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01. PRIMEIRO CAPÍTULO

ESTRELA CADENTE


SOBRE O CAPÍTULO

Eliete ordena que seus seguranças deem uma surra em seu pai, deixando Jader horrorizado

 

ESTRELA CADENTE

 CAPÍTULO 01

 

Novela de

Lucas Oliveira

 

Direção

Rennan Lopes

Vitor Abou

 

Direção Artística

Vitor Abou

  

CENA 01. EDIFÍCIO PLARES. APARTAMENTO 121. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

LEGENDA: Rio de Janeiro, 1999.

Uma jovem (aproximadamente 18 anos, negra, alta, traja roupas discretas) coloca um vazo de flores em cima da mesa de centro. Em frente ao espelho a bela jovem penteia seus cabelos, entusiasmada. A porta bate, ela vira-se no ato, abre um largo sorriso, a sua frente um HOMEM (aproximadamente 29 anos, branco, alto, traja uma roupa simples), ela corre até ele e o beija com avidez.

JOVEM: (correndo para abraçá-lo) Meu amor, que bom que chegou. Estava ansiosa a sua espera.

HOMEM: Hoje a manhã foi corrida lá na agência, mas consegui chegar a tempo para almoçar com meu amor (Risos). Posso saber o que você preparou, Fabiana?

FABIANA: Tudo do bom e do melhor, Jader. Tudo que você gosta está no cardápio de hoje. Afinal, hoje faz um ano que moramos juntos e essa data não poderia passar em branco.

JADER: Claro que não! (Senta-se no sofá) Agora vai fazer o prato do seu amor e traz logo aqui, porque eu estou morrendo de fome.

FABIANA: (Decepcionada/incrédula) Como assim? Eu pensei que íamos almoçar juntos, na mesa, conversando, rindo, ou que pelo o menos que você fosse me fazer alguma surpresa.

JADER: Ah, eu já entendi. É sempre assim! Quando a esmola é demais, o santo desconfia. Você sempre faz essas coisas esperando alguma coisa em troca, não é, Fabiana?! Se for assim, nem precisava fazer.

FABIANA: (irritada) Nossa! Como você é insensível.

JADER: (contido/respira fundo) Fabiana, eu sei o que você estava esperando. Quer que eu oficialize nossa união, não é? Que eu te peça em casamento. Mas meu amor, as coisas não são assim. Nada é de uma hora para outra, e quando for à hora certa, pode ficar tranquila que você será a primeira a saber.

FABIANA: (triste) E quando será essa hora, Jader? Eu não aguento mais esperar, criar esperanças e me frustrar. Quando a gente se conheceu eu ainda era menor de idade, hoje estamos fazendo um ano juntos, e em todo esse tempo, tudo o que eu esperava ouvir de você era um: “Quer casar comigo? ”. Mas não, esse dia nunca chega, esse pedido nunca acontece. Será que é tão difícil entender o que eu sinto?

JADER: (abraçando-a) Claro que não, meu amor. (Olhando-a nos olhos). Mas presta atenção: eu te amo! Grava isso na sua mente e não se esqueça, porque isso nunca vai mudar. Em breve a gente vai se casar e ser muito feliz. Mas não fica agoniada. Eu resolvo algumas coisas antes e aí tudo se acertará. O importante é que a gente está aqui, junto. O importante é esse nosso elo, que eu sei que existe amor, está selado. E isso é bem maior que qualquer pedaço de papel. 

Ele a beija. Beijo singelo e demorado. Em seguida, abraçados, os dois se dirigem até a cozinha. CORTA PARA/

 

CENA 02. AGÊNCIA DE TURISMO SCAR. SALA DA PRESIDÊNCIA. INT. DIA.

Uma mulher (Alta, cabelos pretos e longos, de postura elegante, trajando roupas chiques e com aproximadamente 28 anos), fala ao telefone enquanto está sentada em sua cadeira giratória. Nesse instante, sua secretária, adentra o local.

SECRETÁRIA: (eufórica) Dona Eliete, Desculpa incomodar, mas é que eu preciso urgentemente falar com a senhora.

