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SÉRIES

ELO DE AMIZADE

1 TEMPORADA


Vitor e Michel são amigos desde a infância. Vizinhos, eles cresceram juntos. Ainda quando criança, Vitor perdeu os pais em um grave acidente de carro, e foi Giovana, a mãe de seu melhor amigo, que o terminou de criar. Mas o destino pode acabar separando esses dois amigos.

Lucas Luciano Pires
AUTOR

02. SEGUNDO CAPÍTULO

Uma minissérie de
LUCAS OLIVEIRA

CENA 01. PRAÇA. EXT. NOITE.

Continuação imediata do capítulo anterior. Antonella e Vitor caminham pelo local.

MICHEL: E aí, gostou da surpresa?

ANTONELLA: Gostei! Mas, sinceramente, não era necessariamente neste lugar que eu imaginei que iria me trazer. (Riso).

MICHEL: É, eu sei que não. Mas como eu falei, eu gosto de surpreender! Pensei muito em você, gata! Passei o dia inteiro doido para o tempo passar rápido e eu poder te ligar.

ANTONELLA: (Sorri) Senti a mesma coisa. O que será que está acontecendo com a gente, hein? Paixão?

MICHEL: Não. Eu acho que é amor. Porque, senão, jamais estaria fazendo o que eu vou fazer agora.

Michel pega as mãos de Antonella a olhando fixamente.

MICHEL: Antonella, você quer namorar comigo?

Michel sorridente. Antonella atônita, com brilho nos olhos.

ANTONELLA: Nossa! Eu não esperava. Você gosta mesmo de surpreender, viu moleque?!

MICHEL: E como! Fala, você vai aceitar ou não?

ANTONELLA: E tem que ser assim? Sem pensar, nem nada?

MICHEL: Eu não preciso pensar em nada. Eu quero você e ponto final. E você me quer?

ANTONELLA: É claro que eu quero!

MICHEL: Então me beija logo de uma vez, vai.

ANTONELLA: Você é o cara mais doido que eu já conheci, sabia? (Riso) Mas tenho certeza que vai me fazer muito feliz.

MICHEL: E vou mesmo, minha NA – MO – RA – DA!

Eles riem. Beijam-se com vontade. CORTA PARA/

 

CENA 02. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

Amanhece. PANORAMA da grande metrópole. CORTA PARA/

CENA 03. CASA DE CLARA. QUARTO DE PAULINHO. INT. DIA.

Guto adentra o local. Paulinho deitado, pensativo.

GUTO: Filho! Paulinho, você ainda está assim? Sua mãe já foi trabalhar e eu é que vou te levar à escola. Hoje você vai pela manhã. Desce pra tomar café e depois se arrumar, vai.

PAULINHO: Eu não quero ir pra escola. Eu não quero mais ir pra lugar nenhum!

Paulinho levanta-se da cama fazendo birra.

GUTO: Mas meu filho, por que tudo isso? Me diz? Você tem tudo, roupa, comida, brinquedos... O que tá te faltando, hein? Até agora eu não entendi porque você fugiu ontem. Isso não se faz.

PAULINHO: Aqui eu nunca faço nada, nunca tem nada pra eu fazer. Eu só estava jogando bolas com os meninos da outra rua, e quando a mamãe chegou, estragou tudo.

GUTO: E você acha isso certo? Com certeza os pais desses meninos que deixam um monte de crianças soltas no meio da rua, não estão nem aí pra eles. A gente só quer te proteger. E brinquedo, você tem aqui em casa. Não precisa sair na rua pra brincar.

PAULINHO: Papai, mas eu não quero só brinquedos, eu quero alguém pra poder brincar.

Guto em silêncio. Levanta-se em direção a porta

GUTO: É... Se arrume e desça. O senhor não perderá aula hoje! Tô lhe esperando.

Guto sai e bate a porta. Paulinho tristonho. CORTA PARA/

 

CENA 04. CASA DE MICHEL. FACHADA. EXT. DIA.

Michel monta em sua moto.  

MICHEL: Putz! Esqueci o capacete.

Michel desce rapidamente e entra em casa.

Tiago aproxima-se e faz uma pequena sabotagem na moto mexendo disfarçadamente.

TIAGO: (Pra si mesmo) Quero só ver como aquele babaca vai fazer pra chegar no trabalho com essa moto quebrada. Atraso logo no segundo dia de trabalho, é intolerável. (Debochado) Coitado!

Tiago sai. Michel volta com o capacete em mãos seguido por Giovana.

GIOVANA: Vai logo, meu filho! Você já está atrasado.

MICHEL: Já estou indo. Ah, prepara um jantar bem gostoso que, quando eu voltar, vou trazer uma surpresa, tá.

GIOVANA: E eu posso saber que surpresa é essa?

MICHEL: Já disse, quando eu voltar, você verá!

Michel acelera a moto, que não funciona.

MICHEL: Caraca! E agora? Não acredito que essa merda parou de funcionar logo agora.

GIOVANA: O que aconteceu, meu filho? Faltou gasolina?

MICHEL: Não sei, mãe. Acho que não, eu abasteci há pouco tempo! Pior que eu já estou atrasado... Já sei, vou ter que ir de ônibus.

