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12. DÉCIMO SEGUNDO CAPÍTULO

ESTRELA CADENTE


SOBRE O CAPÍTULO

Marisa e William são flagrados juntos.

TV NOVELAS                                                                2017

 

 ESTRELA CADENTE

 

CAPÍTULO 12

 

Novela de

Lucas Oliveira

 

Direção

Rennan Lopes

Vitor Abou

 

Direção Artística

Vitor Abou

 

CENA 01. QUITINETE DE DIEGO. INT. NOITE

Continuação imediata do capítulo anterior.

Diego entra, seguido por Ueslei.

DIEGO: Tá vendo aí. É bem apertada, como toda Quitinete. E bagunçada, como todo lugar em que mora um homem sozinho. (Riso).

UESLEI: (Olhando em volta) É bem apertado mesmo.

DIEGO: Mas pra mim, tá de boa. Eu sou um cara da rua, do ar livre. Nunca fui caseiro. Então, não me importo muito. O essencial, tem!

UESLEI: E o que é?

DIEGO: A cama!

Ueslei olha para a cama, toda desforrada.

UESLEI: (Sem jeito) Ah, é verdade. Tendo uma cama, com um bom colchão pra se dormir, mas nada importa.

DIEGO: Não só pra dormi, né?!

Eles se entreolham. Ueslei, sem graça, desvia rapidamente o olhar. Cria-se um clima. Eles se entreolham novamente.

UESLEI: (Afastando-se) Bem, acho melhor eu ir. Já tá ficando tarde e é melhor eu ir para casa.

DIEGO: Mas porque, cara? Você acabou de chegar...

UESLEI: (Retraindo-se) Mas eu já vi sua quitinete e você já foi entregue. Amanhã a gente se fala lá na academia.

DIEGO: Beleza! Amanhã estarei lá, firme e forte.

UESLEI: Tá ok!

Diego abre a porta pra Ueslei. Se olham fixamente. Desviam o olhar. Cumprimentam-se. Ueslei sai. Diego, mexido, o observa entrar no carro.CORTA PARA/

 

CENA 02. EDIFÍCIO DALGA. APARTAMENTO 155. SALA DE JANTAR. INT. NOITE

Eliete à mesa, jantando. Mateus vem de dentro com um skate em mãos.

ELIETE: Vai aonde com esse skate, meu filho?

MATEUS: Ué, andar de skate com a galera, mãe!

ELIETE: Mateus, eu já não disse que andar de skate a noite é perigoso?

MATEUS: Relaxa, mãe! (T) E a senhora tá bem?

ELIETE: Eu tô ótima. Aliás, melhor não poderia estar. (Risos). Eu já sei como consegui informações da tal da Branca, a melhor amiga de Fabiana, de um jeito que ela não saiba que sou eu. Até porque se eu me apresentar como eu mesma, do jeito que a Fabiana deve falar de mim, essa Branca não iria nem olhar pra minha cara.

MATEUS: (Curioso) E eu posso saber que jeito é esse, mãe?

ELIETE: O Jader me falou de uma outra amiga íntima da Fabiana. Uma tal de Marisa. Essa é amiga dela desde os tempos do colégio, mas parece que foi morar no interior, e pelo que eu vi, a Fabiana não deve ter mais contato frequente com ela. Então, é exatamente aí que eu vou entrar. A Branca é uma amiga mais recente da Fabiana, e a Marisa, das antigas. (Maliciosa) Já tá tudo perfeitamente armado na minha cabeça. Mas que isso eu não conto!

MATEUS: Mãe, mãe. Olha lá o que você vai fazer.

ELIETE: Deixe comigo, meu filho. Nada melhor do que eu, para cuidar de mim mesma. Agora eu sei exatamente o que fazer pra fisgar de vez o que eu quero. Você vai ver!

MATEUS: (Preocupado) Bem, vou indo nessa. Tchau, tchau!

