocativa) Depois eu posso passar em você também.

HOMEM: (Animado) Claro! (Sentando-se) Por favor, senta-se aqui.

Ridinha senta-se ao lado do homem e vira-se de costas para ele, colocando o cabelo para o lado.

RIDINHA: Passa bastante. Pele branquinha... Sabe como é, né?!

HOMEM: Oh se sei!

O homem começa a passar protetor em Ridinha, alisando-a suavemente. Mateus vê de longe. Ele vai rapidamente vai em direção aos dois.

MATEUS: (Irritado/Tom alto) Ridinha, eu quero falar contigo!

Ridinha e o homem se entreolham.

RIDINHA: Tem que ser agora, Mateus?

MATEUS: (Sério) É muito importante!

RIDINHA: (Levantando-se) Tudo bem! (P/Homem) Depois a gente continua, tá?! Com licença!

HOMEM: Tem toda, gata!

Ridinha e Mateus saem. O homem admirando-a. CORTA PARA/

 

CENA 07. RIO DE JANEIRO. EXT. NOITE.

Anoitece. Planos gerais de diferentes pontos turísticos. CORTA PARA/

 

CENA 08. HOSPITAL. RECEPÇÃO. INT. NOITE.

Ueslei e Hugo em pés. Branca e Diego sentados em um sofá.

HUGO: Ele vai ficar bem! Não vai ter mais luta, mas enfim... Ele também não se abateu por isso! O Eros é forte e vai sair logo daqui.

UESLEI: É. Mas enquanto ele não sair, eu também não saio. (T) Branca, você pode ir pra casa que eu durmo aqui sem problemas, tá?! Vai descansar e aí amanhã você vem.

BRANCA: Eu vou sim! Tô morta de cansada e tenho que ajeitar umas coisinhas também.

UESLEI: Vai também, Digo. Tu precisa descansar. Eu me viro aqui!

DIEGO: Tem certeza que você fica bem aí?

UESLEI: Relaxa! Pode ir sossegado! Se quiser, pode dormi lá em casa. (Joga a chave) Aproveita e trás amanhã o meu remédio que tá dentro da primeira gaveta da minha cômoda.

DIEGO: (Guardando a chave no bolso) Então beleza!

HUGO: Eu vou indo também. Qualquer coisa, Ueslei, é só me ligar!

UESLEI: Pode deixar!

Diego e Branca se levantam.

BRANCA: Então vamos! (Pega o celular da bolsa) Já vou chamar um Uber aqui.

Diego se aproxima de Ueslei.

DIEGO: (Beijando-o rapidamente) Tchau, meu dengo. (Risada).

UESLEI: HAHA! Palhaço! Sonhe comigo, hein?!

DIEGO: Deixe comigo!

UESLEI: Até mais, gente!

HUGO: Vamos, galera!

Hugo, Branca e Diego saem. Ueslei se aproxima de um bebedouro. CORTA PARA/

 

CENA 09. CASA DE BRANCA. FACHADA. EXT. NOITE

O Uber pára. Branca desce. O carro avança. Uma mulher (Alta, magra, branca e com aproximadamente 39 anos) e um menino (Branco, cabelo preto e com aproximadamente 6 anos) passam pela calçada e param ao verem Branca.

MULHER: Oi, Branca.

BRANCA: Oi, querida!

MENINO: Semana que vem é meu aniversário.

MULHER: Ele fica dizendo e convidando todo mundo pra o aniversário dele. Já mudou a lista não sei quantas vezes.

BRANCA: (Desanimada) Ah, que legal!

MULHER: É. Eu vou fazer um bolinho pra ele dia 29. Se você quiser aparecer, Branca, já está convidada. A gente é vizinha, mas quase não se fala. Você tá sumida esses dias.

BRANCA: Pois é. Minha vida tá bem corrida. Tô chegando agora do hospital. Tava lá com meu namorado que sofreu um acidente.

MULHER: Ah, eu sei quem é. Já o vi aqui com você. (Curiosa) Mas o que foi que aconteceu? Ele tá bem?

BRANCA: Tá sim. Ele está totalmente fora de perigo! (T) Bom, vou ter que entrar. (Beijando-a no rosto) Boa noite pra você, e pra esse meninão lindo aqui. (Riso).

MULHER: Precisando, é só falar!

BRANCA: Obrigada, querida!

MENINO: (Animado) E se der, aparece no meu aniversário, Tia.

BRANCA: (Riso) Pode deixar, menino lindo!