GIOVANA: De ônibus?

MICHEL: É mãe. E bota a moto pra dentro, quando eu chegar, olho ela.

Michel joga a chave para Giovana e sai correndo.

GIOVANA: Ai, meu Deus...

Ela balança a cabeça negativamente. CORTA PARA/

 

CENA 05. MANSÃO CASTRO. QUARTO DE ANTONELLA. INT. DIA.

Antonella e Jacó sentados na cama. Conversam.

ANTONELLA: (Eufórica) Ai, Jacó. Foi tudo tão lindo. O Michel me levou numa praça, acredita? E lá me pediu em namoro, falou de amor...

JACÓ: Antonella, você não acha que pode está se iludindo não, minha irmã? Sei lá, esse cara apareceu um dia desses, e tudo está acontecendo rápido demais.

ANTONELLA: Mas, quando o sentimento é verdadeiro, é assim! A gente não precisa esperar, porque tem certeza do que está sentindo. E eu tenho certeza.

JACÓ: Então só te desejo felicidades. Que Deus possa abençoar vocês dois. E não se esqueça, botando ele na frente tudo sempre dá certo. Pretende contar para nossos pais?

ANTONELLA: No meio dessa crise que estão enfrentando? Só se eu estivesse louca! Primeiro o Michel vai me apresentar à mãe dele, e só depois vem a parte mais díficil... Mas com fé em Deus, tudo vai dar certo. Ah se vai!

Em Antonella, confiante. CORTA PARA/

 

CENA 06. RIO DE JANEIRO. EXT. NOITE.

Anoitece. Planos gerais de diferentes pontos da cidade. CORTA PARA/

 

CENA 07. CASA DE MICHEL. COZINHA. INT. NOITE.

Giovana colocando a mesa para o jantar. Michel adentra o local todo sujo de lama.

GIOVANA: Ah, meu filho. Chegou na hora certa. Acabei de colocar o jantar. (Notando a sujeira) Michel, o que foi isso na sua roupa?

MICHEL: Mãe, lembra da surpresa que disse que iria trazer? Pois então, não deu pra trazer. Eu estava pensando em buscar a Antonella para você conhecer, a garota maravilhosa que eu já estou namorando. Mas, quase chegando em casa, um carro passou em uma poça de lama e me sujou todo! Olha o meu estado! Mas amanhã mesmo eu dou uma olhada na moto e concerto.

GIOVANA: Troca logo essa roupa e vai tomar um banho. (T) Então quer dizer que você pediu mesmo a riquinha em namoro?

MICHEL: Pedi, mãe. A Antonella não é apenas uma riquinha, ela é especial. E me conquistou. Tenho certeza que se a senhora conhecesse, iria gostar. Aliás, a senhora vai conhecer, e vai entender o que eu tô falando.

Em Michel, animado. CORTA PARA/

 

CENA 08. MANSÃO CASTRO. SALA. INT. NOITE.  

Suzete e Adoniran, em pés, discutem. Denise está sentada no sofá.

ADONIRAN: Você é louca, Suzete. Olha a hora que você vem brigar comigo. Chego cansado do trabalho e fico querendo um pouco de paz, mas do teu lado é impossível. Não só pra mim, mas pra qualquer um que viva junto de ti.

SUZETE: Você me ignora, finge que não existo e ainda fica trocando olhares com a Denise, minha amiga. E não adianta negar porque eu vi muito bem. Essa não é a primeira vez. Tenha um pouco de decência, Adoniran.

ADONIRAN: Eu fico me perguntando: Se está tão ruim assim viver comigo, então o que você ainda está fazendo aqui? Por que não se manda? (Grita) Porque não VA-ZA LOGO? TÁ ESPERANDO O QUÊ?

Suzete pega sua bolsa em cima do sofá.

SUZETE: (Nervosa) É isso mesmo que eu vou fazer. Aliás, já era pra eu ter feito há muito tempo!

DENISE: Calma, amiga. Pelo amor de Deus! Não faça nada de cabeça quente, por favor!

SUZETE: Você tá vendo, Denise. Minha situação com esse homem não tem mais jeito. E eu não tenho mais o que fazer aqui!

Jacó e Antonella descem as escadas. Um silêncio se forma.

ANTONELLA: Que clima é esse aqui? Mais uma briga de vocês?

SUZETE: Sim. Mas te garanto que será a última, filha. Estou indo embora de casa. E você vem comigo!

ANTONELLA: Como é que é? Eu não vou embora com você não, mamãe. Já sou maior de idade. Quem decide isso sou eu!

SUZETE: Você não tem escolha, Antotella. Vou me separar de seu pai e estou indo embora não só dessa casa, mas também do país. Seu irmão é independente, mas você não. Depende de mim. E se eu estou dizendo que você vai comigo, é porque vai!

ADONIRAN: Para com isso, sua maluca. É a menina quem decide se ela quer ir ou não. Você não pode forçá-la.

JACÓ: Mãe, pelo amor de Deus. A senhora não pode fazer isso!

SUZETE: (Irritada) E quem é você pra dizer o que eu posso ou o que eu não posso fazer? Ah, faça-me um favor! Vá logo arrumar suas coisas, Antonella. Amanhã mesmo estaremos partindo. VÁ!