ELIETE: Não chegue tarde, hein?! Tchau, meu filho!

Mateus sai. Eliete, sorridente, continua jantando. CORTA PARA/

 

CENA 03. QUARTO DE HOTEL. INT. NOITE

Greg e Simone deitados, se beijam, com roupa, na cama. Simone, por cima dele, senta.

SIMONE: (Animada) Ai, meu amor. O nosso apê é lindo! Eu demorei, mas escolhi o melhor e com um ótimo preço. Ou seja, fizemos um excelente negócio!

GREG: Eu quero conhecer esse apartamento, Simone. Eu sabia que você iria no certo.

SIMONE: Ainda bem que você confia em mim. Aposto que vai amar. Eu pensei no que agradasse a mim e a você. Então é a nossa cara. Tem um pouco do meu gosto, e um pouco do seu gosto. E você sabe que o seu, eu conheço bem, né?!

Simone o beija rapidamente.

GREG: E as reformas, amor?! Gastar grana comprando o apartamento, e depois gastar pra reformar, pode ficar muito acima do custo.

SIMONE: Sem neura, Gêl. Eu já falei que fiz um ótimo negócio. O apartamento é de um jeito, que como eu falei, agrada a nós dois. E não precisa de reforma nenhuma. Apenas de mobília, mas essa parte da decoração, deixe comigo também que eu resolvo tudo. (T) Amor, eu já falei que te amo?! Eu te amo muito, meu negão lindo! Não vejo a hora da gente recomeçar de vez nossa vida aqui no Brasil, no nosso cantinho, com as nossas coisas...

GREG: Minha tagarela predileta. (Risos). Também te amo muito, muito, muito!

Greg beija Simone. Ele a vira, ficando por cima dela. Ficam se beijando na cama. CORTA PARA/

 

CENA 04. EDIFÍCIO PLARES. APARTAMENTO 121. COZINHA. INT. NOITE

Fabiana, Jader e Rafael jantam. Todos a mesa. Conversam.

FABIANA: Bom, Rafael, eu acho que sua amizade com seu professor de academia já está em um grau alto, né?! Até para jantar na casa dele, ele já te levou.

RAFAEL: É, na verdade não é casa, ele e a mulher dele ainda tão em um hotel. Mas ela é muito legal também, mãe. E disse que logo iam comprar um apê e que eu já estava convidado pra conhecer. (Risos).

FABIANA: Que seja! O fato é que seu pai e eu conversamos e decidimos que já tá mais do que na hora de conhecermos pessoalmente esse cara.

Rafael olha para Jader.

JADER: É verdade, meu filho. A gente sabe que ele é um ótimo profissional, uma ótima pessoa, isso tudo você já disse. Mas não custa nada o vê pessoalmente. Afinal, se ele for isso tudo aí mesmo, quem sabe eu não vire amigo dele, né?! (Riso). Tô até precisando.

RAFAEL: Tá pai. Podem ficar tranquilos que eu já providenciei isso tudo. Pelo o menos o convite já foi feito. Hoje mesmo eu falei com o Gêl sobre ele vim jantar aqui em casa e ele topou na hora.

JADER: Ótimo!

FABIANA: Então já vou pensando no cardápio desse jantar. Já que ele morava nos Estados Unidos e a mulher também vem de lá, devem ter um paladar bastante refinado.

RAFAEL: Que nada, mãe. O Gêl é sem frescuras. Ele vive repetindo que o que vier e for de comer, ele traça! Em todos os sentidos...

Todos riem.

JADER: (Rindo) Que figura!

FABIANA: Não sei, mas algo me diz que eu irei me surpreender muito com esse Personal. Só não sei como...

Continuam jantando.CORTA PARA/

 

CENA 05. FAZENDA DE IZAEL. CASINHA DOS EMPREGADOS. COZINHA. INT. NOITE

Dália recolhendo seu prato e limpando a mesa. William leva o seu até a pia, lava. Se aproxima da mãe.