ELIETE: O que foi?! Não vê que eu estou falando ao telefone?! Anda, fala logo de uma vez!

SECRETÁRIA: É que tem um homem lá na recepção que insiste em falar com a senhora. Ele grita em alto e bom som que não vai embora se não falar com a super poderosa Eliete Marques.

ELIETE: E de quem se trata? Qual o nome do infeliz?

SECRETÁRIA: Não sei. Ele não quis falar. Chamo o segurança?

ELIETE: (Curiosa) Não! Eu vou atendê-lo. Mande-o esperar.

SECRETÁRIA: Sim senhora! (Retira-se).

Eliete desliga o telefone, levanta-se e também se retira de sua sala. CORTA PARA/

 

CENA 03. AGÊNCIA DE TURISMO SCAR. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Eliete caminha em direção ao homem que insiste em falar com a mesma. O homem é um senhor de idade avançada, que está de costa. Vira-se e se surpreende ao ver a rica empresária.

IDOSO: (Surpreso) Meu Deus! Como você mudou. Nem parece aquela frágil criança que brincava de roda na rua com uns simples chinelos velhos.

ELIETE: (Fria) O que faz aqui?

IDOSO: Acho melhor irmos até sua sala. Não fica bem falarmos na frente dos funcionários, minha fi.../

ELIETE: (CORTA) Não ousa terminar essa frase! Não precisa ir pra minha sala. Anda, fala logo o que você quer! Pra me procurar depois de tanto tempo, só pode ser dinheiro. Deve ter me visto em alguma propaganda de revista e veio correndo tentar ganhar algum, não é mesmo, seu velho!

IDOSO: É que minha situação financeira anda difícil, eu preciso de dinheiro pra comer, pra comprar remédios, porque minha saúde também vai mal.

ELIETE: Isso é problema seu, não meu! Do meu dinheiro, você não verá um centavo sequer.

O idoso se enfurece e parte pra cima de Eliete. Ele tenta puxar seu cabelo e rasgar sua roupa. Ela tenta se defender. Eliete grita. Um grande reboliço se forma. Os funcionários e secretárias tentam controlar o velho, mas não consegue.  Descontrolado, ele sai quebrando toda a agência.

ELIETE: (No chão) Chamem o segurança! Mandem tirar esse velho daqui e darem uma coça nele. Agora!

Nesse momento, Jader chega à agência, olha espantado com a confusão e corre ao encontro de Eliete que está caída no chão com as roupas rasgadas.

JADER: (ajudando-a a levantar) Meu Deus, o que está acontecendo aqui?

ELIETE: Não pergunta nada, Jader. Só me abraça!

Os seguranças conseguem conter o velho, e o seguram, lhe arrastando pelo braço. O velho grita, se debate. Jader acompanha Eliete até sua sala, abraçados. CORTA PARA/

 

CENA 04. AGÊNCIA DE TURISMO SCAR. FUNDOS. INT. DIA.

Os seguranças jogam o idoso nos fundos da agência. Em meio a uma extrema bagunça.

IDOSO: (confuso) O que eu tô fazendo aqui? Pra quê vocês me trouxeram pra cá?

SEGURANÇA 1: Pra te dar uma coça, velho maldito! Uma surra que tu jamais vai esquecer!

IDOSO: (assustado) Não! Vocês não podem fazer isso.

SEGURANÇA 2 (frio): Foi ordem da patroa. E ordens são ordens, meu caro. Não se discute!

Impiedosos, os seguranças começam a bater no velho. Em meio a chutes e socos, o velho geme de dor e sangra. CORTA PARA/

 

CENA 05. COPACABANA. PRAIA. EXT. DIA.

Um homem (Alto, em forma, negro, com cabelos dread, sunga vermelha e uns 21 anos), corre pelas areias da praia chamando a atenção e jogando charme para a mulherada. Ele para em um quiosque, e faz sinal para o dono.

DONO DO QUIOSQUE: Fala, Greg. O que vai ser?

GREG: Me trás uma água de coco bem geladinha. O calor tá demais!

Nesse instante, aproxima-se dele uma mulher (Alta, branca, aparentemente rica, e com biquíni fio dental) que joga charme, e Greg logo saca.

