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26 | VIGÉSIMO SEXTO CAPÍTULO

ESTRELA CADENTE


SOBRE O CAPÍTULO

Eros sofre um grave acidente.

 

TV NOVELAS                                                                2017

 

ESTRELA CADENTE 

CAPÍTULO 26

 

Novela de

Lucas Oliveira

 

 Direção

Vitor Abou

 

Direção Artística

Vitor Abou

 

 

CENA 01. AGÊNCIA DE TURISMO SCAR. SALA DA PRESIDÊNCIA. INT. DIA.

Continuação imediata do capítulo anterior.

Jader em pé, em frente à mesa de Eliete. Ela sentada.

ELIETE: Você tá querendo o quê?!

JADER: (Firme) Isso mesmo que você ouviu. Demissão!

ELIETE: (Nervosa/Levanta-se) Você não pode fazer isso, Jader. Nossa união, nossa parceira aqui é de anos.

JADER: Depois de tudo que você fez, Eliete, eu não vou consegui ficar olhando pra essa tua cara.

ELIETE: Eu não fiz nada daquilo. Eu não sou a bruxa dessa história. A Fabiana tá querendo tirar o dela dá reta, tá querendo deixar de ser a única sacana disso tudo, Jader. Acredita em mim. Eu jamais faria isso!

JADER: (Com asco) Que cara de pau, Eliete. Que patético!

ELIETE: Eu soube de tudo sim pela Branca, mas não chantageei ninguém, não arquitetei nada disso.

Eliete aproxima-se de Jader.

ELIETE: (Implorando/Desesperada) Por favor, Jader. Acredita em mim e não faz isso. Não faz!

JADER: (Segurando-a pelo braço/Firme) Sua palavra, pra mim, já não tem mais valor algum! Valor nenhum, Eliete!

Jader solta Eliete.

ELIETE: Você ainda vai voltar atrás.

JADER: Não vou não. Nunca!

ELIETE: Vai. E sabe por quê?! Pra você ver que minha palavra tem sim muito valor. E é por ela ter grande valor, que isso vai sim acontecer e você vai voltar atrás! Espera pra vê. Só espera!

Jader e Eliete se encarando. Os dois firmes. Clima tenso.

JADER: Você tem toda razão. Isso é o que veremos!

Jader, irritado, sai batendo a porta de forma brusca. Eliete, descontrolada, começa a quebrar objetos de decoração de sua sala. Chora, urra. CORTA PARA/

 

CENA 02. FAZENDA DE IZAEL. SEDE. COZINHA. INT. DIA.

Izael, pensativo à mesa, almoça. Marisa entra no local com uma jarra na mão.

MARISA: Fui buscar mais leite. O William encheu a jarra.

Marisa vai em direção a pia. Izael mal nota a presença dela. Marisa enche um copo com o leite e bebe.

MARISA: (Degustando) Muito bom! Amo leite assim, fresquinho, tirado da hora. Delicioso! Umas das poucas vantagens que se tem em morar no campo.

Marisa percebe Izael.

MARISA: (Tom alto) Oh izael!!

IZAEL: (Recompondo-se/Notando-a) Hã?

MARISA: Cê não tá ouvindo nada do que eu tô falando, né?! Izael, você tá cada vez mais esquisito. Olha, sinceramente, eu não sei mais o que fazer.

IZAEL: (Perdido) Marisa...

MARISA: Fala.

Izael dá um soco na mesa, levanta-se e sai do local. Marisa balança a cabeça negativamente.

MARISA: Tá acontecendo alguma coisa. Disso, eu não tenho mais dúvidas! Mas o quê, meu Deus?! O quê?

Marisa preocupada. CORTA PARA/

 

CENA 03. CARRO EM ESTRADA. INT. DIA.