A mulher e o menino seguem. Branca abre o portão e entra. CORTA PARA/

 

CENA 10. FAZENDA DE IZAEL. CASINHA DOS EMPREGADOS. QUARTO DE WILLIAM. INT. NOITE.

Dália em pé. William sentado na cama. Conversam.

DÁLIA: Você tá maluco, William?! Onde você tá com a cabeça?

WILLIAM: (Irônico) Acho que em cima do pescoço, né?!

Dália, nervosa, balança a cabeça negativamente.

DÁLIA: (Inquieta) Você não brinque com uma coisa dessas, hein?!

WILLIAM: Tô brincando não, mãe! Tô falando muito sério e a senhora sabe como eu sou. Se a Marisa quiser, eu fujo com ela sim! Seria a melhor forma de resolver todo esse problema. E a mais prática também.

DÁLIA: Ela nunca vai topar! É Tapada, acomodada, medrosa!

WILLIAM: Pode ser que tope sim. Eu ainda vou falar com ela, vou convencê-la. Ela não tá feliz com Seu Izael, mãe. Só precisa de uma pequena gota de coragem pra ela tomar uma atitude. E eu vou passar essa coragem pra ela. Ah se vou!

DÁLIA: Eu lavo minhas mãos! Não sei o que essa mulher tem pra ter virado tua cabeça desse jeito. Mas não adianta eu te falar mais nada. Você tá completamente cego!

Dália sai do local batendo a porta de forma brusca. William, sorridente, deita-se na cama. Pensativo. CORTA PARA/

 

CENA 11. AGÊNCIA DE TURISMO SCAR. SALA DA PRESIDÊNCIA. INT. NOITE.

Eliete e a funcionária em pés. A funcionária está com seu celular em mãos.

ELIETE: Você vai fingir ser uma cliente comum, vai fazer uma encomenda pra ela e vai fazer questão de marcar um encontro pra poder receber. Entendeu, né?

FUNCIONÁRIA: Claro, Dona Eliete!

ELIETE: Então aperta aí no CHAMAR logo de uma vez, vai!

A funcionária leva o celular ao ouvido.

FUNCIONÁRIA: Alô?!

BRANCA: (Off) Quem tá falando?

FUNCIONÁRIA: Aqui é Lisandra. Eu peguei seu número no site e queria fazer uma encomenda de um quadro/

BRANCA: (Por cima/Off) Olha, eu sinto muito, mas esses dias eu não tô fazendo encomenda nenhuma não! Eu namoro o boxeador Eros Amorim, que você deve conhecer. E se conhece, deve saber também do que aconteceu com ele, do acidente. Saiu em vários sites de esportes. Então você me entende que, com ele no hospital, fica difícil pegar uma encomenda por agora, né?!

FUNCIONÁRIA: Ah, claro. Compreendo sim! Tudo bem então. Desejo melhoras!

BRANCA: (Off) Obrigada! Mais pra frente eu volto a ativa. Só não sei quando! Aí é só me ligar!

FUNCIONÁRIA: Tá certo. Muito obrigada e boa noite!

A funcionária desliga.

ELIETE: (Apreensiva) O que ela falou?

FUNCIONÁRIA: Disse que está dispensando todas as encomendas por esses dias. Parece que o namorado dela, sofreu um acidente e tá no hospital, e aí ela tá cuidando dele. Aquele tal boxeador, o Eros Amorim.

ELIETE: (Maliciosa) Gente! Isso é muito bom! Eu fui atrás do milho e já consigo o bolo pronto. Saiu melhor que encomenda!

FUNCIONÁRIA: (Confusa) Não entendi, Dona Eliete.

ELIETE: Nem precisa! Agora eu já sei exatamente o que fazer pra consegui a ajuda da Branca. (T) Pode se retirar, querida. O que você tinha pra fazer, já foi feito!

FUNCIONÁRIA: Bom, então vou indo. Até amanhã, Dona Eliete!

A funcionária sai e fecha a porta. Eliete sorri maliciosamente. CORTA PARA/

 

CENA 12. EDIFÍCIO PLARES. APARTAMENTO 121. SALA. INT. NOITE.

Ouve-se batidas na porta. Jader vem de dentro e abre.

CARLA: (Sem jeito) Boa noite!

JADER: Você é a...?

CARLA: Carla Rabello. Eu sou amiga de faculdade do Rafael. Ele está?

JADER: Ah. Está sim! Entre, por favor!