WILLIAM: É, mãe eu vou ali fora, certo?!

DÁLIA: Agora, meu filho?! Eu pensei que você estivesse cansado, que já fosse dormir...

WILLIAM: E tô! Mas é que vou dá uma olhada na lua e as estrelas. Tá uma noite linda lá fora. E aí eu relaxo, tiro a tensão... Daqui a pouco volto.

DÁLIA: (Desconfiada) Tá bom, William.

William sai e bate à porta. Dália balança a cabeça negativamente. CORTA PARA/

 

CENA 06. QUITINETE DE DIEGO. INT. NOITE

A campainha toca. Diego levanta da cama e atende a porta. Abre e se depara com Almerinda.

DIEGO: (Surpreso) Almerinda?! Posso saber o que você veio fazer aqui?

ALMERINDA: Se você me convidar para entrar, quem sabe eu não diga?! (Maliciosa) Ou por acaso o novo amiguinho tá aí contigo? Não me diga que na sua cama?! Gente do céu...

Almerinda adentra o local. Diego fecha a porta e a encara. Sério. CORTA PARA/

 

CENA 07. FAZENDA DE IZAEL. SEDE. SALA. INT. NOITE.

Paulo e Izael sentados no sofá assistindo TV. Marisa vem de dentro.

MARISA: (Ajeitando-se) Agora que já jantamos, eu vou indo lá.

PAULO: Lá onde, mãe?

MARISA: (Um pouco nervosa) Lá no...É....Lá no curral. A vaca tava com um...tipo um fiapo, um grampo...não sei o que era direito aquilo, enfiada na perna. Aí eu vou lá pra tentar tirar porque deve tá machucando ela.

IZAEL: (Confuso) Ué, você não tinha me falado nada disso, Marisa. Poderia ter me dito mais cedo que eu mesmo iria tirar.

PAULO: Deixa pra amanhã, mãe. A senhora ir pra lá agora de noite não é bom. Tá fazendo frio e a luz do curral é fraquíssima.

MARISA: NÃO! Se eu não tirar hoje, eu não vou consegui dormi. Aquilo deve tá agoniando muito a pata da vaca. E não se preocupem, eu tô levando uma lanterna e um casaco.

IZAEL: A gente não já disse que não precisa?! Que teimosia, hein mulher?!

MARISA: Sou teimosa mesmo. Sempre fui! E eu já disse que não vou demorar. É coisa rápida. Daqui a pouco volto. Até!

Marisa sai apressada e bate à porta. Izael e Paulo se olham se entender. Continuam vendo televisão.CORTA PARA/

 

CENA 08. QUITINETE DE DIEGO. INT. NOITE

Diego e Almerinda em pé. Um de frente para o outro.

DIEGO: (Irritado) O que você está querendo insinuar com isso, Almerinda?

ALMERINDA: Eu?! Eu não estou insinuando nada. Mas pra você ter ficado tão nervoso... Será que tem algum fundo de verdade?!

DIEGO: Olha aqui, Almerinda/

ALMERINDA: (Corta) Olha aqui você! Você tá achando o que, hein Diego?! Me explica, por eu não tô conseguindo entender.

DIEGO: Do que você tá falando?

ALMERINDA: (Irritada) Você não atendeu minha ligação hoje cedo porque estava com ele, não foi?!

DIEGO: (Riso nervoso) Não, essa histeria toda é só por conta disso?

ALMERINDA: E você acha pouco?! Diego, desde que você começou a fazer esse serviço de ser amiguinho de depressivo, que você me deixa em segundo plano. Não esqueça, meu querido, que sou eu a quem paga mais por você, a que mais te enche de presente, e por tanto é a que mais tem que ter prioridade.

DIEGO: Não esqueço não! Aliás, nem tem como esquecer. Você faz sempre questão de me lembrar. Só que eu tenho vida própria, Almerinda. Tenho vontades próprias, tenho pernas próprias. Não esqueça disso também não, viu?!