Eros dirigindo seu carro em velocidade adequada. Visivelmente animado, cantarola. Vira em uma curva. Um cachorro atravessa a rua. Eros assusta-se, tenta desviar, perde o controle e o carro capota várias vezes. Eros ferido, inconsciente. CORTA PARA/

 

CENA 04. EDIFÍCIO LORES. APARTAMENTO 199. SALA. INT. DIA.

Branca e Fabiana, em pé, abraçam-se.

BRANCA: E qualquer coisa você sabe que pode contar comigo, né?

FABIANA: Eu sei sim, Branca. Obrigada mesmo. Por tudo!

O abraço termina.

BRANCA: E não se esquece de tomar o chá que eu te falei. Erva-cidreira é ótimo pra relaxar!

FABIANA: Eu vou tomar sim! Eu amo chá de camomila, melissa e erva-doce. Tomo todos!

BRANCA: São todos ótimos mesmo! E o melhor: Naturais! Melhor do que ficar se entupindo de medicamentos.

FABIANA: Pois é! Ah, tem o chá de boldo também que eu tomo de vez em quando.

BRANCA: Ah, mas esse daí já é pra outra coisa!

Elas riem. O celular de Branca toca. Ela tira da bolsa e atende.

BRANCA: Alô! ... (Semblante muda) Como é que é?! ... Mas como assim?! Como isso pôde ter acontecido? ... (Aflita) Tá, tá. Eu tô indo pra aí agora!

Branca desliga o celular o guardando rapidamente.

FABIANA: (Curiosa) O que aconteceu? Você ficou pálida que nem papel, Branca.

BRANCA: (Desesperada) O Eros, Fabiana. Ele sofreu um acidente! Parece que o carro capotou várias vezes, meu Deus!

FABIANA: (Assustada) Nossa!

BRANCA: Aí parece que os policiais viram o meu contato no celular dele e me ligaram para avisar. Ele foi levado pro hospital e eu vou direto pra lá!

Branca caminha rapidamente em direção à porta. Fabiana a acompanha.

FABIANA: Vai, minha amiga! Eu vou ficar rezando aqui. Vai tá tudo certo!

Branca sai,

FABIANA: (Gritando) Depois me liga pra me dá noticiais!

BRANCA: (Off) Tá bom!

Fabiana fecha a porta. Mostra-se visivelmente preocupada. CORTA PARA/

 

CENA 05. RESORT. RESTAURANTE. INT. DIA.

Maylon, Derlano, Mateus e Ridinha sentados à mesa. Garçons recolhem os pratos do almoço e saem. Eles conversam.

RIDINHA: E aí o MC do baile funk me chamou no palco, eu só de saia, aí ele levantava ela e me pegava por trás e fazia aquela dança representando a socada, sabe?!

Todos riem, exceto Mateus.

MAYLON: Tô ligado qual é! Que safada! (Riso).

RIDINHA: Nossa é bom demais! E quando eu subir o morro?! Meu Deus! Um bonde malvado todinho pra eu servi-los, aqueles homens armados, aquela cara de mau, aquela sensação de perigo, adrenalina, acompanhada do tesão...Putz! Ai, como eu amo tudo isso!

DERLANO: (Curioso) O bonde te...?

RIDINHA: Sim!Me dando uns tapas, colocando o cabo do revolver na minha boca, me fazendo chupar e eu olhando pra eles enquanto iam/

MAYLON: (CORTA/Animado) ETA! Agora o papo tá ficando quente!

MATEUS: (Incomodado) Também não precisa detalhar tudo, Ridinha.

RIDINHA: E uma vez que fiz uma loucura no aeroporto?! Foi só olhares. Ele pra mim, eu pra ele. E aí eu espero o cara vim tomar atitude e esse já veio e eu nem soube o nome. Ele me pegou, me puxou, me levou pra um canto reservado, me chamando de gostosa...

MATEUS: E tu gosta?

RIDINHA: De ser chamada de gostosa? Claro! Ofensa pra mim é ser chamada de baranga! Enquanto eu for chamada de gostosa, quer dizer que tá tudo em cima.