GREG: (APROXIMANDO-SE/SORRINDO) Você vem sempre aqui?

MULHER: (dócil) Não! Eu não moro aqui no Rio de Janeiro. Na verdade, eu estava de longe te olhando correr, e achei você tão em casa, à vontade. Como se já dominasse o ambiente. (Risos)

GREG: (Jogando charme) E domino mesmo. Conheço tudo muito bem por aqui. (Risos).

MULHER: (Maliciosa) Curioso isso, porque ao mesmo tempo em que você se sente tão à vontade, eu me sinto tão perdida, tão sozinha... Eu não conheço praticamente nada aqui no Rio.

GREG: (Sorrindo) Opa! Você falou com a pessoa certa, gata! Agora você não está mais sozinha. Se quiser, eu lhe apresento o que desejar conhecer, e de quebra ainda me torno a companhia que procura.

MULHER: (Sussurrando no ouvindo) Até no meu quarto?

GREG: Até lá! (Riso) Onde você tá hospedada?

MULHER: Aqui mesmo, no hotel. (Firme) E aí, vamos?

GREG: Só se for agora! (Riso).

Greg abandona sua água de coco, abraça a turista pela cintura, e com ela vai até o quarto da moça, no Hotel em frente à praia. CORTA PARA/

 

CENA 06. AGÊNCIA DE TURISMO SCAR. SALA DA PRESIDÊNCIA. INT. DIA.

Sentada em sua cadeira, Eliete bebe um copo D’água.

JADER: E então, Eliete. Mas calma?

ELIETE: Tô sim! Obrigada, Jader. Se não fosse você, eu nem sei.

JADER: Quê isso, eu não fiz nada. Agora me diz: Quem era aquele cara e porque ele estava fazendo aquilo?

ELIETE: (respira fundo) É...(T) Não é fácil falar! Aquele homem, aquele velho nojento... É meu pai! Eu sou fruto daquele verme, Jader.

JADER: (chocado) Meu Deus! Eu já imaginava que podia ser isso. Mas porque tanta repulsa, tanto ódio dele?

ELIETE: (segurando o choro) Aquele homem era um monstro! Foi ele quem matou a minha mãe, e foi morando com ele que eu tive que aguentar as maiores humilhações, surras, tentativas de abusos. Enfim, sempre foi um infeliz. Um verme! Quando eu sair de casa, eu sair disposta a vencer e foi isso que eu fiz, venci! E você acha, Jader, que depois de todo esse tempo, depois de tudo que ele fez comigo, e sabendo que ele veio me procurar aqui unicamente por saber que eu tô rica, eu deveria tratá-lo bem? Não! Quando eu olhei pra cara dele....Putz! Não dar pra apagar o passado.

JADER: (Aproximando-se dela) Nossa, Eliete. Que triste! Agora eu consigo imaginar exatamente o que você deve ter sentido.

ELIETE: É. Mas tudo acontece na hora certa. A nossa viagem veio no momento certo, Jader. Além de trabalhar, eu vou poder apagar um pouco tudo o que aconteceu, e só em estar ao teu lado, já traz uma grande paz para mim.

JADER: (surpreso) Espera aí, que viagem?

ELIETE: Ué, a viagem de negócios. Eu preciso tratar com alguns empresários no Uruguai, e aqui dentro, você é o mais gabaritado para me acompanhar.

JADER: De quanto tempo é essa viagem?

ELIETE: Olha, eu não sei ao certo. Mas acho que em três semanas conseguiremos resolver tudo o que for pendente. No mais tardar, um mês!

JADER: (espantado) Um mês? Não, Eliete. É muito tempo!

ELIETE: Você tem algum compromisso?

JADER: Eliete, hoje a Fabiana e eu fizemos um ano em que estamos morando juntos. E o maior sonho dela, é o nosso casamento. Eu a prometi hoje que iria resolver isso logo, e essa viagem só vai atrasar tudo ainda mais.

ELIETE: E o que é que tem, Jader? Adia mais um pouco esse casamento. Os negócios da agência que envolvem milhões e são urgentes, são bem mais importantes do que algo que pode esperar mais um pouco, você não acha?!

