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NOVELAS

CHAMAS DA LIBERDADE

1 TEMPORADA

EM BREVE


A trama se passa no Brasil e em duas fases distintas. A obra gira em torno de Marcelo Brandão, um grande magnata que diz a todas as pessoas que os cristais curam do câncer. Só que esse poderoso homem guarda um passado sombrio,que virá a tona através de seu filho: o vingativo Armando. As máscaras caem, e todos lutam pela liberdade individual de cada um.

João Carvalho
AUTOR

19. DÉCIMO NONO CAPÍTULO

CENA 1/ HOSPITAL/ DIA/ INT/ SALA DE CIRURGIA

Ambiente escuro. Clima tenso. Dois leitos, um ao lado do outro. Uma grande equipe de médicos realizando o procedimento. Em um leito está Celinha, com vários aparelhos, dentre eles os de respiração, um tubo, etc. O aparelho de coração segue firme em riscos, marcando 98. Do outro lado, temos Tarcísio. Com muitos aparelhos, assim como Celinha. Seu coração marca 90. A CAM FOCALIZA no rosto dos dois, com uma música melodramática.

CENA 2/ HOSPITAL/ DIA/ INT/ SALA DE ESPERA

Hugo sentado no sofá da sala de espera, nervoso e roendo as unhas. Armando chega rapidamente. Hugo se levanta e fica de frente a Armando.

ARMANDO - Como eles estão Hugo?

HUGO - Eu to aflito até agora... Já se passaram mais de três horas de cirurgia, e nada... Exatamente nada! Eu to muito preocupado com o que pode acontecer com eles. A Celinha é durona, metida, mas é minha irmã, e eles são a única família que eu tenho.

ARMANDO - Calma Hugo... Vai dar tudo certo, fica calmo!

Um médico vai se aproximando dos dois, que olham preocupados para o mesmo. O olhar dele aparenta preocupação.

MÉDICO - Já tenho notícias! A cirurgia já terminou!

HUGO - Tá doutor, mas me diga! Como estão eles?

Troca de olhares entre Armando, o médico e Hugo. Todos tensos.

HUGO - Fala doutor!

MÉDICO - Com o Sr. Tarcísio está tudo bem... Ele deve permanecer por um tempo na UTI pós-operatória, mas já já estará em casa! Mas a paciente Celinha... Bom, ela perdeu muito sangue na cirurgia, e o estado dela é bem grave!

Hugo começa a chorar e Armando o abraça. Os dois se afastam, e Armando, com os olhos cheios de lágrimas, se vira para o médico.

ARMANDO - E tem algo que eu possa fazer, doutor? Pode falar!

MÉDICO - Ela precisa de sangue...

ARMANDO - Mas o senhor sabe o tipo de sangue que ela tem?

MÉDICO - O negativo!

ARMANDO - Droga... O meu é A!

Viviane aparece no local. CÂMERA LENTA. Ela está com uma bolsa no ombro. Armando se vira para ela.

VIVIANE - Eu doo! Meu sangue é O! E antes que o senhor me pergunte algo doutor, eu não tenho nenhum problema cardíaco, e não tomo remédio controlado!

ARMANDO - (espantado) Você?

VIVIANE - Sim, por que o espanto? Meus pais me ensinaram que não se deixa morrer nem nosso próprio inimigo!

ARMANDO - Mas como você ficou sabendo?

VIVIANE - Parece que você tem que rever com quem você dorme todas as noites... Armando, você é casado com Celinha Brandão, acorda! Saiu nos jornais, e eu resolvi aparecer por aqui pra ver como estavam as coisas... Agora vamos? Não tenho muito tempo!

Viviane, Armando, o médico e Hugo seguem até uma sala.

CENA 3/ MANSÃO DOS CORRÊA/ DIA/ INT/ SALA DE ESTAR

Virgílio sentado na mesa de vidro, localizada ao meio da sala de estar, lendo um jornal, com um cínico sorriso no rosto. Joyce desce as escadas, e chega perto de Virgílio.

JOYCE - Posso saber do que o idolatrado e amado Virgílio Corrêa lê, e por que essa cara de felicidade?

VIRGÍLIO - Claro! Você já viu o ato de amor e compaixão a sua amiguinha teve?

JOYCE - Você está dizendo dela ter doado parte do fígado para o pai, é isso?!

VIRGÍLIO - Exato!

JOYCE - É impressionante como você tem inveja do amor e da compaixão... Primeiro foi com a minha irmã, que não volta pra casa de jeito nenhum, tudo por causa desse seu jeito autoritário... Depois a minha mãe, que você simplesmente finge que nem existe. E por fim sou eu! Eu já estou cansada de tudo isso, Virgílio... Vai, me diga! Por que você odeia tanto a felicidade?

Os dois ficam a se encarar.

CENA 4/ RESTAURANTE/ DIA/ INT

Tamara, sozinha, sentada em uma das mesas almoçando. Marcos, do lado de fora do estabelecimento, vê Tamara, e entra no restaurante. Se aproxima dela, e se senta junto a mesma.

TAMARA - Mas a que devo a honra de sua presença aqui, Marcos? Aceita um almoço?