CARLA: (Entrando) Obrigada!

Jader fecha a porta. Rafael vem de dentro.

RAFAEL: (Surpreso) Carlinha?! Que estranho você aparecer aqui essa hora.  

CARLA: É que eu tive uma briga feia com meus pais e me estressei demais. Aí resolvi sair e não tava nenhum pouco a fim de voltar pra casa. Aí eu fiquei andando, caminhando, até que me lembrei de você e resolvi vim pra sua casa. Afinal, são sempre os amigos que nos acolhem nessas horas, né?!

JADER: Seus pais devem estar preocupados.

CARLA: Eu já estou acostumada a passar noite fora de casa.

RAFAEL: Você tá querendo dormi aqui hoje, né isso?

CARLA: Se não for incômodo...

RAFAEL: Você deixa, pai?

JADER: Ela ligando pros pais ou voltando amanhã mesmo, claro que sim!

Carla e Rafael sorriem.

RAFAEL: Então vem, Carla. Você toma banho e eu vou ajeitar um colchão pra você dormi.

CARLA: Eu dormir aqui mesmo no sofá, sem problema algum.

RAFAEL: De maneira nenhuma! Venha logo, vá! (Riso).

Carla acompanha Rafael e saem sorridentes do local. Jader pensativo. CORTA PARA/

 

CENA 13. RESORT. QUARTO 209. INT. NOITE.

Porta entreaberta. Mateus e Ridinha sentados na cama. Conversam.

RIDINHA: Fala de uma vez, Mateus. Não precisa ficar dando voltas. O que você quer me falar?

MATEUS: (Sem jeito) É que... Sei lá, Ridinha. Não é fácil! Na verdade é uma pergunta.

RIDINHA: Pois então faça!

MATEUS: (Respira fundo) Você aceitaria namorar comigo?

Reação de Ridinha.

RIDINHA: (Surpresa) Namorar?

MATEUS: É. (T) Desde que a gente se conheceu, desde que a gente ficou pela primeira vez, eu fui sentindo alguma coisa por você, alguma coisa foi despertando dentro de mim, Ridinha. Nunca senti essa parada antes, sabe?! Seu jeito livre, seu sorriso, seu bom senso e tantas outras coisas me encantam em você. Você é encantadora! Se você me desse uma chance, eu/

RIDINHA: (CORTA) Mateus, eu agradeço tudo isso que você falou, mas eu não me sinto pronta pra namorar, pra começar um relacionamento por agora. Não é nada com você, é comigo mesmo. Pra qualquer relação, o sentimento tem que ser reciproco, e nesse caso, não é! Eu te vejo apenas como amigo. Um amigo que eu gosto, um amigo que eu me importo, mas é só isso. Não tô aqui descartando todas as possibilidades, só tô dizendo que por agora, não!

MATEUS: (Cabisbaixo) Tudo bem...

RIDINHA: Você não ficou chateado, né?

MATEUS: Não! Na verdade eu já imaginava. Mas eu precisava falar, precisava me abrir.

RIDINHA: Foi bom. Você fez bem! (T) Percebia seus ciúmes em relação a mim.

MATEUS: Eu sei que você notava. Aliás, qualquer um notaria! (Riso) Mas eu queria falar contigo também sobre aquilo. Aquilo que aconteceu no sexo, quando a gente ficou.

RIDINHA: Esquece isso, Mateus! Eu nem tava lembrando mais dessa bobagem. Não precisa você ficar se martirizando por causa disso. É natural! O sexo tem que ser algo libertador. Onde a gente pode ser tudo! Não pode ter restrições. O bom é se jogar, se aventurar e quebrar paradigmas. Por exemplo: Às vezes eu reparo em algumas de minhas amigas e vejo como tantas se restringem, se privam disso ou daquilo, por frescura, por medo do diferente, ou sei lá o quê. Coitadas! Se elas encontrassem o prazer de verdade, não iam ficar se restringindo tanto. Porque o verdadeiro prazer está justamente na falta de restrição.

MATEUS: (Riso) E é por isso que você me encanta! Você se joga, você não se limita, você não tem medo!

RIDINHA: Claro! É lá que a gente solta os bichos da gente. E eu posso ser a maior de todas as putas, a cachorra mais obediente, enfim... Tudo que eu quiser! E o que você quiser também! E nada é feio! Feio é não respeitar o outro. Fazer o que a gente tem vontade, sentir prazer da forma que nos agrada, é apenas sermos nós mesmos. E não é feio ser nós mesmos. Feio é ficar nos negando. Então tira essa neura boba, por favor!