DERLANO: (Provocador) Ah! (P/Ridinha) Gostosa!

Ridinha solta beijinhos provocantes para Derlano. Mateus desvia o olhar.

RIDINHA: Bom, já que estamos nesse papo hot, vocês meninos, me sigam: Porque vocês gostam tanto, se excitam tanto em vê duas mulheres juntas transando, ou fazer sexo com duas de vez? Tenho essa curiosidade em saber.

DERLANO: Ah, porque é bom demais! Só em ver duas gatinhas juntinhas ali...

MAYLON: Pô, Derlano. Nem fala, nem fala. Só de imaginar aqui...Caraca!

Os dois vibram, riem.

MATEUS: (Curioso) E você já fez isso com outra garota, Ridinha?

RIDINHA: Claro que já!

Reação dos três meninos.

RIDINHA: Eu, uma colega minha que é bixessual, e um cara aí. Ele pediu e não achei nada demais atender ao pedido dele.

DERLANO: Pô, mas você adora deixar um homem doido, hein.

RIDINHA: (Provocativa) A-MO!

MAYLON: Na moral, esses papos provoca uma reação incontrolável no homem. E vocês sabem bem qual. Não posso nem levantar pra ir pro quarto porque vai ser constrangedor. Então vamos parar com esse papo? (Riso).

RIDINHA: Eu já não tô falando mais nada.

DERLANO: Pô, eu entendo meu o brother aqui. Não tamos em casa. Porque em casa, vocês sabem, era só bater aquela vontade, ir pro quarto, entrar num site pornô, e ali escondido descasar a banana. (Risada).

MAYLON: (Rindo) Era assim mesmo! E quando a mãe flagrava?! Putz!

DERLANO: A minha nunca flagrou!

MAYLON: A minha já!

DERLANO: Eita! Quê situação, hein, amigo?!

Todos riem.

RIDINHA: (Provocativa) Fala aí meninos: Qual o tipo de mulheres que atraem vocês? Tô louca pra saber!

MATEUS: (Inquieto) Oh galera, é melhor a gente subir pros quartos ou ir pra piscina.

RIDINHA: Ah não, Mateus! Tá tão bom a nossa descontração aqui.

Mateus dá um sorriso forçado.

MAYLON: Cara, eu curto mulheres altas, baixas, mais cheias, magras, loiras, morenas, ruivas. Só não me atraio por negras. Olho assim e num sinto nada, nenhum tesão.

Reação de todos.

MATEUS: Como assim? Você não fica com mulheres negras?

MAYLON: É o único tipo de mulher que não me atrai!

MATEUS: (Riso nervoso) Em pleno 2017... Quê racismo!

RIDINHA: Ih...

DERLANO: Pô, vai com calma aí, Mateus!

MAYLON: Porque racista? É meu gosto apenas.

MATEUS: Gosto bastante preconceituoso. Não se atrair por uma mulher só porque é negra?! Fracamente!

MAYLON: Tá e por acaso eu tenho culpa de não me sentir atraído por elas?! Cara, esses negócios de atração, tesão, a gente não contra não, velho. Apenas sente ou não sente! É uma coisa que vem! Os gays, por exemplo: Eles não sentem tesão numa mulher, olham e não se atraem. Não escolheram isso. E aí? Eles odeiam as mulheres porque não se atraem sexualmente por elas? Eles têm preconceito contra elas porque não gosta da fruta? Não! Eles têm amigas, eles veneram umas, eles admiram outras, eles respeitam! Então pronto! Não é só porque eu não me atraio, não sinto tesão em mulheres negras, que eu sou racista, que eu não suporto os negros. Nada a ver isso aí!

DERLANO: É verdade! Ele não sente atração por negras. É uma coisa que não desperta nele. E aí? Ele não pode dizer isso?