Antonella abaixa a cabeça, começa a chorar e sobe correndo as escadas.

DENISE: Bom, amiga, já vou indo. E, por favor, tenta se acalmar.

SUZETE: (Descontrolada) Eu acho melhor você ir de uma vez, Denise. Porque, se me pedir calma novamente, eu não respondo por mim! Essa minha decisão é definitiva, e nem você e nem ninguém vai conseguir me convencer do contrário.

DENISE: Com licença!

Denise sai. Adoniran aproxima-se de Suzete.

ADONIRAN: (Irônico) Vai. Vai sim! Eu vou sentir muito a sua falta, Suzete. Não se esqueça disso!

SUZETE: (Riso) Não mais do que eu, meu caro. Isso você pode apostar!

Suzete sobe as escadas. Adoniran e Jacó se entreolham. CORTA PARA/

 

CENA 09. MANSÃO CASTRO. QUARTO DE ANTONELLA. INT. NOITE.

Antonella deitada na cama, chorando. Jacó adentra o local.

JACÓ: (Aproximando-se) Com licença. Você está melhor, Antonella?

ANTONELLA: (Senta-se/Chorando) Eu não posso, Jacó. Eu não posso ir embora pra fora do Brasil com a nossa mãe. Ainda mais agora que estou oficialmente namorando o Michel... Ele é tudo que eu sempre quis pra mim! Não posso abrir mão dele, não posso jogar no lixo o meu passaporte pra felicidade.

JACÓ: Mas, Antonella, você não é obrigada a ir com ninguém a lugar nenhum. Já é maior de idade. Não pode ceder assim tão facilmente aos caprichos da mamãe, que, por causa de mais uma das brigas delas com o pai, resolveu ir embora. Mamãe é louca, minha irmã. E, mais cedo ou mais tarde, ela volta. Isso se ela realmente for.

ANTONELLA: Só que eu também não posso deixar a mãe sozinha em um momento desses. Justamente por ela ser louca, precisa de alguém por perto. Também acho que isso não durará muito, mas o difícil será o Michel entender. Nem tive tempo de apresentá-lo ainda para nossos pais... Ai, meu Deus, por que isso está acontecendo? Por quê?

JACÓ: (Firme) Para com isso, menina! Seja mais forte, decidida. Nem você mesma sabe o que quer. Pense bem, porque, se deixar o Michel aqui pra ir junto com nossa mãe para o exterior, é bem provável que vai perdê-lo. Até porque eu duvido muito que ele te espere voltar, justamente porque nem você sabe quando, e se você vai realmente voltar logo. Então pense bem, minha irmã. É só isso que eu tenho pra te dizer. Mas lembre-se: somos nós quem fazemos nossas próprias escolhas e, depois, não dar para voltar atrás!

Em Antonella, com lágrima nos olhos. CORTA PARA/

 

CENA 10. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

Amanhece. Planos gerais de diferentes pontos turísticos da cidade. CORTA PARA/

 

CENA 11. MANSÃO CASTRO. FACHADA. EXT. DIA.

Um táxi está parado em frente à mansão e os empregados colocam as malas de Suzete dentro. Antonella triste. Suzete ao seu lado. Adoniran e Jacó se despedem das duas.

ADONIRAN: Eu não vou nem te dizer nada, porque realmente não tenho o que dizer. Apenas seja feliz, Suzete. Siga seu caminho. Espero que tenha certeza da escolha que está fazendo.

Adoniran e Suzete se abraçam friamente e rapidamente.

SUZETE: Eu nunca tive tão certa de uma coisa em toda minha vida. Nosso casamento não sustentava mais. Deixei todos os papéis do nosso divórcio na mão da Denise. Depois você trata tudo com a ela que, além de minha amiga, é uma excelente advogada. E não tenha medo, porque eu só exigirei aquilo que é meu por direito. Porque nada que venha de você, me interessa mais!

Suzete coloca os óculos escuros, abraça Jacó e, em seguida, vai em direção do carro e entra. Antonella emocionada.

JACÓ: Tem certeza que é isso mesmo que você quer fazer, minha irmã?

ANTONELLA: (Chorando) Não posso deixá-la sozinha! Obrigada pelos conselhos. Saibam que vocês são essenciais em minha vida. Amo vocês!

Antonella abraça Adoniran e Jacó fortemente.

SUZETE: (De dentro do carro) VAMOS, FILHA! ENTRE LOGO NESSE CARRO, SENÃO VAMOS PERDER O VOO.

Antonella vai em direção ao carro e entra. Ela acena para Adoniran e Jacó que retribuem. O carro avança. CORTA PARA/

 

CENA 12. CARRO EM ESTRADA. INT. DIA.

Antonella e Suzete no banco de trás.

ANTONELLA: Mãe, antes de nós irmos para o aeroporto, quero passar em um supermercado para comprar o meu cereal.

SUZETE: Ah, mas já estamos atrasadas! Onde fica esse supermercado?

ANTONELLA: Não é longe, mãe. Vai ser rápido, e eu prometo que não vamos nos atrasar em nada. Mas eu preciso ir. Eu tenho que ir!