ALMERINDA: Ótimo! Mas se você tem pernas próprias, aprenda a andar sozinho com elas. Porque enquanto você precisar da minha pra poder dá um passo, eu sempre exigirei está em 1º lugar. Caso contrário, eu retiro o meu apoio e aí você cai. E eu sei muito bem que sozinho, vai demorar muito pra consegui se reerguer de novo.

DIEGO: (Perplexo) Não estou entendendo porque você tá agindo assim. Você chegou até a me ajudar, como me ajuda em todos os outros serviços que eu faço. E eu estava no meio de um, quando você me ligou. Será que é tão difícil entender isso?! Antes não era! Isso tudo é o quê? Ciúmes?

ALMERINDA: (Risada) Pelo amor de Deus, Diego. Eu apenas gosto de você. Eu preciso de você. Você me conforta quando quero, me dá carinho quando quero, me dá tesão, me bate quando eu quero, me deixa bater quando eu quero. Você é tudo que qualquer mulher queria. Um homem gato, bonito e gostoso disponível sempre pra fazer tudo e quando ela quiser. É só isso.

DIEGO: Apenas um corpo bonito, né?! Ali, como um brinquedo pra servir para seus caprichos, pra você usar. Um robô, sem alma.

ALMERINDA: É. Deixa sua alma pra apresentar a Deus. Eu prefiro prestar mais atenção no que tá visível mesmo, que, aliás, é uma delícia e bem mais interessante.

DIEGO: Engraçado, o Ueslei é a primeira pessoa que me vê além disso. Ele me enxerga como pessoa, e não apenas como um corpo bonito.

ALMERINDA: Deixa de ser tonto! Te enxerga desse jeito porque não sabe quem você é de verdade, não sabe as coisas que você faz pra consegui grana. E claro, não sabe que você tá sendo pago pra ser amigo dele.

DIEGO: Não! Mesmo que soubesse, ele ia me entender. O Ueslei é diferente. Ele não é assim como você tá falando. Eu sei que não! Eu posso tá ganhando pra ser amigo dele, mas a amizade que ele despertou em mim, de falsa, não tem nada!

ALMERINDA: Bem, se é assim, então porque não conta toda a verdade a ele?! Se não tiver coragem, eu mesma conto! E não se preocupe com a grana, porque eu cubro o valor que tavam te pagando. Mas aí, claro, eu vou querer mais do que nunca, exclusividade absoluta.

DIEGO: (Irritado) Não! (Pegando-a pelo braço) Não se mete nisso, Almerinda! Se é eu quem tô no esquema, sou eu que resolvo! Você não vai falar nada, se meter em nada, ouviu bem?!

ALMERINDA: (Esquivando-se) Calma! Pra que esse nervoso todo?! (Debochada) Que bonitinho, com peninha do amiguinho. Sendo você o maior traíra dele.

DIEGO: Para de falar merda!

ALMERINDA: Ou será que o que eu talvez tenha insinuado no começo da conversa, seja uma verdade?! (T) Diego, você tá sentido algo a mais que amizade por esse Ueslei? Você tá se apaixonando por esse carinha?

DIEGO: (Nervoso) Você tá maluca?! Pelo amor de Deus, Almerinda. Você me conhece, eu nunca fui disso. Olha pra mim e se toca, né?! (pegando-a pelo braço) Sai daqui, vai! Se manda de uma vez que essa conversa por hoje já deu!

Diego a empurra até porta a fora.

DIEGO: (Gritando/Irritado) Vê se te manda e me deixa em paz no meu canto!

Almerinda cismada. Diego bate à porta brutalmente. Atordoado, quebra um vazo jogando-o contra a parte. Joga-se na cama, pensativo. CORTA PARA/

 

CENA 09. FAZENDA DE IZAEL. SEDE. SALA. INT. NOITE

Paulo e Izael sentados no sofá vendo TV. Conversam. Izael sonolento.