MATEUS: Pode! Mas é que eu pensei que/

RIDINHA: (POR CIMA) Oh gente, vamos mudar de assunto? Melhor deixar isso pra lá! Fetiches, atrações, cada um tem os seus de forma diferenciada, até mesmo os mais exóticos. E isso tudo não tem limite! Só não pode ser do tipo que atinja inocentes, como no caso de pedófilos, estupradores de pessoas e animais, enfim... Aí já é doença!

MAYLON: Exatamente!

RIDINHA: A gente tá tendo aqui uma troca. Troca de ideias, troca de visões diferentes, de desejos diferentes e tudo na descontração. (P/Mateus) Por isso que é bom, Mateuzinho, terminar de ouvir antes, perguntar mais detalhes antes de partir pra o extremo tachando rótulos em alguém com apenas uma frase jogada.

MATEUS: (Irritado) Tá, Ridinha. Beleza! Valeu aí pela dica! (Levantando-se) Vou subir. Fique aí com eles, que são mais interessantes, né?! A amizade colorida de vocês deve te incendiar bem mais!

Mateus sai do local em passos acelerados. Maylon, Derlano e Ridinha e entreolham. CORTA PARA/

 

CENA 06. BISTRÔ OLIDER. INT. DIA.

Ambiente calmo. Poucas mesas ocupadas. Ueslei e Diego adentram o local de mãos dadas. Algumas pessoas observam.

UESLEI: O café daqui é ótimo, você vai vê!

Ueslei e Diego aproximam-se do balcão.

UESLEI: (P/Balconista) Boa tarde! Me vê dois cafés aí por favor.

DIEGO: O meu com meia colher de açúcar!

BALCONISTA: É pra já!

Diego e Ueslei vão até uma mesa, sentam-se e sorriem um para o outro. Duas mulheres (Brancas, roupas fechadas, e com aparentemente uns 55 anos) observam. Umas delas com um olhar desaprovador.

RELIGIOSA 1: (Tom alto) E você ver que é uma coisa tão satânica, que eles fazem a sacanagem entre si e conseguem se satisfazer, sentir prazer. A gente ver que é algo diabólico.

Ueslei e Diego escutando, prestam atenção.

RELIGIOSA 1: ...Porque Deus fez o homem pra mulher, tudo se encaixando. Eu imagino o desgosto de uma mãe com uma coisa dessas. Eu compreendo e teria um desgosto profundo se tivesse um filho viado. Deus é mais!

RELIGIOSA 2: É verdade, irmã! Esse mundo tá perdido!

DIEGO: (Irritado) O quê que essa mulher tá falando? O que ela sabe de nós pra ficar falando uma porra dessas, Ueslei?

UESLEI: (Brando) E isso porque dizem ser da religião que prega o amor. Mas não se esquenta com isso não, Diego. A falta de informação gera a ignorância! Elas não tavam falando da gente. Só tavam dando a opinião ignorante delas.

DIEGO: (Nervoso) Depois que a gente entrou! Falando alto, olhando pra cá parecendo que tá com asco. Qual é?! (Levantando-se) Eu vou lá!

Ueslei também se levanta e intercepta Diego o segurando pelo baixo.

UESLEI: Ei, calma. Deixa pra lá. Não vale a pena!

Diego respira fundo sentando-se novamente.

UESLEI: Isso é só o começo! Você sabia que ia ser assim. E tem situações ainda piores que casais passam. Tem muitos por aí que são atacados, espancados e até mortos!

DIEGO: Ah, mas isso num acontecerá com a gente não. Pode ficar sossegado! Diegão aqui sabe lutar, rapaz. Você sabe que meu passado num é graça. Já me sair de cada perrengue do caralho!  Ah de quem vier tentar mexer com você que eu meto o cacete!

Eles riem.

DIEGO: É, vou logo dando a ideia e falando: ‘’Qual é? Qual foi?’’ (T) Num vou deixar nada acontecer contigo não. Qualquer parada, nós se protege. Tamo junto sempre e você sabe disso, né não?!

UESLEI: Lógico!