Em Antonella, apreensiva. CORTA PARA/

 

CENA 13. SUPERMERCADO BOM PRO BOLSO. INT. DIA.

Michel arrumando as prateleiras. Antonella vem por trás.

ANTONELLA: Michel!

MICHEL: (Vira-se) Amor?! Quê surpresa boa você aqui no meu trabalho, minha linda.

Michel avança para beijá-la. Antonella recua.

ANTONELLA: Desculpa, Michel. Mas esta surpresa que eu vim te dar não é nada agradável.

MICHEL: (Preocupado) O que foi, amor? Aconteceu alguma coisa?

ANTONELLA: Michel... (Respira fundo) Eu estou indo embora! Eu estou indo embora sem previsão de volta. Nosso namoro acaba aqui!

MICHEL: (Assusta-se) O quê?!

ANTONELLA:: É isso mesmo que você ouviu, Michel!

MICHEL: (Confuso) Mas como assim ir embora? E o nosso namoro? (T) Pera aí, isso por acaso é alguma brincadeira?

ANTONELLA: Não tem brincadeira nenhuma! Eu estou falando a verdade, e não posso demorar muito aqui/

MICHEL: (Por cima/Nervoso) Como é que é? Você vem aqui no meu trabalho, me dá um pé na bunda e ainda fica estipulando hora? Ah, não! Meu Deus, como eu fui otário.

Antonella a segura pelos braços.

ANTONELLA: (Chorando/Encarando-o) Michel, Michel. Por favor, me entende. Eu estou indo apenas pra não deixar minha mãe sozinha. Ela se separou do meu pai, quis que eu fosse e/

MICHEL: (CORTA/Alterado) E ela é mais importante do que eu, né?! Mais importante até do que o sentimento que você disse que tinha por mim. Eu fui um palhaço! Ia fazer até uma surpresa romântica pra uma patricinha mimada, que me enganei pensando que fosse diferente. Mas não, são todas iguais! Vivem no meio do luxo e só pegam os pobres e os favelados, pra curtirem, pra passarem uma noite, usar. Porque sabem que são eles que transam melhor, são eles que satisfazem o desejo delas. Mas é só isso. Só pra isso!

ANTONELLA: (Chorando compulsivamente) Para com isso, Michel. Você sabe que eu não sou assim!

MICHEL: Eu não sei mais de nada! Eu, Antonella, tenho sentimentos e me iludi. Mas nunca mais! Nunca mais me iludirei novamente, ouviu?

ANTONELLA: (Chorando) Eu vou voltar! Eu não sei quando, mas eu vou voltar.

MICHEL: (Gritando/Sacudindo-a) SOME DAQUI! VAZA DAQUI ANTES QUE EU FAÇA UMA BESTEIRA. SOME DE UMA VEZ!

Antonella se desvencilha de Michel e se afasta se afogando em lágrimas. Pessoas reparam.

MICHEL: (Com raiva/Segurando o choro) Você foi a maior decepção da minha vida! Uma falta de consideração dessas, não se tem nem com um bicho. Prova de que eu estava me envolvendo sozinho na relação, e você só me usando. Esquece que eu existo. Esquece!

Antonella acelera os passos e sai correndo do supermercado esbarrando nas pessoas. Em Michel, paralisado. CORTA PARA/

 

CENA 14. CARRO PARADO. INT, DIA.

Antonella entra chorando. Suzete assustada.

SUZETE: Quê isso, filha? O que aconteceu?

ANTONELLA: Acelera, motorista! Acelera logo, por favor!

SUZETE Espera aí. Mas e o cereal que você iria comprar?

ANTONELLA: Mãe, a senhora não sabe de nada! Saiba apenas de uma coisa: estou fazendo isso somente por você. Senão eu não iria. Então, por favor, retribua tudo isso que eu estou fazendo não me perguntando nada, pode ser?

Suzete se cala. Em Antonella limpando as lágrimas. CORTA PARA/

 

CENA 15. MANSÃO CASTRO. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

Jacó, Adoniran e Denise estão à mesa.

DENISE: Então, Adoniran. Eu estou aqui apenas para resolver os assuntos do divórcio de vocês dois. A Suzete deve ter lhe informado. E, como advogada e amiga dela, eu não posso deixar de atendê-la.

ADONIRAN: Lógico! Mas, afinal, o que a Suzete está pedindo?

DENISE: Nada de mais. Além de parte dos lucros da empresa, a qual você dirige, quer uma quantia de dinheiro regular, que pelo menos possa cobrir os gastos da vida a qual levará no exterior, e só!

ADONIRAN: Mas isso é um absurdo! Ela se separa e eu continuo a sustentando? Não. Será que cê não pensou que, com esse dinheiro ela pode até usar para pagar uma noite em um motel, pra dormir com outro cara?! Não vou aceitar isso!

JACÓ: Pai, não complique as coisas.

ADONIRAN: Desculpe, meu filho, mas eu não vou ficar bancando as loucuras de sua mãe em outro país. Já basta os anos que eu banquei por estarmos juntos. Isso já é demais!

DENISE: Seu Adoniran/

ADONIRAN: (POR CIMA) Adoniran. Pode me chamar de Adoniran. Afinal, nós já temos intimidade suficiente pra deixarmos de lado essas formalidades, não é mesmo?

