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13. DÉCIMO TERCEIRO CAPÍTULO

ESTRELA CADENTE


SOBRE O CAPÍTULO

Diego rompe em definitivo com Almerinda.

TV NOVELAS                                                                2017

 

ESTRELA CADENTE 

CAPÍTULO 13

 

Novela de

Lucas Oliveira

 

 Direção

Rennan Lopes

Vitor Abou

 

Direção Artística

Vitor Abou

 

CENA 01. ACADEMIA DE MALHAÇÃO. INT. DIA

Continuação imediata do capítulo anterior.

Diego desce de um dos aparelhos, pega sua mochila e se aproxima do balcão.

DIEGO: É, Ueslei eu já terminei de malhar e queria saber se... Será que eu posso conversar com você agora?

UESLEI: Claro! Mas, aconteceu alguma coisa?

DIEGO: Não. É que eu acho que tem algumas coisas sobre mim que você precisa saber. Na verdade, já deveria ter sabido!

Diego e Ueslei se olham. Ueslei curioso. Diego receoso.

 UESLEI: (Curioso) Claro! Mas é alguma coisa grave?

 DIEGO: Prefiro que essa nossa conversa seja em um lugar mais reservado.

 UESLEI: Vem comigo!

 Ueslei vai em direção aos fundos da academia. Seguido por Diego. CORTA PARA/

 

 

CENA 02. RESTAURANTE CAFTA. INT. DIA

Restaurante refinado. Poucas mesas ocupadas. Branca e Fabiana conversam enquanto almoçam em uma mesa ao canto.

FABIANA: Eu não vou ser falsa com você. O que eu sinto pelo Jader é imenso, mas eu ainda penso no Greg. Lembro dele, do jeito dele, daquela coisa tão intensa que aconteceu entre a gente, aquela paixão, aquele frisson, sabe?!

BRANCA: Fabiana, tá nítido que alguma coisa você ainda sente por esse cara.

FABIANA: Mas é claro que não! Eu amo o Jader. Eu abrir mão de qualquer coisa a mais com o Greg, pelo Jader. E eu sei que se eu tivesse optado por ele, ele enjoaria e me trocaria na primeira semana de uso. E foi basicamente isso mesmo que aconteceu. Já te contei que poucas semanas depois que a gente deixou de se vê, eu fui o procurar pra contar sobre a gravidez e não o achei. Ele já tinha ido embora para o exterior com uma estrangeira.

BRANCA: Só que depois de tanto tempo, se algo ainda não existisse aí dentro, você tinha o esquecido. E mesmo ele sendo o verdadeiro pai do Rafa, ele não despertaria essa lembrança saudosa, de nostalgia, que te faz pensar nele da exata forma que você ainda pensa.

Fabiana pensativa. Toma um pouco do suco no copo.

FABIANA: Eu não sei. Eu não sei mais o que pensar! É melhor mudarmos de assunto e falarmos de você.

BRANCA: Eu não tenho muita coisa pra falar de mim. Você sabe que minha vida é bem normal e previsível.

FABIANA: E o Eros?! Você pretende se casar com ele?

BRANCA: Isso não! O Eros é o amor da minha vida. O homem que me faz suspirar, que me faz sentir bem quando tô ao lado dele, e que apesar de imperfeito, e de errar em muitas coisas, pra mim se torna perfeito! Porque eu gosto dele assim, do jeitinho que ele é! E gosto da nossa relação assim também do jeito que tá. Não tenho esse plano de casar, e acho que ele também não! Pelo o menos não por agora.

FABIANA: Ah, eu acho casamento importante. O que eu mais queria na época que tudo aquilo aconteceu, era me casar com o Jader. Ele sempre adiava. Talvez isso tenha ajudado no que eu fiz. Eu não me sentia 100% segura, sabe?! No fundo eu tinha medo do Jader nunca se casar comigo de papel passado, dele me trocar por outra, ou até mesmo pela Eliete. Só sei que quando finalmente casamos, eu respirei aliviada. Apesar de um pouco de culpa por ele tá ali alisando minha barriga, vibrando com a chegada de um filho que só eu sabia que não era dele. Não pense que foi fácil ou que eu deixei de sentir esse remoço.