DIEGO: Então pronto!

Eles riem. As religiosas continuam a observar. O garçom trás o pedido os servindo. Ueslei admirando Diego com o olhar brilhante, sorrindo. CORTA PARA/

 

CENA 07. EDIFÍCIO LORES. APARTAMENTO 200. QUARTO. INT. DIA.

Simone, deitada na cama, focada na leitura dos papéis. O celular toca. Simone pega e atende.

SIMONE: Dr. Mauro?

MAURO: (Off) Alô, Simone. Tudo bem?

SIMONE: Tudo. (Riso) Nossa, o senhor ligando pra mim assim. Eu nem acreditei quando vi.

MAURO: (Off) Quê isso, Simone. Eu gosto de ter uma relação direta com todos os meus funcionários. É bom que já fique sabendo disso. (T) Bom, eu liguei pra avisar que, se possível na segunda, você chegue mais cedo! É que na segunda é aniversário de uma pessoa muito especial pra mim e eu quero fazer uma surpresa, mas pra isso eu precisarei de mais tempo livre, ou seja: não ficarei no escritório o dia todo! Aí como será seu primeiro dia, você vindo mais cedo, eu te passarei umas últimas instruções antes, te apresentarei a equipe...

SIMONE: Ah, tudo bem, Dr. Mauro. Sem problema algum! Segunda-feira, mas cedo, estarei aí!

MAURO: (Off) Ótimo! Abraços, Simone! Boa tarde!

SIMONE: Pra você também!

Simone desliga o celular. Continua a leitura. CORTA PARA/

 

CENA 08. CARRO EM ESTRADA. INT. DIA.

Ueslei dirigindo. Diego ao lado no banco passageiro. Conversam.

UESLEI: Posso te falar uma coisa?

DIEGO: Ué, claro que pode!

UESLEI: Sei lá, é que eu posso ficar meloso demais...

DIEGO: Comigo você tem que se sentir livre pra contar, pra dizer, pra se abrir, seja o que for! Ande! Vá dizendo logo aí e deixe de onda! (Risada).

UESLEI: É que depois que você apareceu na minha vida, depois que começamos a namorar, o que me faltava foi suprido. Você me completa, Digo! Você é o amigo, o amor, o cuidador, tudo em um só! Tudo que eu sentia falta, tudo que eu sentia vazio, você e a nossa relação preenche. E ela me deu a oportunidade de ser tudo isso também, de devolver tudo isso que eu também sempre senti vontade de oferecer. E mesmo tendo raiva de tudo que Eros fez, se ele não tivesse feito, você não teria entrando na minha vida. E você ter entrado na minha vida foi a melhor coisa que me aconteceu!(T) É isso! Sentir vontade de falar e falei. (Riso).

DIEGO: (Admirando-o) Putz! Assim você faz essa capa dura aqui desabar todinha, rapá! (Riso) Cara, se tu num tivesse dirigindo, mas tu ia ganhar uma cheirada daquelas no cangote agora!

Diego faz rápidas cócegas em Ueslei. Eles riem. Beijam-se rapidamente. O celular de Ueslei toca.

UESLEI: Pega aqui no meu bolso e atende aí, amor!

Diego pega o celular e atende.

DIEGO: Alô?! ... Fala, Branca! Aqui é o Diego! ... (Mostra-se assustado) O quê?! (P/Ueslei) Ueslei, para o carro imediatamente!

Ueslei freia bruscamente.

UESLEI: (Assustado/Curioso) O quê foi, Diego? O que aconteceu?

DIEGO: (Desliga o celular/Sem jeito) É... Respira fundo.

UESLEI: (Apreensivo) Fala!

DIEGO: O Eros. A Branca acabou de ligar. Disse que tá indo pro hospital porque o teu irmão, Ueslei... Ele sofreu um grave acidente de carro!

Ueslei em choque, paralisado. Clima tenso. CORTA PARA/

 

CENA 09. FACULDADE SABER BEM. PÁTIO. INT. DIA.