Jader se preocupa. Ele leva a mão à cabeça. Eliete nota e se aproxima dele, O olhando de cima a baixo com desejo. Ao tocá-lo, um segurança invade sua sala.

SEGURANÇA: Dona Eliete!

ELIETE: (Nervosa/Se recompondo) Mas é o cúmulo do absurdo! Será que vocês esqueceram que tem que bater na porta antes de entrar? Da próxima vez que isso acontecer, será demissão na certa!

SEGURANÇA: Me desculpe, mas o que eu vim avisar é algo urgente.

ELIETE: O que aconteceu?

SEGURANÇA: É que a senhora mandou dar uma surra no cara que estava quebrando tudo aqui na agência, e eu dei. Só que como ele estava velho e fraco, acabou não resistindo.

ELIETE: Como assim?

SEGURANÇA: Ele está lá, atirado nos fundos da agência. Morto!

Eliete em choque. Paralisados, ela e Jader se entreolham. Clima tenso. Eliete fria.

JADER: (incrédulo) Morto? Você tem certeza do que está falando?

SEGURANÇA: Tenho, sim senhor! Eu chequei muito bem. O homem tava velho, fraco, e não resistiu. A gente bateu com força, Dona Eliete. Demos uma coça das boas, como a senhora ordenou.

ELIETE: (Fria) E fez muito bem feito!

JADER: (sem entender) Como assim, Eliete? Eles mataram o seu...Você sabe! Tem noção do que aconteceu?! Isso é caso de demissão e, além disso, de polícia.

SEGURANÇA: (Preocupado) Mas eu não posso levar a culpa de nada. Foi a Dona Eliete quem mandou. E aqui dentro, assim como o senhor, eu só cumpro ordens.

ELIETE: Exatamente, Jader. Foi eu que mandei os seguranças baterem no velho, e eles fizeram muito bem. Agora o que você tem que fazer é darem um jeito de se livrar do corpo daquele verme, e muito bem, pra não deixar vestígios. VÁ!

SEGURANÇA: Sim, senhora! (Retirando-se).

Jader olha boquiaberto para Eliete, visivelmente espantado com a frieza.

ELIETE: Porque você tá me olhando desse jeito?

JADER: Eu ainda não acredito no que eu acabei de presenciar.

ELIETE: (Riso leve) Eu apenas fui prática, meu querido. Se morreu, enterra! Você já esqueceu tudo que eu te contei em relação a esse homem? E também ele era apenas um indigente que vivia andando pelas ruas. Ninguém vai notar.

JADER: Sim, mas isso não te dar o direito de matar, de tirar a vida de um ser humano, Eliete.

ELIETE:Eu não o matei!

JADER: Mas deu ordens pra surra-lo, mesmo sabendo que, um velho daquela idade, não aguentaria.

ELIETE: (Segura) E quem é você pra me julgar?

Jader se cala. Fica sem resposta.

ELIETE: Você é de carne como eu, Jader. E se eu errei ou não, não é você e nem ninguém nessa terra, que vai apontar o dedo pra mim. Agora por favor, seja discreto e trate de se organizar pra viajarmos amanhã cedo.

JADER: Tudo bem. Você quem sabe!(T) Bom, eu vou indo. Até mais, Eliete. Tchau! (Retirando-se)

ELIETE: Tchau...

Jader sai e bate a porta. Eliete, fria, vira-se em sua cadeira e derrama lágrimas por um dos olhos. Ela imediatamente a limpa e volta a mexer em seus papéis. CORTA PARA/

 

CENA 07. RIO DE JANEIRO. EXT. NOITE

Anoitece. Planos gerais de diferentes pontos turísticos da cidade. CORTA PARA/

 

CENA 08.EDIFÍCIO PLARES. APARTAMENTO 121. QUARTO. INT. NOITE

Fabiana está deitada na cama lendo um livro. Jader adentra o quarto, deixando a jovem radiante.

FABIANA: (Feliz) Meu amor! Que bom que chegou! Estou aqui prontinha te esperando (Risos).