Denise sorri. Jacó nota um clima.

DENISE: (Recompondo-se) Bom, como eu ia dizendo... É bom que você esteja de acordo com tudo, senão vai gerar apenas mais dor de cabeça.

ADONIRAN: Tudo bem, Denise. Eu posso ceder. Mas apenas se você me prometer que virá tomar um banho de piscina comigo, aqui em casa. Banho, esse, que você se recusou naquele dia, lembra? (Riso) E, então, o que você me diz?

DENISE: (Sorri) Tudo bem, então. Venho sim!

ADONIRAN: (Animado) Ótimo! Então diga para Suzete que ela venceu. Já estar tudo certo. E você, venha logo, viu? Garanto que você vai adorar a piscina daqui.

DENISE: Pode deixar!

Denise e Adoniran se entreolham, sorriem. Jacó observa e balança a cabeça negativamente. CORTA PARA/

 

CENA 16. RIO DE JANEIRO. EXT. NOITE.

Anoitece. PANORAMA da grande metrópole. CORTA PARA/

 

CENA 17. CASA DE CLARA. CORREDOR. INT. NOITE.

Paulinho encostado na parede, emburrado. Clara ao seu lado.

CLARA: (Impaciente) Paulinho, escova os dentes agora, anda!

PAULINHO: Eu não quero!

Clara: (Gritando) PRO BANHEIRO AGORA!

O menino abaixa a cabeça e entra no banheiro. CORTA RÁPIDO PARA/

 

CENA 18. CASA DE CLARA. BANHEIRO. INT. NOITE.

Paulinho em pé. Clara pega escova de dente e segura Paulinho pelo braço.

CLARA: Abre a boca, pra eu escovar.

PAULINHO: (Fazendo birra) Não abro!

CLARA: Abre a boca, filho!

PAULINHO: Não abro!

CLARA: (Nervosa) ABREEEE!

PAULINHO: NÃOOOO!

Clara ergue a mão contra Paulinho. Guto adentra o local segurando o braço dela.

GUTO: O que é isso, Clara? Ficou maluca?

CLARA: (Furiosa) Esse seu filho está cada vez mais me tirando do sério!

Guto abaixa-se em frente ao filho.

GUTO: Paulinho, quantas vezes eu já falei pra parar com essa birra? Você não vai ganhar nada agindo desse jeito, meu filho. Olha o estado que sua mãe tá.

PAULINHO: Eu não quero escovar os dentes!

GUTO: Mas não é questão de querer, é questão de necessidade! Tanta coisa que a gente não quer, mas mesmo assim a gente faz. Porque sabemos que, se não fizermos, vai ser pior pra nós mesmos. (T) Agora abre a boca pra sua mãe escovar esses dentes logo, abre!

Paulinho cede. Clara começa a escovar seus dentes.

CLARA: (Na ação) Sua higiene bucal tá péssima! Você tem escovado os dentes depois do almoço?

PAULINHO: Mais ou menos.

CLARA: Quantas vezes você escova?

PAIULINHO: (Irritado) Mais ou menos, mãe!

GUTO: O que foi, Clara? Algum dente estragado?

CLARA: Ainda mais essa! Esse menino tá com duas cáries, Guto. Duas cáries! Você acredita nisso?!

Em Clara, nervosa. CORTA PARA/

 

CENA 19. CASA DE MICHEL. SALA. INT. NOITE.

Michel adentra o local bêbado e se joga no sofá.

GIOVANA: (Assustada) Michel? O que é isso, meu filho? Você bebeu?

MICHEL: Bebi, sim, e daí? A boate tava massa, mãe. Só mina bonita. Peguei cada gostosa, cada gostosa, mãe.

GIOVANA: (Aproximando-se) Mas, meu filho. E a tal da Antonella? Vocês não estão namorando?

MICHEL: (Grita) NÃO ME FALA EM MERDA DE ANTONELLA! (Levantando-se) Aquela falsa morreu pra mim. Morreu, ouviu bem?! Eu não quero mais saber de namorar, agora eu só quero é curtir e tirar grana das otárias. Nunca mais, mãe. Nunca mais vou me apaixonar por mulher nenhuma. Nenhuma delas merece amor. NENHUMA! Vou cumprir o que estou dizendo. A senhora vai ver!

Em Michel, decido. CORTA PARA/

 

CENA 20. CASA DE CLARA. QUARTO DO CASAL. INT. NOITE.

Clara e Guto, deitados na cama, conversam.

CLARA: É inadmissível. Eu, uma pediatra, dentista, e meu filho com duas cáries. Duas!

GUTO: Também não exagera, Clara.

CLARA: Mas isso também é responsabilidade sua, Guto! Porque é você quem fica com ele enquanto estou no trabalho, e devia prestar mais atenção nesses detalhes.

GUTO: Ah, não. Não venha colocar a culpa pra cima de mim. Esse menino está mimado, com muita birra, e você sabe muito bem o motivo.

CLARA: Ah, se for essa história de irmão, você sabe muito bem que temos problemas para termos filhos. Tivemos que fazer um longo tratamento para termos o Paulinho, e eu não estou com tempo para passar por tudo aquilo de novo.