MATEUS: Eu sei. Você já me disse isso. Mas eu não consigo, eu não me sinto a vontade. E não me sentira bem se alguém soubesse. Você sabe como os caras são. E no meu meio, se soubessem que eu gosto do fio terra na cama, eu iria ser motivo de chacota. Então acho que ninguém precisa saber.

Maylon e Derlano adentram o local.

RIDINHA: Você pode ficar tranquilo que... (Percebe a presença dos dois) Meninos!

Mateus vira-se no ato.

MAYLON: (Debochado) Eu não acredito! Mateuzinho, quem diria!

DERLANO: Gosta de uma dedada, hein?! Bom que não vai criar caso quando for fazer exame de próstata e vê o dedão do médico.

Maylon e Derlano gargalham. Mateus, visivelmente envergonhado, se levanta e sai correndo do local. Todos se entreolham. Ridinha balança a cabeça negativamente.

RIDINHA: Meninos, por favor, não fiquem fazendo piada com o Mateus por causa disso. É a intimidade dele e ele me pediu sigilo.

DERLANO: A gente ouviu ele falando. Mas ele tá certo, né?! Pô, quem que ia achar normal o cara gostar de ficar levando dedada no sexo, tendo uma gostosona na cama? (Risada).

MAYLON: Realmente é brabo o negócio!

Derlano e Maylon riem.

RIDINHA: (Séria) Deixem de serem infantis! Eu estava dizendo justamente o contrário, que ele não precisava sentir vergonha dessa bobagem, quando vocês entram e começam a rir do menino. Coisa mais feia!

DERLANO: Quem mandou deixar a porta aberta.

RIDINHA: Não, Derlano. Vocês dois é quem são mal educados!

MAYLON: Tudo bem, Ridinha. Relaxa! O Mateus também é nosso amigo. A gente não vai ficar gozando, fazendo cachota com a cara dele e nem ficar falando nada, beleza?!

DERLANO: Mas não é só porque a gente é amigo dele, que vamos deixar de achar engraçado.

RIDINHA: Achem o que quiserem, contanto que o respeitem. (T) E por falar nisso... Ele também me pediu em namoro.

DERLANO: (Surpreso) Como é que é?! Não, não. O cara tá cada vez mais se superando. (Risada).

MAYLON: E tu aceitou, Ridinha? (Tom de deboche) Vai virar menina direita agora?

RIDINHA: Não aceitei não, Maylon. Mas pensarei sobre. (Irritada) Agora será que os dois podem me dá licença, por favor?! (Empurrando-os levemente) Saem, saem!

DERLANO: Calma aí, Ridinha. Já tamo saindo!

RIDINHA: Ótimo!

Derlano e Maylon saem em meio a altas risadas. Ridinha fecha a porta. Suspira forte. CORTA PARA/

 

CENA 14. CASA DE BRANCA. QUARTO. INT. NOITE.

Branca deitada na cama, pensativa. O celular toca. Ela vê o número e reconhece. Atende.

BRANCA: Ah, que bom você me ligar. Tava querendo mesmo falar umas boas verdades pra você depois da palhaçada que você fez.

ELIETE: (Off) Nossa, querida. Você já me reconheceu?! Prova de que fui marcante pra você, hein. (Riso).

BRANCA: Que cara de pau! Pois é. Salvei seu contato com o nome de Marisa. Mas como eu já sei que de Marisa você não tem nada,  já sei exatamente o porquê você fez tudo aquilo, então... Acho que tá na hora de nos acertamos, né?!

ELIETE: (Off) Com certeza! Você disse bem. Realmente tá na hora de acertamos mais uma parceria. É por isso mesmo que eu te liguei. Quero ter uma conversa com você. Quero que venha aqui em casa.

BRANCA: (Riso nervoso) Você não deve bater muito bem da cabeça não.

ELIETE: Se eu fosse você, bateria logo aqui em casa e amanhã mesmo! É sobre o Eros, querida. Seu namorado, né isso?!

BRANCA: (Curiosa/Apreensiva) Do que realmente você tá falando?

ELIETE: (Off) Quando você aparecer aqui amanhã pela manhã, eu te explico tudo direitinho. Anota aí meu endereço...

A ligação continua. Branca visivelmente preocupada. CORTA PARA/

 

CENA 15. EDIFÍCIO LORES. CORREDOR. INT. NOITE.