JADER: (Sem jeito) É... Fabiana, eu preciso falar com você.

FABIANA: (curiosa) O quê foi, Jader? O que aconteceu?

Jader aproxima-se de Fabiana. Ele se senta na cama, ao seu lado.

JADER: Aconteceu uma confusão horrível lá na agência hoje à tarde. Mas tudo já foi revolvido. E o que não foi, não me interessa.

FABIANA: Como assim? Vai direto ao assunto.

JADER: Coisas da Eliete. O fato, é que ela só me contou hoje sobre uma viagem muito importante que teremos que fazer para o Uruguai. E essa viagem, é amanhã.

FABIANA: Amanhã?! Como é que pode uma coisa dessas?! Não tem como você se preparar pra uma viagem pra o Uruguai em cima da hora. Essa mulher ficou maluca?

JADER: Lá na agência é assim. É ela quem manda. Não tem o que fazer!

FABIANA: Bom, mas e de quantos dias será essa viagem?

JADER: É aí que eu queria chegar. Antes de qualquer coisa, meu amor, eu te peço compreensão. Eu sei que prometi marcar logo a data do nosso casamento, mas a vida é assim. Mas eu vou marcar. Disso você pode ficar tranquila.

FABIANA: (Nervosa) Fala logo de uma vez, Jader. De quantos dias será essa viagem?

JADER: Pode chegar até um mês!

FABIANA: (irritada) Um mês?! Meu Deus do céu, o que você vai fazer lá, afinal? Catar os piolhos da cabeça de todos os Uruguaios?

JADER: Calma, Fabiana. É que vamos tratar com vários empresários, várias reuniões. É um negócio que envolve milhões. Precisa de cautela. Por favor, diz que entende. Diz que vai esperar e que não vai ficar chateada.

FABIANA: (Segurando o choro) Eu sempre entendo, né Jader?! Tô de saco cheio já! Mas tudo bem. Vai pra sua viagem, vai ajudar sua patroa a faturar milhões. Mas eu espero que pelo o menos depois que você voltar, honre a promessa que me fez, ok?!

Raivosa, Fabiana levanta-se e entra no banheiro de seu quarto, batendo a porta de forma brusca. Jader respira fundo e dá um soco sobre a cama. CORTA PARA/

 

CENA 09. QUARTO DE HOTEL. INT. NOITE.

A turista deitada na cama apenas de lingerie. Greg está em pé se vestindo. Ela lhe admira.

GREG: E então, gata. Gostou?

MULHER: (mordendo os lábios) Nossa... Foi bom demais! Você superou todas minhas expectativas.

GREG: (sorrindo) Surpreender é uma das coisas que faço de melhor (risos).

MULHER: Seu cheiro, seu corpo, sua brasilidade incorporada nessa pela negra, gostosa... Putz. É uma pena que não moro aqui pra experimentar sempre.

GREG: Pena não, minha cara. Você teve foi muita sorte. Muitas querem, mas não são todas que conseguem desfrutar desse corpinho aqui não. Você desfrutou uma vez, então se sinta privilegiada. (riso) Não é pra qualquer uma.

A moça se levanta indo até Greg, dando-lhe o último beijo.

MULHER: Quando voltar ao Rio, sim, eu voltarei sem dúvidas (risos), eu te procuro de novo, viu?

GREG: Pode deixar! Deixei meu telefone anotado em um papel ao lado da cama. Agora eu vou indo, tenha uma boa noite e até algum dia!

Ele a beija. Em seguida, pega sua mochila e sai do quarto. A mulher se joga na cama e sorrir radiante. CORTA PARA/

 

CENA 10. FAZENDA DE IZAEL. QUARTO. INT. NOITE

Uma fazenda calma, tranquila. Ouvem-se barulhos de cigarras. Uma mulher (Alta, branca, cabelos negros, e com 23 anos) fecha a janela. Em seguida, deita-se na cama. Uma criança (Cabelos lisos, olhos castanhos escuros e aproximadamente uns 5 anos) entra correndo ao quarto e se joga na cama.

MULHER: Meu filho, pelo amor de Deus, desça daí! Já disse para você não entrar desse jeito no meu quarto, Paulo. Quê mania!