BRANCA: Eu já sei de tudo isso, Fabiana. Mas comigo e com o Eros é diferente! A gente gosta do jeito que tá. Tanto eu, quanto ele, estamos satisfeitos com toda nossa relação assim. E eu sinto que somos mais que namorados. Somos cúmplices, parceiros um do outro. Eu torço por ele, ele por mim. Eu o entendo, ele me entende. Enfim, a gente se completa totalmente. Hoje eu e ele marcarmos um cineminha no Shopping. E é sempre uma maravilha, apesar da melação. (Riso) A gente se beija tanto, fica tão coladinho um no outro, que eu percebo que tem gente que começa a ter náuseas e enjoa. (Risada) Mas eu nem ligo. Quanto eu tô com ele é como se só tivesse nós dois. Não damos bola para o resto. É incrível!

FABIANA: Sinto muito lhe dizer, mas essa fase passa! No começo, eu e o Jader também éramos assim.

BRANCA: Pode ser. Mas eu não vou ficar pensando nisso. Tenho que aproveitar enquanto essa fase dura e se depender de mim a duração será longuíssima! Depois de um tempo pode até ser que esfrie todo esse extremo grude do começo, mas existe amor de verdade entre nós dois. Eu sei que existe! E o amor, como dizem e eu sei que é, dura pra sempre!

FABIANA: (Pensativa) Aí está uma verdadeira verdade...

Fabiana e Branca continuam almoçando. CORTA PARA/

 

CENA 03. ACADEMIA DE MALHAÇÃO. INT. DIA

Greg, em um canto, disca no celular.

GREG: Rafa, porque não veio hoje, cara?

RAFAEL: (Off) Oh Gêl, não deu. Acordei atrasado e ainda lembrei que tinha prova na faculdade hoje. Aí resolvi não ir.

GREG: Devia ter avisado. Fiquei preocupado, rapaz!

RAFAEL: (Off/Risada) Cara, você tá parecendo meu pai desse jeito, sabia?!

GREG: É isso que você me desperta. É bom que já vou treinando pra quando eu tiver meu filho e me tornar pai, né não?! (Riso) Mas amanhã te espero aqui.

RAFAEL: (Off) Sem falta!

Continuam a conversa por celular. Clima harmônico. CORTA PARA/

 

CENA 04. AGÊNCIA DE TURISMO SCAR. SALA DA PRESIDÊNCIA. INT. DIA

Eliete, em pé, disca o número de Branca no celular.

ELIETE: (Alterando um pouco a voz) Alô?! É a Dona Branca Lacerda, revendedora e pintora de obras de artes?

BRANCA: (Off) Sou eu mesma. Quem é?

ELIETE: Eu sou a Marisa, querida. E queria fazer uma encomenda pra você. Será que é possível? Uma encomenda importantíssima!

Eliete dá um malicioso sorriso.

BRANCA: (Off) Ok. Só é você me dizer qual, que eu entrego em mãos. Pra que dia a senhora quer?

ELIETE: Eu gostaria que fosse amanhã. Tenho uma certa urgência na encomenda. Pode ser?

BRANCA: (Off) Pode sim, Dona Marisa. Me diga então o melhor local para entrega-la. Se preferir, pode ser na sua casa.

ELIETE: Não, é que eu não moro aqui. Sou do interior. Tô aqui no Rio de Janeiro apenas para um rápido passeio. No restaurante D’lamer tá bom pra você?

BRANCA: (Off) Está bom sim! Então, me diga qual obra a senhora deseja.

A ligação continua. Elas continuam a conversa. CORTA PARA/

 

CENA 05. ACADEMIA DE MALHAÇÃO. FUNDOS. INT. DIA.

Nos fundos da academia, onde está cheio de caixas e alguns aparelhos de ginástica velhos e quebrados, alterando-se com novos, Diego e Ueslei entram. Ueslei fecha a porta.

UESLEI: Acho que aqui é melhor e mais reservado pra a gente conversar. (T) Então, o que você quer me contar Diego?