MARCOS - Não, obrigado... Eu já estava sentindo a sua falta. Não apareceu mais no meu escritório. Desistiu do plano de conquistar tudo o que você tem direito, ou se esqueceu desse bondoso e amigo advogado?

TAMARA - (ri) Claro que não. Na verdade as coisas estão bem complicadas lá na empresa. Os impostos estão altíssimos.

MARCOS - Imagino, também com essa crise que o nosso país vive. E você? Conseguiu descobrir a tal amante do seu marido?

TAMARA - Não... Quando eu penso que estou perto de descobrir, parece que alguma coisa me afasta, sabe?

MARCOS - Já pensou em colocar um detetive sério pra investigar esse caso?

TAMARA - Sim, inclusive já peguei o contato de um muito importante e bem conceituado... Eu só estou esperando a nova ligação da cobra... Eu vou pegar esses dois!

MARCOS - Assim que eu gosto... Vou pedir um champanhe pra comemorar! Garçom... [Garçom se aproxima]. Por favor, nos traga uma garrafa de champanhe e duas taças!

Os dois dão um selinho, e o Garçom se retira.

CENA 5/ HOSPITAL/ DIA/ INT/

A CAM. FOCALIZA no rosto de Celinha, com os olhos fechados. Enfermeiros, Armando, Viviane, Hugo e um médico ficam a observá-la, até que em um ato reacional, ela abre os olhos lentamente, com dificuldade.

CELINHA - (dificuldade na fala) Eu já posso ir pra casa?

ARMANDO - Que bom que você acordou, meu amor... Eu já estava ficando preocupado!

Viviane olha com estranhamento e ciúmes para Armando.

VIVIANE - Você deve dizer isso pra todas, não é mesmo, Armando?

CELINHA - Não, meu bem... Isso ele só fala pra uma mulher, que é a dele... Eu sou casada com ele, e sou eu que ele ama!

ARMANDO - Dá pra perceber que você está de volta, não é mesmo?

Todos sorriem.

DUAS SEMANAS DEPOIS

CENA 6/ SANATÓRIO/ DIA/ INT

PLANO AMERICADO de Marcelo, com uma roupa branca, típica de um sanatório. Ele anda rapidamente, até se sentar em um banco. Diversas pessoas com vestimentas iguais as dele andam pelo local. A CAM FOCALIZA em sua face, um pouco confusa. Uma enfermeira vai se aproximando, e tira uma agulha do bolso.

ENFERMEIRA - Tá na hora de fazer os medicamentos, Sr. Marcelo. Vamos?

MARCELO - Elena! Elena! Eu preciso ver a Elena!

ENFERMEIRA - Mas quem é essa Elena, Sr. Marcelo! A Dona Iolanda disse que também não sabe quem é!

Marcelo fica paralisado, como se estivesse em estado de choque.

ENFERMEIRA - Sr. Marcelo?!

MARCELO - Desgraçada! Iolanda! Desgraçada!

ENFERMEIRA - Eu não estou entendendo mais nada!

MARCELO - Armando... Eu quero falar com o meu filho... Quero meu filho!

ENFERMEIRA - Seu filho? Ah, acho que sei de quem o senhor está falando... É o vice-presidente da empresa do pai. O cara teve a coragem de rouba até a mulher do coitado! Mas tudo bem! Vou dar um jeito de avisar ao seu filho que o senhor está aqui... Mas isso é um segredinho nosso, porque senão, Dona Iolanda te prende aqui para sempre!

Marcelo continua paralisado, olhando para o nada. A enfermeira entra para a sede.

CENA 7/ MANSÃO DOS BRANDÃO/ DIA/ INT/ SALA DE ESPERA

Celinha sentada no sofá, com uma bacia de pipoca, ar de felicidade. Um filme de faroeste rodando em sua grande televisão. Armando entra raivoso no cômodo, andando de um lado para o outro.

CELINHA - Por que você tá tão nervoso, Armando? Aconteceu alguma coisa?

ARMANDO - (nervoso) Aconteceu, Celinha... Aconteceu que a empresa está falindo, que o meu patrimônio, patrimônio que eu quero deixar para os meus filhos está morrendo, junto com o corpo do meu pai, que agora, nesse momento, deve estar sendo comido por escorpiões!

CELINHA - Opa, opa. Isso é o que você diz! Podem haver jornais, certidão, enfim, o diabo que o parta, mas a maior prova não tem, porque você tem medo... Tem medo de a sua mãe ter colocado um belo de um par de chifres no Marcelo... Imagina pensar que tem toda essa fortuna, que é herdeiro de todo esse reino, e aí “puf”, tudo morre! Morre como você mesmo diz, junto com o corpo de seu pai!

ARMANDO - O seu problema é que você não aceita opinião. Pensa bem, imagina o quanto estaríamos ricos nesse exato momento... A droga desse país vive uma baita crise, e você faz o quê? Simplesmente esquece tudo... É nesses momentos que eu queria que meu pai fosse vivo!

Os dois ficam a se encarar com olhar de ódio.



FIM DO CAPÍTULO

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