PAULO: E aí a gente pescou e ficou conversando lá na beira do riacho. Falando muita bobagem e rindo pra caramba. Igualzinho antigamente. Considero demais o William, Pai. Como um irmão mesmo, saca?!

IZAEL: Eu sei, meu filho. Lembro como se fosse hoje quando eu trouxe a Dália e ele pra morarem aqui na fazenda. Você ficou todo feliz. Saía correndo por aí junto com ele, andando descalço, subindo em arvores, correndo atrás das galinhas... 

PAULO: (Riso) A gente aprontou muito mesmo.

Izael se levanta.

IZAEL: (Bocejando-se) Filho, eu vou indo dormi. Tô morrendo de sono e amanhã vou cedo pra cidade.

PAULO: (Levantando-se) Tá certo. Eu vou lá no curral encontrar minha mãe. Se ela disse que era coisa rápida, já era pra ter voltado.

IZAEL: Será que aconteceu alguma coisa?

PAULO: (Preocupado) E eu falei pra ela deixar pra amanhã. Eu vou lá!

Paulo abre a porta e sai. Izael vai em direção ao quarto.CORTA PARA/

 

CENA 10. CASA DE EROS. SALA. INT. NOITE

Eros deitado no sofá, troca mensagens com Branca pelo celular. Ueslei chega animado. Se joga no sofá. Respira fundo.

EROS: Eita, pelo visto a felicidade continua sorrindo pra você, né meu irmão?!

UESLEI: Pelo ao menos em um aspecto, sim! Tô com uma amizade nova aí, que já tá sendo super demais pra mim. Muito importante. E chegou na hora certa!

EROS: Poxa, meu irmão. Que bacana! Muito bom saber disso. (T) Mas, qual é o outro aspecto que ainda não tá feliz?

UESLEI: O lado do amor, da paixão. E esse eu acho difícil de chegar, pelo o menos na outra pessoa. Tenho medo de me apaixonar e amar sozinho. Por isso não tô com vontade de me amarrar por esses tempos. Não quero sofrer mais!

EROS: Mas isso é uma parada que a gente não controla,Ueslei. Mesmo que a gente queira. Porque não somos nós que escolhemos quando vamos nos amarrar a uma paixão. Mas sim a paixão que amarra a gente. E ela amarra quando quer! Não escolhe tempo.

UESLEI: (Pensativo) Pior que é verdade, Eros. Infelizmente é verdade!

Eros se levanta e vai em direção ao seu quarto. Ueslei continua sentado, pensa em Diego. Sorri. CORTA PARA/

 

CENA 11. FAZENDA DE IZAEL. CURRAL. INT. NOITE

William recostado, ansioso. Marisa chega calmamente. William, afoito, vai pra cima.

WILLIAM: (Pegando-a) Demorou. Achei que não viria mais.

MARISA: Eu não vou poder demorar. Inventei uma desculpa barata pro Izael e pro Paulo, e se eu demorar, eles podem vir atrás.

WILLIAM: (Beijando-a) Eu tava louco pra tocar nessa pele, beijar essa boca gostosa de novo.

MARISA: (Ofegante) William, essa vai ser a última vez. Isso pode ser perigoso e eu não quero mais!

WILLIAM: Quer, eu sei que quer. Se entrega pra mim de novo, vai!

William e Marisa se agarram e se beijam com veracidade. Caem no chão. William arranca sua camisa. Abre os botões da blusa de Marisa. Eles soam. William chupa o pescoço de Marisa, que geme com olhos fechados. Ela abre o olho. Vê Paulo. Se assusta. Empurra William, que se vira.

PAULO: (Em choque) Mãe?!

MARISA: (Vestindo-se/desesperada) Filho, eu posso explicar, meu filho. Eu posso explicar!

William recua. Marisa chora. Paulo, paralisado, olha fixamente para os dois. Clima tenso.