DIEGO: (Preocupado) Cara, é coisa sobre mim. Se eu sou seu amigo, é justo que você conheça o verdadeiro Diego. Preciso deixar tudo as claras sobre mim. Se depois você não me quiser mais como seu amigo, tudo bem! Só que, por favor, não me julga!

UESLEI: (Aproxima-se) Claro que não! Cara, acho que você já deve saber que eu não sou disso. Pode falar.

DIEGO: (Respira fundo) Ueslei, eu sou filho de doméstica. Minha mãe trabalhava na casa de uma empresária cheia da nota que morreu, e aí a filha assumiu tudo. Depois minha mãe morreu também. Eu sempre fui um moleque solto. Ela me levava pra casa dessa patroa porque não tinha onde me deixar. Depois que minha mãe morreu, eu tive que me virar. E pra ganhar dinheiro, sobreviver, eu acabei fazendo muita merda. E até hoje é assim que me viro.

UESLEI: Que tipo de merda, Diego?

DIEGO: Todas que você imagine! Faço todo tipo de serviço. Alguns, não mais! Mas antigamente eu dava alguns pequenos golpes em pessoas, participava de um esquema de tráfico de drogas também. Mas consegui me sair disso. Era adolescente, e tava perdido. Levo o peso de uma morte nas costas também, cara. E posso te garantir que esse peso não é nada bom!

UESLEI: (Surpreso) Espera aí... Morte nas costas?! Você tá querendo me dizer que também já matou alguém? É isso?

DIEGO: Foi em legitima defesa! Eu sei que a culpa de ter tirado a vida do cara continua sendo minha, mas foi pra me defender! Na época eu estava encrencado, devendo aos caras que me passava as drogas pra me revender. Daí começou as ameaças, e eu vi que minha cabeça tava presa, que eles iam me matar. Realmente era isso que ia acontecer se eu não me defendesse. Um dos caras veio com uma faca pra cima de mim, ele ia me furar, cara. Na hora a gente perde a cabeça, e eu fui pra cima, tomei a faca e retalhei o miserável! Logico que me veio à culpa depois, e ainda vem. Eu dei sorte porque o lugar que ele me atacou era deserto, eu me livrei da faca e foi aí que eu larguei essa parada. Aí o cara morreu e já era procurado pela polícia. Enfim...

UESLEI: (Em choque) É inacreditável, Diego! Eu ainda não sei o que dizer.

DIEGO: (Visivelmente abalado) Eu imagino que sim! Mas como estávamos começando uma amizade, eu achei melhor tirar as capas, me desarmar, pra você conhecer de verdade o verdadeiro eu, assim como você fez comigo. E é esse o cara que você chamou de amigo. O verdadeiro Diego. Um assassino!

UESLEI: Não! Esse é o passado de Diego. O verdadeiro Diego tá aí dentro. E eu sei que ele tem um bom coração. Só se direcionou por caminhos tortos, mas um cara que fez o que fez por mim, com a sensibilidade me ouvir, me entender, só pode ter um coração bom!

DIEGO: (Encarando-o) Não diz isso, cara...

UESLEI: Digo por que é a verdade!

DIEGO: Mas eu ainda sou um cara errado, torto. Eu não dou mais golpes, não trafico mais, só que ainda faço alguns serviços aí pra me virar.

UESLEI: Quais serviços?

DIEGO: (Pensa) Alguns aí... Entre eles, o sexo em troca de grana!

UESLEI: (Incrédulo) Não, cara! Sério?!

DIEGO: Sabe aquela mulher que veio comigo no primeiro dia que eu botei os pés aqui na academia pra me matricular? Ela é a filha da patroa de minha mãe, e é ela que me banca em algumas áreas em troca do meu serviço especifico, que você sabe qual. E não só ela, porque se surgir outras, eu vou! E fora outros serviços aí que também faço pra descolar grana.

UESLEI: (Abismado) Parece meio que um paradoxo! Não combina, não bate com a sua figura. (T) Apesar da surpresa, eu tô feliz! Muito feliz por você ter confiado em mim a ponto de se abrir, de contar coisa que com certeza não é fácil relembrar. Eu nunca fui isso pra alguém. Esse porto seguro, esse amigo de confiança, esse alicerce que alguém quisesse contar algo, que passasse confiança. Você fez esse papel comigo, de me ouvir, de me entender. Eu tô fazendo o mesmo contigo e não tô aqui pra te apontar o dedo.