PAULO: (manhoso) Ah, mãe. É que eu não queria ficar sozinho. Não tô conseguido dormir. (T) Me deixa dormi aqui hoje?

Um homem (Aparência rude, alto, branco, cabelos negros e com 29 anos), sai do banho, enrolado apenas com uma toalha.

HOMEM: (Firme) Não, Paulo! Eu não deixo você dormi aqui. Se você dormir aqui hoje, vicia. E cama de pai e mãe, não é lugar de filho dormi.

MULHER: Mas Izael, meu amor. Releve. É só hoje.

IZAEL: (Autoritário) Não, Marisa. Eu já disse que não! (T) Paulo, vai para o seu quarto agora! (Gritando) ANDA!

O menino sai triste, de cabeça baixa e bate a porta.

MARISA: Izael, me diz: Pra quê tudo isso?! Fala isso tudo, como se si importasse em dividir a cama comigo. Como se fosse importante pra você dormir ao meu lado.

IZAEL: E você acha que não me importo?

MARISA: Sinceramente?  Não! (T) Izael, você não me toca mais, não me dá mais carinho, não me procura nem pra... você sabe. Então a imagem que passa é de que realmente, você não se importa nem um pingo comigo.

IZAEL: Francamente, Marisa. A gente já tem um filho, somos casados à 5 anos, e você quer que seja a mesma coisa do começo?! Impossível!

MARISA: Não estou dizendo que tem que ser igual, mais a chama do casamento, a vontade de está junto da pessoa, isso não pode se apagar, Izael. Se tiver apagando, é porque o sentimento também está.

IZAEL: (Entediado) Olha, vamos parar com esse papo chato?! Eu tô cansado, e quero deitar e dormi. Se você deixar, é claro. E aí, vai ficar quieta ou vai ser difícil?

Marisa encara Izael com raiva. Ela vira-se para o outro lado da cama e se cobre com o cobertor, chorando em silêncio. Izael apaga a luz, e se deita ao seu lado na cama. CORTA PARA/

 

CENA 11. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

SONOPLASTIA:  INSTRUMENTAL WAVE – TOM JOBIM

Amanhece. Planos gerais.  CORTA PARA;

 

CENA 12. EDIFÍCIO PLARES. FACHADA. EXT. DIA.

Sonoplastia cessa. Eliete para seu carro em frete ao edifício. Jader e Fabiana estão se despedindo. Ele está segurando uma mala.

FABIANA: Se cuida, Jader. E me der notícias sempre.

JADER: Pode deixar, meu amor. Não vou fazer outra coisa nessa viagem que não seja pensar em você.

Eles sorriem e se beijam. Eliete se aproxima chamando atenção do casal.

ELIETE: (Incomodada) Será que dar pra adiantar um pouquinho?! Jader, se continuar nesse ritmo, vamos perder o voo, meu querido.

JADER: Eu já estou indo, Eliete.

Jader dá mais uma beijo em Fabiana e em seguida leva sua mala até o carro de Eliete. Fabiana e Eliete se encaram.

FABIANA: (irônica) Fica com pressa não, Eliete Marques. (riso). Ele está apenas se despedindo da companheira dele. Já você, veja só que triste, é sozinha e não tem de quem se despedir, não é mesmo?!

ELIETE: (Maliciosa) Fica tranquila, minha querida. Pode deixar que eu vou cuidar muito bem do seu futuro marido. Não precisa nem se preocupar. Ele estará em ótimas mãos, não tenha dúvidas. (risos).

Ela se vira e vai em direção ao seu carro. Fabiana furiosa. Jader senta-se no banco de trás. De dentro do carro, Eliete encara Fabiana e ri.

JADER: (Gritando) Tchau, meu amor! Não esquece que eu te amo. (Despedindo de dentro do carro).

Fabiana acena para Jader, dando um leve sorriso de canto de boca. O carro avança. O porteiro do edifício aproxima-se de Fabiana. Ele trás vários folhetos na mão.

PORTEIRO: Licença, Fabiana. Deixa só eu lhe entregar isto. (Entregando-lhe o folheto)

FABIANA: (Pegando) O que é isto?