GUTO: Mas não é só isso. Ele precisa de alguém pra brincar. E se não for irmão, tem que ter um amigo. A vida que esse menino leva não é de uma criança normal. É da escola pra casa, de casa pra escola. Isso cansa!

CLARA: Guto, você está falando isso agora, mas na hora que surge algum problema, eu é quem tenho que resolver. Não! Eu não quero um monte de pivetes, filhos dos outros, correndo por dentro da minha casa. E muito menos o Paulinho solto por aí. E, além do mais, esse menino não aprenderia nada de bom se misturando com essa gente. Ele precisa é de regras, que essa birra acaba logo.

GUTO: Pega leve com ele, afinal ainda é uma criança. Está com a cabeça em formação, e é normal que aja por impulso algumas vezes.

CLARA: A partir de amanhã esse garoto vai ter novas regras, Guto. E ai de você se não colaborar. Vou tratar logo essas cáries, e preciso de sua colaboração para que fique de olho na alimentação dele, na higiene... Já tenho problema demais no consultório, pra ficar me preocupando com isso. Se ele não tivesse um pai... Mas tem, né?! E um encostado, que não faz nada que nem você. Ou seja, tem todo tempo do mundo pra cuidar do filho, e sem reclamar!  Agora vou dormir. Boa noite!

Clara vira-se para lado e cobre-se com o lençol. Guto permanece calado, observando a esposa. Pensativo, também se acomoda na cama. CORTA PARA/

 

CENA 21. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

Amanhece. Planos gerais diferentes de pontos turísticos. CORTA PARA/

 

CENA 22. CASA DE MICHEL. COZINHA. INT. DIA.

Giovana à mesa tomando café da manhã.

MICHEL: (Bocejando) Bom dia, mãe!

GIOVANA: Ah, finalmente o senhor acordou, né?!

MICHEL: (Senta-se) Nossa, tô morrendo de dor de cabeça.

GIOVANA: Por que será, né?! Sorte sua que hoje é domingo, senão o senhor teria que ir assim mesmo para o trabalho. Que papelão, Michel. Chegar bêbado em casa... Olha, eu estou por aqui com você! (Gesticula).

MICHEL: Ah não. Sermão essa hora não dá! Depois de tudo que aquela desgraçada fez comigo, eu não podia ficar chorando. Fui pra noite sim, dancei muito, beijei muito, meti o pé na jaca, e daí? Sou maior de idade e vacinado! E também não quero mais saber de correr atrás de namoro sério, não. Vou usar as mulheres, do mesmo jeito que a Antonella me usou. Na minha mão agora, todas serão apenas brinquedos.

GIOVANA: Meu filho, isso não tem cabimento! Você passar a iludir as moças, só porque se decepcionou com uma, chega a ser infantil!

Michel soca a mesa e se levanta.

MICHEL: (Tom alto) Uma não, mãe. A Antonella não era apenas uma. Ou a senhora acha que se fosse, eu estaria assim? Justamente por ela não ter sido mais uma na minha vida, é justamente por ela ter mexido comigo, despertado algo forte em mim, que eu tô desse jeito. Porque fui burro! Amei sozinho.

GIOVANA: Você tem certeza, Michel? Ela não te deu nenhuma explicação?

Michel: Explicação esfarrapada! Mãe, a Antonella, mesmo maior de idade, veio me dizer que iria morar no exterior com a mãe, porque ela pediu. Porque a mãe não sabia se cuidar sozinha, não?! Era um bebê?! Ali, naquela hora, eu percebi que não signifiquei nada pra ela. Porque, se tivesse significado, ela não teria aberto mão do meu amor tão fácil. Chega! Nunca mais eu passo por isso de novo. Por mulher nenhuma! Nenhuma! (T) Agora é melhor eu ir tentar concertar minha moto!

Michel sai do local. Giovana balança a cabeça negativamente. CORTA PARA/

 

CENA 23. CASA DE MICHEL. FACHADA. EXT. DIA.

Michel concertando a moto. Tiago aproxima-se dele.

TIAGO: (Debochando) Ih, Deixa eu ver se eu entendi: o otário perdeu o amiguinho, perdeu o lovezinho, e agora perdeu a motinha também, é? Tá mal, hein véi?!

Michel levanta-se furioso e o aperta o pescoço.

MICHEL: (Nervoso) Olha aqui, cara. Hoje eu tô irritado demais pra aguentar provocação idiota de qualquer babaca! Ou tu vaza daqui, ou então eu te mostro rapidinho quem é o otário!

TIAGO: (Provocando) Ai ai, ui ui! O manézinho resolveu falar grosso agora?!

Michel aperta mais forte o pescoço de Michel.

MICHEL: Eu já disse que eu não tô brincando. Com certeza foi você que sabotou minha moto. Não fica achando que eu sou esse mané, não, porque tu está muito enganado. Eu saco tudo. Só não vou ficar me aborrecendo com gente como você. Sabe por quê? Porque, se eu quiser, compro outra moto. Pago em dez vezes, mas eu compro de cabeça erguida porque eu sei que é com o suor do meu trabalho. Enquanto você, não passa de um infeliz. (T) Tu tem é inveja, né? Agora de quê? Fala!