DIEGO: Você não se importa, cara?! Putz. Deixa de dá uma de bom samaritano o tempo todo. Pode falar, pode crucificar, pode dizer que eu errei mesmo, que você não quer ter como amigo um cara que vende o próprio corpo, um assassino. Pode dizer!

UESLEI: (Firme) Para de falar isso! Diego, eu não preciso ficar te falando uma coisa que você já sabe. Isso não vai te ajudar em nada. E quem sou eu pra te julgar?! Eu não estava na tua pele, eu não passei pelo que você passou, eu não vivi aquele momento que você viveu. Não seria justo se eu, de cá, sentado te ouvindo, começasse a colocar todo o peso do que é errado, incorreto, ruim, em cima de você, sendo que eu não tava na tua pele. Mas falar assim é fácil e é o que muita gente faz. Mas não é justo!

DIEGO: (Comovido) Você não existe...

UESLEI: Cara, tudo o que você me contou prejudicou pessoas sim! Mas não doeu na minha pele. A que mais doeu foi na sua. E eu não tô nela! Eu apenas imagino. E sei que não foi e não é fácil pra você. Mas se você se tornou meu amigo, se dentro de você tem coisa boa, é esse lado que eu tenho que olhar e te ajudar a aflora-lo mais. Se você quiser minha ajuda, eu só posso te dizer que: Eu tô aqui, Diego! Conte comigo sempre!

Diego olha fundo nos olhos de Ueslei. Tenta segurar o choro. Incontrolável, uma lágrima desce.

DIEGO: (Emocionado) Era tudo que precisava ouvi! E de verdade: conte comigo também! (encarando-o) Me dá um abraço?!

Ueslei dá um leve sorriso e o abraça forte e calorosamente. Diego e Ueslei abraçados. Clima melancólico. CORTA PARA/

 

CENA 06. QUARTO DE HOTEL. INT. DIA.

Greg deitado na cama. Simone em pé, se maquiando.

SIMONE: E daí que ele não foi hoje, meu amor?! Eu sei que o Rafa é muito legal, mas ele só um aluno.

GREG: Não. É um amigo também. E você sabe disso.

SIMONE: Sim. Pois então, tem que o tratar como tal. Porque se você ficar pegando assim no pé do garoto, com essa marcação serrada, tipo uma superproteção, vai ficar parecendo pai dele. Já tá ficando exagerado isso!

GREG: (Pensativo) Sabe que foi exatamente isso que ele me disse hoje?! Quando eu liguei pra ele, ele me disse que eu tava parecendo o pai (riso). Estranho isso, né?

SIMONE: Demais!

GREG: Mas, sei lá, é o que ele me desperta. Esse cuidado de pai. Acho que por eu me vê nele, por eu me enxergar como era anos atrás na imagem dele. (T) Aí eu disse a ele que era bom que eu já treinava pra quando eu me tornasse um pai de verdade.

Os dois riem.

GREG: Aliás, meu amor, acho que já está mais do que na hora de providenciarmos o nosso, hein?!

SIMONE: Não, Gêl. Uma coisa de cada vez! Nem vem, amor. Nem vem!

Simone avança em direção ao banheiro. Greg Sorridente. CORTA PARA/

 

CENA 07. EDIFÍCIO PLARES. APARTAMENTO 121. SALA DE ESTAR. INT. DIA

Jader pega sua pasta sobre o sofá e avança em direção a porta. Ele a abre e dá de cara com Fabiana.

FABIANA: Amor, já tá voltando pra agência?

JADER: (Dando-lhe um beijo) Já. E já estou atrasado.

FABIANA: Eu ia voltar antes do almoço, mas aí a Branca e eu decidimos almoçar no restaurante mesmo.

JADER: Sem problemas, amor. Eu mesmo esquentei minha comida e já almocei.  Bem, vou indo. Até a noite!

FABIANA: Até!

Jader sai. Fabiana fecha a porta. Retira os sapatos. Joga-se no sofá.