PORTEIRO: É um anúncio de uma boate nova que vai abrir aqui mesmo no bairro. Vai ser hoje à noite.

FABIANA: (Lendo) Ah. Parece que será legal. Mas eu não vou. Se ao menos o Jader tivesse aqui, mas ele acabou de viajar.

PORTEIRO: Ué, por isso mesmo. Mas um motivo pra senhorita ir. Vai passar a noite sozinha no seu apartamento, olhando para o teto?

FABIANA: (Pensativa) É. Eu vou pensar direitinho. Quem sabe eu não vá?! (risos). Bom dia, querido.

Fabiana entra no edifício. O porteiro observa a jovem. CORTA PARA/

 

CENA 13. RIO DE JANEIRO. PRAIA. EXT. NOITE.

Anoitece. CAM percorre uma praia, bastante iluminada, mas praticamente vazia. CORTA PARA/

 

CENA 14. EDIFÍCIO PLARES. APARTAMENTO 121. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Fabiana está deitada no sofá, pensativa. Ela olha o anúncio da boate, pensa em ir, mas resiste. Coloca o papel ao lado. Indecisa, volta a pegar o folheto.

FABIANA: (Animada) É. Vai ser melhor eu ir. Melhor do que ficar aqui em casa, olhando para o teto, com certeza vai ser. (risos).

Ela se levanta animada, e vai em direção ao quarto, para se arrumar. CORTA PARA/

 

CENA 15. BALADA WEVE. PISTA DE DANÇA. INT. NOITE.

Há uma grande movimentação no local. Música alta, muitas pessoas dançando, bebidas, beijos, garçons e seguranças circulam no ambiente. Greg está sentado no bar da boate. Fabiana chega ao local e fica um pouco travada. Ela faz expressão de incômodo, se esbarra em algumas pessoas e tenta tampar os ouvidos por conta da música alta. Greg está tomando um drink. Fabiana se aproxima do bar e senta ao seu lado. Ao levantar, Greg tropeça e acaba derramando o drink sobre Fabiana.

FABIANA: (Levantando-se/Irritada) Olha só o que você fez com a minha roupa, seu maluco!

GREG: Calma, gata. Foi sem querer! Pode deixar que eu limpo, e lhe pago um drink também, se você quiser.

Fabiana levanta a cabeça e olha para Greg. Uma atração imediata pelo rapaz a toma. Greg mostra-se visivelmente interessado na moça, dando um grande sorriso ao olhar-la.

FABIANA: (Serena) Não, não precisa! Não molhou muito.

GREG: Mas mesmo assim eu faço questão. Sente-se ao meu lado e me acompanhe com um drink. Eu pago! É o mínimo que eu poderia fazer, depois de toda essa indelicadeza.

FABIANA: (Nitidamente encantada) Não foi culpa sua. Mas se você insiste, eu aceito sim... mas somente o drink (risos).

GREG: (Malicioso) Lógico que é apenas um drink que quero lhe oferecer. O que mais seria?

FABIANA: (Sem jeito) Não, é que esse seu olhar...

GREG: O que tem?

FABIANA: (Tímida) Sei lá. É que você tá me olhando de um jeito, como se tivesse me comendo com os olhos, entende?! Eu fico sem jeito (riso).

GREG: Poxa, me desculpe! Não é a minha intenção constrange-la. Ah não ser que você queria algo além que um olhar.

FABIANA: (Desviando o olhar) Não, não. Eu sou comprometida. Acho melhor cancelar o drink.

Fabiana levanta, Greg a pega pelo braço. Eles se olham.

GREG: Sabe o que eu vejo nos seus olhos? Que você diz que não, mas que no fundo quer justamente o contrário.

FABIANA: (Temerosa) Quê contrário?

GREG: Esse!

Greg a segura forte, e a rouba um beijo. Um beijo demorado e fogoso. Fabiana resiste no começo, mais logo se entrega. Em seguida, ela o empurra, lhe dando uma forte tapa na cara. Os dois se encaram. Clima tenso.

FIM DO CAPÍTULO!