Greg abrindo a porta de seu apartamento. Fabiana também abre a porta do seu. Eles viram-se.

GREG: (Sério) Boa noite aí, Fabiana!

FABIANA: (Sem jeito) Boa noite! (T) Tá tudo bem?

GREG: Tá sim. E antes que me pergunte do Rafa: Ele deve tá bem também!

FABIANA: Espero que ele queira falar comigo logo. Eu tô angustiada. Queria tanto que/

GREG: (POR CIMA) Eu acredito que tudo vai se acertar. Agora me dê licença, Fabiana. Até mais!

FABIANA: (Desanimada) Até!

Greg entra em seu apartamento. Fabiana caminha em direção ao elevador. CORTA PARA/

 

CENA 16. EDIFÍCIO LORES. APARTAMENTO 121. QUARTO DE RAFAEL. INT. NOITE.

Carla deitada em um colchão no chão. Rafael deitado em sua cama. Conversam.

CARLA: E meus pais são um saco! Eu sei que eles podem até estar querendo o meu bem, mas estão fazendo tudo do jeito errado. Não é pegando no meu pé, não é me sufocando, não é me tratando como uma criança, que eles vão consegui que eu seja inabalável para o mundo não. E foi aí que a gente brigou, eu me revoltei e o resto você já sabe.

RAFAEL: Eu te entendo, Carla. É difícil mesmo. Mas não é batendo de frente que você vai consegui alguma coisa. Não é dessa forma que eles vão enxergar que a maneira que eles estão agindo, tá errada.

CARLA: Eu sei, Rafa. (Senta-se) Rafa... Você é um grande amigo sabia?

RAFAEL: (Olhando-a/Sorridente) Acho que sim! (Riso) E você também. Aliás, mas que isso. Você é a... Ah, deixa pra lá!

CARLA: (Curiosa) Não. Fala, Rafa! Eu... O quê?

RAFAEL: (Sem jeito) É bobagem.

CARLA: Ah, não! Já é a segunda vez que você começa a falar, e volta atrás. Confia em mim também. A gente já tem intimidade o suficiente pra você deixar de nhê nhê nhê e se sentir livre pra falar de tudo comigo.

RAFAEL: Claro! Mas é/

CARLA: (POR CIMA) Não tem mais e nem menos! Fala, Rafa! Se abre, por favor!

Carla segura na mão de Rafael. Ele sorri.

RAFAEL: Eu sempre fui seu amigo, sempre tivemos uma boa relação, sempre te achei a menina mais incrível do mundo, Carla. Mas nunca tive coragem de te dizer isso. Talvez tenha sido aí meu erro. Eu tirei algumas conclusões precipitadas, mas antes de me abrir de fato contigo. Eu via você sempre falando dos homens saradões, dando trela para os meninos sarados da faculdade e eu ali, magrinho. Não me via como um tipo que te interessasse, que te chamasse tua atenção. Aí eu tive a ideia de entrar numa academia, malhar, ficar sarado, definido...

CARLA: Espera aí: Você por acaso tá dizendo que começou a malhar por causa de mim, pra chamar minha atenção, pra me conquistar?

RAFAEL: (Desanimado) Ridículo né?! Quê vergonha!

CARLA: (Sorridente) Que bobagem, Rafa! Eu nunca fui assim. Eu tô surpresa. Mas, não! Não é vergonha nenhuma!

Carla se levanta e senta-se na cama ao lado de Rafael.

CARLA: Você só foi precipitado! Devia ter falado comigo, aberto o jogo comigo, seu bobo.

RAFAEL: E cadê coragem?! Não tinha, Carla.

CARLA: Pois eu também não! E olha só no que deu: Dois tapados, amando e achando não ser reciproco. Quando na verdade, o tempo todo, a gente amava e era amado também. Eu nunca liguei pra isso de aparência, de músculo, ou sei lá o quê. Isso chama atenção, obvio. Mas o que faz alguém realmente despertar algo em mim, é o que vem de dentro, é a essência boa, e essa você tem!

RAFAEL: (Surpreso/Caindo a ficha) Então, você tá querendo me dizer que/

CARLA: (CORTA) Eu também sempre gostei de você, Rafa. E não só como amigo, mas desse mesmo que você sempre gostou de mim. E também pelo mesmo motivo que você, eu fiquei calada. (Acariciando-o) Nós fomos bobos, covardes. Mas já tá bom, né?! Acho que tá na hora de tomar uma dose de coragem, de atitude e agir, fazer. A essa altura do campeonato, pra quê perder mais tempo, né?! Por isso eu já vou fazer agora!