FABIANA: (Cansada) Ai, tô exausta! A caminhada me deixou morta!

Rafael vem de dentro com sua mochila, apressado.

FABIANA: Tá indo aonde, meu filho?

RAFAEL: Pra faculdade, mãe. Tenho somente uma prova hoje. E importantíssima!

FABIANA: Ah. Boa sorte!

Rafael sai e bate a porta. Fabiana se vai em direção ao banheiro. CORTA PARA/

 

CENA 08. PISTA DE SKATE. EXT. DIA.

Acompanhado de outros jovens, Mateus faz manobras radicais em seu skate. Alguns outros jovens estão de longe só assistindo em meio a muito alvoroço. O carro de Eliete se aproxima e pára. Ela sai e observa o filho. Mateus vê a mãe, e junto com uma jovem (Cabelos castanhos e longos, pele clara e com aproximadamente 18 anos), se aproxima da mãe com o skate em mãos.

MATEUS: Mãe, essa aqui é minha amiga Ridinha.

Eliete cumprimenta a jovem.

MATEUS: Veio me ver?! Viu só as manobras iradas que eu já tô fazendo?

ELIETE: Vi sim! (P/Ridinha) Então é você que tá colocando meu filho no perigo, né?!

RIDINHA: (Riso) Imagina. O Mateus já tinha bastante talento. Só precisava aprender alguns truques, se aperfeiçoar mais em algumas coisas, e foi nisso que ajudei. E ele tava muito afim!

ELIETE: Bom, eu vim mesmo foi pra te buscar! Vamos pra casa, Mateus!

Mateus se aproxima de Eliete.

MATEUS: (Baixo) Pô mãe, que mico! A galera toda vai ver.

ELIETE: E o que tem?! Meu querido, eu dispensei o motorista hoje à tarde. Então eu sair da agência e vim te buscar! Ou você sabe voltar sozinho?! Não sabe! Então pronto! Vamos logo para o carro.

MATEUS: Bom, eu vou indo nessa, Ridinha. Depois a gente se fala.

RIDINHA: Tá bom.

Ridinha volta pra pista. Mateus e Eliete entram no carro, que avança. CORTA PARA/

 

CENA 09. RIO DE JANEIRO. EXT. NOITE

Anoitece. Planos gerais de pontos turísticos da cidade. CORTA PARA/

 

CENA 10. CASA DE EROS. SALA. INT. NOITE

Ueslei deitado no sofá. Olhando para uma foto de Diego em seu celular, mostra visivelmente que está pensando nele e em tudo que conversaram. Eros vem de dentro.

EROS: Ueslei, tô indo com Branca no shopping pegar um cineminha, viu?! Mas tarde tô de volta! Se cuide aí!

UESLEI: Beleza!

Eros sai apressado e bate a porta. Ueslei, pensativo, sorri. CORTA PARA/

 

CENA 11. QUITINETE DE DIEGO. INT. NOITE

Diego deitado, pensativo. O celular toca. Diego atende.

DIEGO: Fala Almerinda!

ALMERINDA: (Off) Nossa! Boa noite pra você também.

DIEGO: Não tô com saco pra isso hoje! Diz logo, o que você quer?

ALMERINDA: (Off) Você! Eu tive um dia estressante hoje e preciso relaxar. Sei que você sabe fazer isso muito bem.

DIEGO: Almerinda, eu não tô com cabeça pra isso.

ALMERINDA: (Off) Eu tô indo pra aí. Daqui a pouco chego. Beijinhos!

Almerinda desliga. Diego enfurecido. Ele bota o celular de lado e esmurra a cama.

DIEGO: (Enraivado) Droga!

CORTA PARA/

 

CENA 12. SHOPPING. SALA DE CINEMA. INT. NOITE.

Espaço cheio, com poucas cadeiras vazias. Filme já passando na tela. Eros e Brancos sentados juntos na quinta fileira. Olham para o telão. Saco de pipocas em mãos. Conversam.

EROS: (Baixo) Esse filme tá meio chatinho, num acha não?

BRANCA: (Baixo tom) HAHA! Novidade! Você sempre reclama do filme, Eros.