PAULO: (Transtornado) Minha mãe, se prestando a um papel desses?! É fantasioso demais. Não tô conseguindo acreditar.

MARISA: (Levantando-se/Chorando) Meu filho, deixa eu te explicar.

PAULO: (Furioso/Gritando) Não tem o que explicar! Tá claro! A senhora se esfregando, se arranhando, se rasgando, como se fosse uma cadela no cio.

William se levanta. Vai pra cima de Paulo.

WILLIAM: (Nervoso) Olha como você fala com ela, cara!

PAULO: (GRITANDO) Eu falo do jeito que eu quiser! (Empurrando-o) Seu amigo da onça! Grande parceiro esse, que pega a mãe do melhor amigo. Você não tem vergonha?!

William respira fundo. Mantém a calma

WILLIAM: Eu não vou discutir com você nesse estado. Até porque qualquer coisa que eu diga, será inútil!

Marisa desesperada.

MARISA: (Chorando) Meu filho, eu não quero que você pense que eu trair seu pai, ou que eu não goste dele. Não! Não é nada disso! O que aconteceu aqui foi apenas um deslize, uma fraqueza, que não vai mais acontecer.

WILLIAM: Ah, fala a verdade de uma vez! O que a gente sente tá longe de ser apenas um deslize, um desejo carnal, Marisa.

MARISA: (Desnorteada) Não complica mais as coisas, pelo amor de Deus.

WILLIAM: Eu não tenho medo! Você vai contar pro seu pai, Paulo?

PAULO: Eu não vou fazer ele de palhaço!

WILLIAM: (Enfrentando-o) Pois conta! Corre até lá e fala de uma vez. Mas conta tudo! E não esquece dos mínimos detalhes.

Marisa se ajoelha e abraça as pernas do filho.

MARISA: (implorando) Não Paulo, não conta! Eu te peço por tudo que é mais sagrado: não conta nada pro teu pai! Foi apenas a segunda vez. E a última! Uma fraqueza, como você, como eu, como qualquer pessoa pode ter. Por favor, não conta!

William olha incrédulo. Paulo se afasta, revoltado, esmurra uma parede.

PAULO: Se eu for lá e contar tudo pro meu pai, saiba que não serei eu o culpado de nada. A culpada é de você mesma! (T) Eu só queria entender o porquê. Apenas isso!

MARISA: Não sei. Só sei que quando eu me vi, eu estava entregue. O meu casamento com o Izael não tinha mais brilho, estava apagado, morno. Eu tenho um casamento sólido, mas sem paixão, sem aquela chama acesa que precisa existir pra que qualquer relação se mantenha sempre renovada. Aí deixei me levar.

PAULO: (Irritado) Isso não justifica você ter metido chifres no meu pai! E ainda com um empregado da fazenda, um cara mais jovem e amigo de seu filho, um cara que vive praticamente de baixo do mesmo teto do meu pai.

MARISA: (Chorando) Eu sei que não! Eu que fui fraca, acomodada. Não consegui abrir mão de um casamento onde eu tinha tudo, onde eu estava aparentemente bem. Largar tudo isso, abrir mão da comodidade pra se arriscar, se jogar no escuro, não é uma coisa fácil de fazer. E eu ainda não tô pronta. Por tanto, não conta nada pro Izael. Não diz nada que eu prometo que isso não voltará acontecer, meu filho.

WILLIAM: E você vai se trancar, se privar de botar pra fora seus próprios sentimentos por medo? É isso mesmo, Marisa?!

PAULO: Cala a boca seu traíra!

William se aproxima de Paulo. Furioso, o pega pela camisa.