Rafael e Carla conversam enquanto caminham.

CARLA: E você vai continuar na academia ou não?

RAFAEL: Eu não sei. Não tô mais com aquela animação do começo.

CARLA: Mas você e o Greg não já conversaram?! Não faz sentido! Tá certo que o clima vai ficar, no começo, diferente. Mas esse clima vai surgir do mesmo jeito quando vocês se verem, sendo na academia ou não! É normal até vocês se readaptarem.

RAFAEL: Mas não é isso.

CARLA: É o que então?

Rafael pára.

RAFAEL: (Olhando-a/Sem jeito) É que, meu principal objetivo quando resolvi começar a treinar na academia foi... Ah, sei lá. Melhor deixar pra lá. Só acho que não faz sentindo mais, sabe?! Tô me forçando em uma coisa ilusória que eu acho que possa conseguir, mas que não tenho a menor certeza.

CARLA: Poxa, Rafa. Fala! Você sabe que aqui você tem uma amiga.

RAFAEL: Sim, eu sei sim. E eu agradeço todo apoio, toda parceria de sempre, Carla. Mas melhor não! (T) E agora vamo embora porque por hoje chega!

Eles voltam a caminhar em direção a saída. CORTA PARA/

 

CENA 10. HOSPITAL. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Branca e Hugo sentados. Ueslei adentra o local seguido por Diego. Eles veem Branca e vão em sua direção.

UESLEI: Branca!

BRANCA: (Emocionada/Levantando-se) Oh, Ueslei...

UESLEI: (Abraçando-a/Aflito) Cadê o Eros, Branca? Cadê meu irmão? Cadê?

BRANCA: Calma, Ueslei! Calma!

O abraço termina.

BRANCA: Eu cheguei neste instante e o Hugo também. O que eu sei é exatamente a mesma coisa que disse pro Diego no celular. Ainda não vieram dá noticias. Eu tô agoniada aqui!

HUGO: Olha o médico vindo aí!

O médico vem de dentro aproximando-se deles.

MÉDICO: É vocês que são parentes do paciente Eros Amorim?

BRANCA: Sim, eu sou a namorada dele. (Apontando para Ueslei) Esse é o irmão dele, e os outros, amigos.

UESLEI: (Agoniado/Apreensivo) Mas e aí, Doutor? Cadê o Eros? Como é que tá meu irmão? Fala|!

MÉDICA: Calma, meu rapaz! O Eros está totalmente fora de perigo, não corre risco de vida. Mas ele teve uma fratura na perna direita e alguns cortes no rosto.

HUGO: Quebrou a perna?

MÉDICO: Sim!

Reação de todos.

MÉDICO: A situação é estável, mas requer cuidados e repouso por algumas semanas. E também ainda temos que fazer alguns exames, refazer alguns outros, e cuidar ainda de pequenas coisas.

HUGO: (Preocupado) Caraca!

Ueslei abraça Diego.

BRANCA: E será que dá pra eu vê-lo?

MÉDICO: Ele está descansando no momento. Mas depois poderão vê-lo sim, mas um de cada vez!

Ueslei abraçado com Diego. Branca tristonha. Hugo visivelmente preocupado e cabisbaixo. Clima melancólico. CORTA PARA/

 

CENA 11. ACADEMIA DE MALHAÇÃO. INT. DIA.

Academia cheia. Muita gente malhando. Greg e um funcionário conversam ao canto.

GREG: Caraca! Mas e aí?

FUNCIONÁRIO: Eu não sei. Mas pela mensagem que o Ueslei me mandou agora, o Eros tá fora de perigo. Depois ele deve informar melhor.

GREG: Ainda bem. Vou ficar na torcida pra que ele se recupere rápido.

FUNCIONÁRIO: O seu predileto não apareceu hoje, né?

GREG: O Rafa?

FUNCIONÁRIO: Sim!