Eros coloca uma pipoca na boca de Branca. Ela sorri. Ele a beija.

BRANCA:  (Sorrindente) Pára, Eros! As pessoas vão começar a reparar.

EROS: (Ao pé do ouvido) Você sabe que eu não resisto a um escurinho, né?!

BRANCA: Safado! (riso).

Eros vai deslizando sua mão pelo corpo de Branca, descendo devagar e disfarçadamente. Ela o olha com malícia.

BRANCA: (Baixo) Tira essa mão daí, Eros! Se aquieta e vê o filme!

EROS: Deixa ela quietinha aqui que ela tá se esquentando. Me abraça também, vai! E disfarça!

Branca abraça Eros e se encosta ainda mais nele. Um alisando o outro disfarçadamente. Olham para o telão com sorrisos tímidos nos rostos. Branca olha para os lados. Abaixa a cabeça. CORTA PARA/

 

CENA 13. FAZENDA DE IZAEL. SEDE. QUARTO DE PAULO. INT. NOITE

Marisa arruma a cama de Paulo. Paulo adentra o local.

PAULO: (Frio) Tá fazendo o que aqui?

MARISA: (Virando-se) Não, é que teu pai foi tomar banho pra dormi e eu aproveitei e vim arrumar teu quarto. Aproveitei e ajeitei algumas coisas que estavam fora do lugar.

PAULO: Não precisava! Até porque eu não vou ficar mais aqui por muito tempo. Vou embora!

MARISA: (Surpresa) Como é que é?! Meu filho, você mal chegou e já quer ir embora novamente? Depois de anos longe da gente...

PAULO: Pois é. Eu mal cheguei e já descobrir coisa que eu nunca esperava de minha mãe. Me dá enjoou só de lembrar daquela cena patética entre você e o William.

MARISA: (Aproximando-se) Paulo, meu filho, não me olha assim desse jeito.

Paulo recua.

MARISA: Eu já disse que foi um deslize que não vai mais acontecer. Vou até evitar o máximo de contato com o William. Quer dizer, não totalmente. Porque se não a Dália, e até seu pai, poderiam achar estranho. Mas o fato é que o erro não vai mais se repetir.

PAULO: Não adianta, mãe. Isso tá me fazendo mal. Cada vez que eu olho pro papai, eu me sinto um traíra. O cara tá sendo feito de palhaço pelo filho e pela própria mulher. E antes que eu fale demais e aconteça uma tragédia e você coloque a culpa em mim, é melhor eu ir embora. Evito olhar pra ele, pra você, pro William, e tudo fica melhor. Já terminei a faculdade, poderei ingressar em um ótimo trabalho na minha área.

MARISA: (Cabisbaixa) Eu não te queria longe de mim. Mas...

PAULO: (Brusco) Sai do meu quarto, por favor. Eu tô cansado e quero dormi. Não se esquece de apagar a luz!

Marisa, tristonha, apaga a luz e sai do quarto. Fecha a porta. Paulo deita na cama. Pensativo. CORTA PARA/

 

CENA 14. SHOPPING. INT. NOITE

Eros e Branca andam em direção ao elevador. Conversam.

BRANCA: O filme foi ótimo!

EROS: Eu não gostei. Achei sem graça o final.

Eles entram no elevador.

BRANCA: Você mal prestou atenção, seu safado! (Riso). Mas se aquela garota ficasse com o rapazinho,  ia fazer muito mais sentido. (T) Vem amor, vamos tirar uma selfie.

Eles batem a foto.

EROS: (Com a mão na barriga) Ai, eu preciso ir ao banheiro.

BRANCA: (Olhando a foto) Pela tua cara na foto, dá pra perceber! (Riso) Ficou horrível. 

EROS: Apaga!

BRANCA: Vou apagar!

EROS: (Recostando-se) Caraca! Que dor de barriga desgraçada, amor.

BRANCA: É que você comeu demais.

EROS: Você comeu mais que eu! Só queria entender porque você come, come e não engorda. E eu, se não pegasse pesado nos treinos...

O elevador abre. Eles saem no estacionamento do shopping. Vão caminhando até o carro.