Os dois se olham fixamente.

TIAGO: Inveja de você? (Riso) E por que eu teria inveja de você?

MICHEL: Não sei. É exatamente isso que eu estou querendo saber. Se bem que não é tão difícil de deduzir. Tanta coisa que eu tenho e você não!

Tiago reage e empurra Michel.

TIAGO: Me solta! Não tenho saco pra ficar ouvindo merdas suas. Vê se me erra, cara. Vê se me erra!

Tiago, visivelmente abalado, sai apressado. Michel respira fundo. CORTA PARA/

 

CENA 24. MANSÃO CASTRO. PISCINA. EXT. DIA.

Adoniran dentro da piscina, bebendo um suco. Jacó se aproxima.

ADONIRAN: Vem, filho. Coloca a sunga e vem tomar um banho na piscina. A água está uma delícia.

JACÓ: Não. Estou indo para a igreja, agora. E o senhor, se cuida. Sei muito bem que a Denise vai vir tomar banho aqui. Te peço, por favor: pega leve, tá?! Ela é amiga de minha mãe, e o senhor também acabou de se separar...

ADONIRAN: Não esquenta, Jacó. Eu sei me cuidar. Sei resistir as tentações.

JACÓ: Isso mesmo. É exatamente sobre esse tema a aula de hoje da escola bíblica dominical: como é difícil vencer as tentações. Ainda mais quando ela vem forte, e grita mais do que a nossa mente. Não é fácil! Mas sendo forte e pedindo forças a Deus, a gente consegue. Só te peço pra agir com um pouco de racionalidade. Tchau!

Jacó sai. Adoniran sorri. Denise chega trajando um vestido de renda, onde era possível distinguir o biquíni que a moça usava por baixo. Adoniran a vê e sai da piscina.

ADONIRAN: (Aproximando-se) Eba! Então você veio mesmo?! Agora a manhã melhorou e muito.

DENISE: (Riso) Eu não disse que vinha?! (T) O Jacó tá aí?

ADONIRAN: Não, ele acabou de sair. Foi para a igreja. Estamos só nós dois aqui.

DENISE: Poxa, que pena! Então é melhor eu ir. Não pega bem eu ficar sozinha aqui com você.

ADONIRAN: Fica só um pouquinho. Garanto que vai se divertir muito e não vai se arrepender.

Denise sorri. Adoniran empurra Denise na água.

DENISE: Seu louco! (Riso) Olha o que você fez?

Adoniran: Não se preocupa. Depois seca! Agora curte essa água, essa piscina, esse sol. Aproveita porque a gente é livre. (Grita) A GENTE É LIVRE!

Adoniran se joga na água, Ele e Denise jogam água um no outro. Divertindo-se. CORTA PARA/

 

CENA 25. RIO DE JANEIRO. EXT. NOITE.

Anoitece. PANORAMA da grande metrópole. CORTA PARA/

 

CENA 26. RUA. EXT. NOITE.

Michel caminha pela rua pensativo, triste. Ele dobra a esquina e vê um homem tomando a bolsa de uma jovem (Alta, Loira, cabelos longos e com aproximadamente 19 anos). O bandido foge deixando a jovem caída no chão.  Michel corre aproximando-se dela. 

MICHEL: (Abaixando-se) Ei, menina. Você está bem? Fala comigo!

A jovem, visivelmente abalada, abraça Michel.

MICHEL: Calma, garota. Calma! Não precisa ficar assim, já tá tudo bem. Como você se chama?

JOVEM: (Chorando) Mariana Prates! Mas, por favor, me tira daqui logo. Por favor.

MICHEL: Eu vou te tirar, fique tranquila! Só que eu tô a pé. Mas o que uma garota como você está fazendo em um bairro desses, a essa hora da noite?

MARIANA: (Choro contido) Baile Funk! Tem um baile funk aqui perto. Estacionei meu carro ali na esquina e, assim que sai, o cara veio me roubar. (Sorri) Poxa, não sei nem como te agradecer.

MICHEL: Imagina! Qualquer um faria o mesmo. Agora vá embora de uma  vez!

MARIANA: Eu não vou te deixar aqui. Depois de tudo o que fez, faço questão de te dar uma carona.

Ela e Michel se entreolham, sorriem.

MARIANA: Por favor. Eu não vou aceitar um não como resposta.

MICHEL: (Sorridente) Tá certo então!

Michel e Mariana levantam-se e vão em direção ao carro. CORTA PARA/

 

CENA 27. CASA DE MICHEL. FACHADA. EXT. NOITE.

O Carro de Mariana para em frente à casa de Michel. Os dois dessem do carro.

MARIANA: (Olhando em volta) Então é aqui que você mora?

MICHEL: É sim. Quer entrar?

MARIANA: Não, não. Deixa pra outro dia (Riso). E, mais uma vez, obrigada pelo que você fez por mim.

MICHEL: Já disse que não precisa agradecer, Mariana. Eu é quem agradeço, pela carona.

MARIANA: Você ainda nem me disse seu nome...

MICHEL: Michel Santos!

Michel tira um pequeno papel do bolso.

MICHEL: (Entregando-a) Esse é meu número. Se quiser, me liga.