GREG: (Sério) Normal! Ele não tem que vim todo dia. Tem a faculdade dele, as coisas dele... (T) Acho melhor voltarmos para o serviço que a gente ganha mais!

Greg se afasta. Funcionário o observa. CORTA PARA/

 

CENA 12. EDIFÍCIO PLARES. APARTAMENTO 121. SALA. INT. DIA.

Jader sentado no sofá. Ouve-se barulho da porta se abrindo. Rafael adentra o local.

RAFAEL: E aí pai!

JADER: (Tristonho) E ai meu filho! Demorou hoje na faculdade, hein?!

RAFAEL: (Sentando-se) É. Fiquei conversando com a turma e terminando um trabalho. (T) Mas e aí, como foi lá na agência?

JADER: Eu pedi demissão! A Eliete se irritou, tentou me convencer do contrário, mas não adianta. Eu não consigo mais enxergar verdade nos olhos daquela mulher.

RAFAEL: Já era de se imaginar. Mas relaxa, pai! Você vai abrir aí seu tal negócio, e vai se sair muito bem. Eu sei por que, talento em ti, é o que não falta!

JADER: (Sorrindo) Obrigado pela força, meu filho. (T) Olha, sei que você não vai gostar, mas Rafa, tá na hora de você ir falar com sua mãe. Apesar de tudo, vocês são mãe e filho e devem se acertar.

RAFAEL: (Resistente) Não pai, eu não quero. Só de pensar nas coisas que ela fez, no nível de mentira que chegou...

JADER: Meu filho, nessa história toda, todo mundo saio ferido. Doeu em mim, em você, no tal Greg e na sua mãe também. Todos sofreram! Mas os laços, os laços da nossa família continuam aqui. Eles não se partem. Ela ainda é a sua mãe, ela ainda é a que te colocou no mundo, que cuidou de você. Um tempo pra você, seu tempo consigo mesmo, tudo isso você já teve. Então eu acho que ao menos uma conversa pra acertar as coisas, você deveria ter com ela. Aposto que ela também deve tá ansiando por isso.

RAFAEL: Eu sei. Eu vou pensar! (Levanta-se) Bom, agora eu vou tomar um banho e tirar um cochilo. Tô cansadão!

JADER: (Riso) Va lá!

Rafael sai do local.  Jader continua sentado, pensativo. CORTA PARA/

 

CENA 13. AGÊNCIA DE TURISMO SACAR. SALA DA PRESIDÊNCIA. INT. DIA.

Eliete sentada em sua cadeira giratória. Mostra-se inquieta.

ELIETE: (Pra si mesma) Eu não posso deixar o Jader ficar com raiva de mim. E eu acho que eu já sei quem poderá ser útil pra limpar minha barra. E ela vai ter que me ajudar. Não sei como vou a convencer, mas alguma coisa a de surgir. Entregar os pontos, eu não vou mesmo!

Eliete sorrir maliciosamente. Pensativa. CORTA PARA/

 

CENA 14. FAZENDA DE IZAEL. CURRAL. INT. DIA.

Marisa e William abraçados.

WILLIAM: Tô sendo forte, persistindo na gente, porque é uma parada, é um sentimento que eu acredito, Marisa. Mas tá difícil. Tá difícil manter essa situação. Já tá chato já!

MARISA: Eu sei, eu sei. Mas ainda não é o momento. Ainda mais agora que o Izael tá todo esquisito, sempre irritado. Deve tá acontecendo alguma coisa. Não sei se no trabalho, não sei se alguma confusão com alguém lá da cidade...

WILLIAM: Por você a gente fica nessa pra sempre, né?! Você continua acomodada, Marisa. Gosta dessa posição, tá muito bem nela. Tem medo. O medo te paralisa. Só que nesse caso, tá me paralisando também. Mas abre o olho que eu não sou homem de ficar muito tempo parado não.

MARISA: O que você tá querendo dizer com isso?