BRANCA: HAHA! É porque eu como tudo que eu tenho direito o fim de semana inteiro, e no meio da semana eu compenso comendo só folhas, saladas, verduras, cereais. Aí fica tudo balanceado, meu querido.

EROS: Sei... Não engorda de ruim! Isso sim! (Riso).

BRANCA: Nossa amor, tá enorme mesmo sua barriga. Tem que ir logo despachar isso que tá aí dentro assim que chegar em casa, hein?! A gula dá nisso! (Risada).

Chegam até o carro. Eros abre e vão entrando.

EROS: Te deixo na tua casa, aproveito e uso teu banheiro.

BRANCA: (Entrando no carro) Depois vou logo dormi. Amanhã de manhã tenho que entregar uma encomenda. A mulher não é aqui do Rio, aí vou ter que entregar pessoalmente.

Eros acelera. O carro avança. CORTA PARA/

 

CENA 15. QUITINETE DE DIEGO. INT. NOITE.

Diego deitado. Almerinda em pé.

DIEGO: Fiz o que tinha que ser feito. Fui e contei tudo pro Ueslei. E mais uma vez, eu tava certo. Ele me deu força, me entendeu. Em nenhum momento me julgou não. Eu te disse que ele era um cara diferente.

ALMERINDA: Você contou até que foi contratado pra ser amigo dele?

DIEGO: Não, isso não! Mas isso aí não envolve só a mim. Tem o irmão dele também, que foi o cara que me contratou. Não posso já ir falando assim, jogando tudo no ventilador. Tenho que ir com calma. Cada coisa na sua vez.

ALMERINDA: (Riso) Então pronto, meu querido. (T) Agora vamos deixar de falar nesse homem porque eu não estou nem um pouco interessada. Temos coisa muito mais importante pra fazer.

Almerinda se aproxima de Diego.

ALMERINDA: (Sensualmente) Tenho que confessar que estava morrendo de saudades desse corpo, sabia?! (Beijando-o) Vamos brincar, vamos?! Você é o dono e eu a sua cachorrinha. Que tal?

DIEGO: É assim que você quer, é?

ALMERINDA: (Atiçada) Quero!

DIEGO: Então tira logo esse vestido e fica só de calcinha, vai cachorra!

ALMERINDA: (Maliciosa) Por quê?

DIEGO: (Firme) Porque eu tô mandando! Anda logo, porra!

ALMERINDA: (Excitada) Sim senhor! (Despindo-se) Ai, eu fico louca quando eu te vejo malvado assim.

Almerinda, quase nua, vai pra cima de Diego. Eles começam a se beijar. Agarram-se com voracidade. Desforram a cama. Diego um pouco tenso, fixa seu olhar no teto e pensa em Ueslei. Empurra Almerinda.

ALMERINDA: O que foi?

DIEGO: Chega! Melhor parar. Não vai rolar. Eu não vou consegui.

ALMERINDA: Mas por quê?! Nunca te vi desse jeito. Você nunca negou fogo.

DIEGO: Eu te disse que hoje eu não tava no clima.

ALMERINDA: Eu não quero saber! Eu tô pagando e eu quero que você faça o serviço que tem que fazer. Se não, zero grana!

DIEGO: (Irritado) Foda-se! Enfia tua grana na bolsa e leva ela de volta com você! (levantando-se da cama) Vai embora, Almerinda! Vaza logo de uma vez, que olhar pra tua cara tá me deixando ainda pior. Pra mim já deu essa situação toda.  Acabou essa coisa que tem entre a gente e pra valer!  Vaza!

ALMERINDA: E tudo por causa desse Ueslei, né Diego?! (Levanta e se veste) Só te digo uma coisa: Isso não fica assim não. Você me despachando assim, vai perder e muito comigo! Muito!

Almerinda pega sua bolsa e sai furiosa. Bate a porta bruscamente. Diego, enfurecido, quebra um vazo.

DIEGO: (Pra si mesmo) Inferno! (Respira fundo) Porque tá acontecendo isso comigo?! Porque só me vem esse cara na mente?! Por quê?!                