WILLIAM: (Raivoso) Olha bem pra mim: Eu sou mesmo um traíra! Presta bem atenção e olha fundo nos olhos desse traíra aqui, porque ele é o pior de todos. E sabe porquê? Porque traiu a si mesmo! (T) Eu que fui o idiota, cara! Confesso isso. Dei a cara a tapa, me arrisquei atoa, e no final, minha mãe sempre estava certa. A patroa sempre vai preferir o marido, e filho do patrão, por mais que diga ser seu amigo, sempre vai me ver como o empregado, do modo que você me descreveu agora, não foi?! Poupa tua mãe. Deixa ela continuar no castelinho de cristal que ela tanto gosta de ficar e não quer sair. E fica tranquilo, que eu também pouparei minha mão quando sua mãe vier pedir pra tocá-la. Ou pelo o menos vou tentar, porque ela é gostosa pra caramba e isso, não sou hipócrita ao ponto de negar!

William solta Paulo. Olha para Marisa. Balança a cabeça negativamente e sai. O silêncio domina. Marisa se recompõe. Paulo, pensativo, respira fundo.

PAULO: (Quebrando o silêncio) Eu vou voltar pra sede. Meu pai não deve nem ter dormido ainda e deve tá preocupado.

MARISA: (Amedrontada) Você vai contar, meu filho?

PAULO: ...Aí eu vou lá, e conto que o fiapo na pata da vaca não queria sair. Demorou mais do que esperávamos e eu fiquei pra te ajudar! Eu vou indo. E a senhora, não demora!

Paulo sai. Marisa cai no chão e respira aliviada. Ela chora descontroladamente. CORTA PARA/

 

CENA 12. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

Amanhece. Planos gerais de vários pontos da cidade. CORTA PARA/

 

CENA 13. AGÊNCIA DE TURISMO SCAR. SALA DA PRESIDÊNCIA. INT. DIA

Eliete, sentada em sua cadeira, meche no computador. Ela pesquisa na internet o nome de Branca Lacerda. Encontra anúncio de revenda e encomenda de quadros. Sorri. Pega seu celular e salva o número. Jader bate e adentra a sala. Eliete tem um leve susto. Fecha rápido a tela do computador.

JADER: Eliete, desculpa entrar assim sem avisar, mas é que eu trouxe aqui uns relatórios (entregando-a) que faltou você assinar.

ELIETE: Ah, tudo bem. Pode deixar que eu assino e depois mando você vim buscar, ok?

JADER: Pode deixar. Licença!

Jader se retira. Eliete o olha dos pés à cabeça.

ELIETE: (Sorrindo maliciosamente) Tá chegando perto, Jader. Esperei, fui paciente, e logo vou saborear com gosto o sabor da vitória. Você vai ser meu. Finalmente meu!

Eliete olha o contato de Branca em seu celular. Sorri animada. CORTA PARA/

 

CENA 14. FAZENDA DE IZAEL. SEDE. COZINHA. INT. DIA

Izael toma café da manhã. Marisa e Paulo também estão a mesa e mal se olham.

IZAEL: Você tá bem, meu filho? Tá quieto...

PAULO: Nada. Apenas cansado, pai.

Paulo encara Marisa o tempo todo. Marisa desvia o olhar.

IZAEL: E você, Marisa?

MARISA: Apenas uma dor de cabeça. Mas vou deitar um pouco e vai passar. Bom trabalho!

Marisa se levanta e vai em direção ao quarto.

IZAEL: E então, vai comigo pra cidade?

PAULO: Sem dúvida nenhuma. Vamos logo de uma vez!

Izael e Paulo se levantam e saem juntos. CORTA PARA/

 

CENA 15. ACADEMIA DE BOXE. INT. DIA

Hugo sentado. Eros vem chegando com seu material em mãos e falando ao celular com Branca.

EROS: Amor, acabei de chegar aqui no treino e vou desligar antes que o Hugo comece o sermão dele, viu?!

BRANCA: (Off) Tá bom. Eu tô aqui dando uma passeada com a Fabiana e depois vamos almoçar juntas. Mas de noite tá combinado nosso cineminha. Não esqueça!