WILLIAM: (Afastando-se) Tô querendo dizer que o cerco tá se fechando, Marisa! E eu não vou ficar correndo pra me esconder que nem gato com medo de chuva não. Eu encaro, vou de frente!

MARISA: Você tá maluco?! Se eu não parei de me encontrar com você, se eu optei por continuar me arriscando vindo te vê aqui, me comportando como uma adolescente, é porque eu acredito na gente.

WILLIAM: Desse jeito?

MARISA: Não tem outro!

WILLIAM: Tem. Você sabe muito bem que tem!

MARISA: Enfrentar o Izael?

WILLIAM: Também! Eu não teria problema algum em enfrenta-lo, dá a real. Você sabe que o medo não me move! Mas tem outra coisa bem mais simples que se você tivesse coragem, poderíamos fazer.

MARISA: (Riso nervoso) Você só pode tá maluco, William.

WILLIAM: (Alto tom) Não, Marisa. Eu tô de saco cheio! Só isso! SACO CHEIO! (Respira fundo) Ou a gente resolve isso de uma vez, ou a gente acaba em definitivo!

MARISA: (Abraçando-o) Calma, William! A gente vai resolver. A gente vai resolver, tá?!

Marisa preocupada. Continuam abraçados. CORTA PARA/

 

CENA 15. AGÊNCIA DE TURISMO SCAR. SALA DA PRESIDÊNCIA. INT. DIA.

Eliete sentada. Funcionária em pé em frente à mesa.

ELIETE: Eu chamei você aqui porque eu tenho total apreço e confiança em você, no seu trabalho, na sua maneira de se comportar. Vejo que você é uma mulher que gosta de conquistas. E vejo que você também ainda tem muita coisa que deseja conquistar. Eu sou muito observadora!

FUNCIONÁRIA: (Séria) Sim, Dona Eliete. O intuito é sempre evoluir, subir sempre o degrau!

ELIETE: Mesmo que pra isso você tenha que fazer coisas não tão corretas?

FUNCIONÁRIA: (Confusa) Como assim?

ELIETE: Você sabe muito bem do que eu tô falando. Você conversa com suas colegas de trabalho aqui, tem suas amizades e isso é natural. E eu além de observadora, tenho meus informantes aqui dentro. Ou seja: Não foi atoa que te chamei pra me ajudar, pra saber sobre mim um pouco mais do que é suficiente que uma empregada saiba da patroa. Então me responda: Qual foi a coisa mais ruim, mais incorreta que você já fez na vida pra se dar bem? Mas seja clara, sem rodeios!

FUNCIONÁRIA: (Firme) Bem... Teve uma vez, tem tempo, que eu deixei minha irmã ser presa por causa de um roubo que eu cometi! Na verdade eu fiquei com medo, não queria ir pra cadeia. Mas todo mundo tava pensando que tinha sido ela, inclusive a polícia. E ela acabou sendo presa injustamente. E eu não tive coragem de me entregar. Não foi nada muito sério. Ela passou apenas alguns meses em cana. Mas naquele momento eu não podia abrir mão de minha liberdade, entende?! Tava acontecendo muitas coisas comigo e a minha lei sempre foi: Primeiro eu, segundo eu e terceiro eu!

ELIETE: Entendi! Era tudo que eu queria ouvi! Bom, você se abriu comigo e agora é minha vez de me abrir com você. Então presta atenção: Tem um homem na minha vida que eu sou completamente.../

Eliete continua falando em OFF. Funcionária atenta. CORTA PARA/

 

CENA 16. SÍTIO MERTU. SALA. INT. DIA.

Luara adentra o local.

LUARA: Mãe, já cheguei! Andei pela cidade toda, mas/

Luara assusta-se ao vê o corpo de Cândida estirado no chão.

LUARA: (Em choque/Grita) MÃE!

Luara paralisada. Cândida inerte. Clima tenso.

FIM DO CAPÍTULO!