Diego visivelmente atordoado.  CORTA PARA/

 

CENA 16. CASA DE BRANCA. BANHEIRO. INT. NOITE

Branca e Eros em baixo do chuveiro que está ligado. Tomam banho, ensaboando-se.

BRANCA: Ai, isso é tão excitante. Ensaboa mais pra baixo aí amor.

EROS: (Sorrindo/Ensaboando-a) Safadinha!

Branca se vira. Beija Eros rapidamente.

BRANCA: Não gosto de tomar banho com você por isso. Sempre acaba como não deve.

EROS: (Leve sorriso) E eu sei que você gosta!

BRANCA: (Beijando-o) Meu gostoso!

Eros pega o shampoo e passa em seu cabelo. Branca ao lado ensaboando-se. Chuveiro continua aberto.

BRANCA: Depois que terminarmos o banho aqui, você vai direto pra casa, tá?! Vou ter que ir dormir cedo hoje e se você ficar aqui, isso não vai acontecer.

EROS: Fique tranquila! Sei que será o maior sacrifício me ver partir, mas seu sono é mais importante, meu amor. Fazer o quê...

BRANCA: HAHAHA! Engraçadinho!

Branca passa sabão no nariz de Eros. Ele revida jogando água nela e a pega pela cintura. Eles se beijam novamente. Agarram-se com voracidade. Suas mãos delizam junto com o sabão em seus corpos. Água caindo sobre ambos. CORTA PARA/

 

CENA 17. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

Amanhece. PANORAMA da grande metrópole. CORTA PARA/

 

CENA 18. RESTAURANTE D’LAMER. INT. DIA.  

Ambiente refinado. Poucas mesas ocupadas. Eliete em uma mesa no canto esquerdo. O garçom a serve um suco e se retira. Ela bebe. Olha para o relógio e confere as horas, agoniada. Branca adentra o local. Eliete vê e acena para ela. Branca se aproxima da mesa.

ELIETE: Você é a Branca, não é mesmo?

BRANCA: Sim. Sou eu mesma!

ELIETE: Eu reconheci logo por causa da sua foto no seu site. Pode se sentar.

BRANCA: (sentando-se) Obrigada, Dona Marisa! (T) trouxe aqui a encomenda que me pediu. Quero me desculpar pelo atraso. O transito estava caótico. Mas o quadro está aqui do jeitinho que pediu. Espero que goste.

Branca entrega o pacote a Eliete. Eliete coloca na bolsa e discretamente pega um gravador e coloca sobre seu colo.

BRANCA: Mas então, você costuma vim sempre aqui no Rio, querida?

ELIETE: Ah, eu adoro aqui. Também sou apaixonada pelo lugar onde moro. Aquele clima sossegado, interiorano. Mas o Rio de Janeiro é maravilhoso! Venho pouquíssimas vezes. Tenho até uma amiga aqui, mas como nunca mais a vi, nem sei onde mora. E olha que a gente mantinha contato sempre, mas o tempo foi passando e por razoes das circunstancias, a Fabiana e eu acabamos nos afastamos. 

BRANCA: Fabiana?! Nossa, eu também tenho uma amiga íntima com mesmo nome.

ELIETE: Jura?! A minha é casada com um empresário chamado Jader. Chefe de departamento de uma agência de turismo, se não me engano.

BRANCA: (Surpresa/Sorrindo) Então é a mesma! Gente, tô chocada! Agora que eu estou me lembrando. Você é a Marisa, amiga da Fabiana dos tempos de colégio, né isso?! Ela já me falou muito de você.

ELIETE: (Fingindo surpresa) Exatamente! Sou eu mesma! Meu Deus, como esse mundo é pequeno. Eu tô chocada também! (Riso). Foi uma grande coincidência.

BRANCA: Demais! Eu sou amiga recente da Fabiana. Mas já somos muito unidas. E já que você perdeu o contato dela, essa é grande chance de vocês se reencontrarem. Se você quiser eu a levo até o apartamento dela. Porque não vamos lá depois que sairmos daqui?! Tenho certeza que ela ia ficar morrendo de felicidade em te reencontrar.  E então, topa?

Eliete dá um leve sorriso desconfortável. Passa a mão nos cabelos. Tensa.

FIM DO CAPÍTULO!