EROS: Claro que não, minha gata! (Riso) Pode deixar. Beijos!

Eros desliga o celular.

HUGO: Eita, mas não se largam nem quando tão longe, hein?! (Riso).

EROS: Essa aqui é a mulher da minha vida, mestre!

HUGO: Tô vendo! Mas agora; Foco! Você vai treinar pra LUTA mais importante de sua vida. Então, vamo com tudo!

Eros se aquece. Começa a treinar. Hugo ao lado.CORTA PARA/

 

CENA 16. ACADEMIA DE MALHAÇÃO. INT. DIA

Ueslei está atrás do balcão. Diego vem chegando, se aproxima.

DIEGO: Fala,Ueslei! De novo nesse balcão, cara?

UESLEI: E aí. É, eu gosto. Me ocupa. A recepcionista pediu demissão, e eu resolvi ficar no lugar. Distrai.

DIEGO: Mas diz aí: Teve pesadelo com a minha quitinete não? (Risada).

UESLEI: Deixe de bobagem, Diego. Gostei muito de conhecer seu cantinho. Ele é muito... Confortável!

Eles se entreolham.

DIEGO: Bem, vou indo ali treinar. Depois a gente se fala mais.

UESLEI: Va lá!

Diego é observado por Ueslei. Diego cumprimenta Greg.

DIEGO: E aí professor, vai me dá um suporte hoje?

GREG: (Preocupado) Pode ser. Um, digamos, pupilo meu não veio. Espero que não tenha acontecido nada. O Rafael, sabe?! Aluno certo. E também um amigo já.

DIEGO: Malhar todo dia cansa! Relaxa que amanhã ele tá aí!

Greg segue. Diego vai até um aparelho, e começa a malhar. Enquanto se exercita, pensativo, relembra a sua briga com Almerinda.

´´FLASHBACK ON’’

DIEGO: O Ueslei é a primeira pessoa que me vê além disso. Ele me enxerga como um ser humano, e não apenas como um corpo bonito.

ALMERINDA: Deixa de ser tonto! Te enxerga desse jeito porque não sabe quem você de verdade, não sabe as coisas que você faz pra consegui grana. E claro, não sabe que você tá sendo pago pra ser amigo dele.

´´FLASHBACK OFF’’

Diego olha para Ueslei. Continua malhando, preocupado e pensativo.CORTA PARA/

 

CENA 17. FAZENDA DE IZAEL. CASINHA DOS EMPREGADOS. SALA. INT. DIA.

Dália arruma o ambiente. Observa William, aparentemente mal humorado.

DÁLIA: Meu filho, você tá bem?

WILLIAM: E porque não estaria?

DÁLIA: Você voltou estranho ontem à noite. Aconteceu alguma coisa?

WILLIAM: (Firme) O que poderia ter acontecido? Que saco! Será que tenho que tá de bem com a vida o tempo todo? Não posso ficar de mal humor?

DÁLIA: Não é isso, meu filho, é que/

WILLIAM: (CORTA) Ontem eu fui ver as estrelas, relaxar um pouco, e só! Queria mais o quê?! (T) E agora a senhora me dê licença que eu tenho mais o que fazer!

William pega sua enxada, joga sua camisa no ombro e sai batendo a porta bruscamente. Dália observa desconfiada. CORTA PARA/

 

CENA 18. ACADEMIA DE MALHAÇÃO. INT. DIA

Diego desce de um dos aparelhos, pega sua mochila e se aproxima do balcão.

DIEGO: É, Ueslei eu já terminei de malhar e queria saber se... Será que eu posso conversar com você agora?

UESLEI: Claro! Mas, aconteceu alguma coisa?

DIEGO: Não. É que eu acho que tem algumas coisas sobre mim que você precisa saber. Na verdade, já deveria ter sabido!

Diego e Ueslei se olham. Ueslei curioso. Diego receoso.Clima tenso.

FIM DO CAPÍTULO!