Carla beija Rafael que corresponde imediatamente. Beijam-se com fervor, ímpeto. Começam a se despir. CORTA PARA/

 

CENA 17. EDIFÍCIO LORES. APARTAMENTO 200. QUARTO. INT.  NOITE.

Greg e Simone deitados na cama. Conversam.

SIMONE: E aí o Dr. Mauro falou pra eu chegar um pouco mais cedo na Segunda-feira.

GREG: Bastante atencioso esse patrão, hein?!

SIMONE: (Sorridente) Ai, eu tô animadíssima!

GREG: Quando eu tava chegando, cruzei com a Fabiana aí no corredor.

O semblante de Simone muda.

GREG: Mas mal trocamos duas palavras. Parece que o Rafael ainda não a procurou.

SIMONE: Se ele ficou diferente com você, que dirá com ela, né?! (T) Não me agrada nenhum pouco essa mulher morando aqui, no mesmo edifício, no mesmo andar, em frente da gente. Eu sei que a história de vocês ficou no passado, mas você teve um filho com ela, poxa. É uma situação no mínimo incômoda. Mas fazer o quê?!

GREG: Deixa ela pra lá. Venha aqui dá um beijo nesse seu negão, venha!

Simone sorri e vai pra cima de Greg. Começam a se beijar. CORTA PARA/

 

CENA 18. RESORT. BANHEIRO. INT. NOITE.

Derlano e Maylon urinam em diferentes mictórios. Conversam.

DERLANO: Muito comédia esse Mateus! O cara pedir a putiane da Ridinha em namoro, eu até entendo. Ele tem uma carinha de lerdo, bocó. Aí quando ver uma mulher que faz de tudo, o cara, que não teve muitas experiências antes, fica alucinado e gama. Mas daí gostar de levar dedada na bunda?! (Risada).

MAYLON: Muita viadagem! O Mateus ainda tem que agradecer que foi a gente que ouviu, porque somos parceiros dele. Se fossem outros, não iam ficar quietos não. Já iam falando pra geral, jogando no grupo de Whats...

DERLANO: Pois é. Eu vou até dá um toque no cara amanhã. Coitado! Deve tá cego, apaixonado. Aí não consegue vê quem a Ridinha é de verdade. Porque se conseguisse, não a pediria em namoro.

MAYLON: Não mesmo!

Derlano e Maylon riem. Terminam de urinar. Derlano sai imediatamente do local. Maylon se aproxima da pia e começa a lavar as mãos. CORTA PARA/

 

CENA 19. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

Amanhece. PANORAMA da grande metrópole. CORTA PARA/

 

CENA 20. EDIFÍCIO DALGA. APARTAMENTO 155. SALA. INT. DIA.

Eliete abre a porta. Branca adentra rapidamente.

BRANCA: Que bom ver você de novo! Mas agora sendo você mesma, sem se passar por outra pessoa.

Eliete fecha a porta. Aproxima-se de Branca.

ELIETE: (Debochada) Em primeiro lugar: Bom dia, Branca!

BRANCA: (Leve Sorriso) E em segundo lugar: Pela palhaçada que você fez comigo pra descobrir coisas da Fabiana...

Branca ergue a mão contra Eliete, que a intercepta no ato e a segura pelo braço.

ELIETE: (Firme) Nem pense nisso, minha querida! Acho melhor você falar pouco e só me escutar! Então presta bem atenção: Eu já sei que seu namoradinho boxeador, tá internado no hospital. E em hospitais, mesmo que a pessoa já esteja fora de perigo, ninguém nunca sabe o que pode acontecer. As enfermeiras podem confundir medicações, vírus hospitalares horríveis podem contaminar pacientes, pessoas estranhas podem aparecer...

Eliete solta o braço de Branca de forma brusca.

BRANCA: (Nervosa) Você tá querendo dizer que... Não! Você não teria coragem de fazer uma coisa dessas.

ELIETE: Realmente, possa ser que eu não tenha. Mas se eu não tiver coragem de fazer com minhas próprias mãos, posso pagar alguém que faça por mim na maior facilidade. Acredito que você não queria pagar pra ver, né?! Então você vai fazer TUDO o que eu mandar! Caso contrário, adeus Eros Amorim!

Branca apreensiva, trêmula. Eliete sorri maliciosamente. Encaram-se. Clima tenso.

FIM DO CAPÍTULO!