MARIANA: (Pegando) Pode deixar!

Em Mariana, sorridente. CORTA PARA/

 

CENA 28. CASA DE MICHEL. SALA. INT. NOITE.

Michel adentra o local. Giovana vem de dentro.

GIOVANA: Michel, meu filho, Isso é hora de chegar? Eu já tava morrendo de preocupação.

MICHEL: Calma, mãe! Relaxa. Eu tô bem e algo me diz que, em breve, estarei melhor ainda.

GIOVANA: Como assim?

MICHEL: Conheci uma gata, uma gata, que nossa... Muito Top! E rica, mãe. Rica! Inclusive foi ela quem me trouxe pra casa. E o melhor, ficou doidinha pelo papai aqui.

GIOVANA: Eu só espero que você ainda não esteja com aquela ideia fixa de usar as pessoas. Pensa que essa garota pode ser a ideal. E pode até fazer você esquecer de vez a decepção com a Antonella.

MICHEL: Sem chance, mãe. Já disse que eu nunca mais faço papel de otário pra mulher nenhuma. Agora vou tomar um banho e ir dormir, porque amanhã o trabalho me espera.

GIOVANA: Não vai mais conversar com o Vitor pela internet?

MICHEL: A última vez que conversei com ele, ele disse que iria ficar alguns dias sem celular.

GIOVANA: Espero que ele esteja bem.

Michel sai. Em Giovana, pensativa. CORTA PARA/

 

CENA 29. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

Amanhece. Planos gerais de diferentes pontos da cidade. CORTA PARA/

CENA 30. CASA DE CLARA. COZINHA. INT. DIA.

Clara em pé. Guto encostado na pia. Paulinho à mesa.

CLARA: Então nós temos que começar a reeducação alimentar do Paulinho, hoje! Acabou essa história de ficar comendo doce e qualquer outra besteira, entendeu?! Acabou com isso! Esse menino tem que comer salada, Guto. Alface, tomate, verduras cozidas, beterraba, cenoura, cebola... É isso que ele tem que comer!

PAULINHO: Mãe, cebola não.

CLARA: (Nervosa) Não tô brincando, Paulinho. Eu tô furiosa com você! Eu sou uma dentista e pediatra, cuido dos filhos de pessoas da cidade inteira, e meu próprio filho, debaixo das minhas asas, com duas cáries?!

PAULINHO: Mãe, desculpa.

CLARA: Eu já disse que eu não tô brincando! (T) Guto, a partir de hoje não se dá mais doce nenhum pra ele comer, sem minha autorização. Certo?

GUTO: Fica tranquila, Clara.

CLARA: E tem que supervisionar a escovação desse menino, hein?!

GUTO: Tá bom, amor. Já disse pra ficar tranquila!

CLARA: (P/Paulinho) E você, tem que abrir a boca na hora de escovar os dentes! Amanhã se prepare, porque eu vou te levar ao meu consultório.

PAULINHO: (Irônica) Tá certo, sim senhora!

Clara respira fundo e sai.

PAULINHO: (Gritando) EU ODEIO ESSA CHATA!

GUTO: Epa! Quê isso, filho? Ela é sua mãe. Só tá um pouco nervosa, porque tem muita coisa na cabeça para se preocupar. Se você colaborar comigo, ela vai ficar muito mais aliviada e tudo vai ficar bem, não acha?

Paulinho sai correndo. Guto suspira, sem paciência. CORTA PARA/

 

CENA 31. APARTAMENTO DE DENISE. QUARTO. INT. DIA.

Denise, pensativa, olha para o teto. Vira-se de um lado para o outro. O celular toca. Ela pega e atende.

DENISE: Alô?

ADONIRAN: (OFF) Bom dia, Denise. Hoje o dia amanheceu tão lindo. Pensei de a gente pegar aquela piscina de novo. O que você acha?

DENISE: Ah, não sei, Adoniran.

ADONIRAN: (OFF) Por que não? Adoro sua companhia e, além do mais, Jacó estará aqui em casa. Vai ser tudo tranquilo! Você já virou uma amiga pra mim também. E não devia, afinal me arrancou a maior grana com a separação de minha mulher, mas tudo bem.

DENISE: (Riso) Eu não fiz nada. Quem exigiu tudo foi a Suzete. E nenhum de vocês dois assinaram o divórcio ainda. Mas tudo bem, Adoniran. Eu vou sim. Me espera que eu tô chegando!

Denise desliga. Ela sorri. CORTA PARA/

 

CENA 32. SUPERMERCADO BOM PRO BOLSO. INT. DIA.

Michel embala os produtos e coloca-os nas prateleiras. Mariana vem por trás e o toca.

MARIANA: Com licença, será que você pode me dizer se meu p... (Reconhece) Michel? Meu Deus, esse mundo é muito pequeno mesmo. Você trabalha aqui?

MICHEL: (Sorri) Gata! (Levantando-se) Nunca te vi nesse supermercado. Sempre compra aqui?

MARIANA: Não, não. Eu sou a filha do dono.

MICHEL: (Surpreso) Como é que é?

Mariana sorridente. Michel boquiaberto. CORTA PARA/



FIM DO EPISÓDIO

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