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NOVELAS

CHAMAS DA LIBERDADE

1 TEMPORADA

EM BREVE


A trama se passa no Brasil e em duas fases distintas. A obra gira em torno de Marcelo Brandão, um grande magnata que diz a todas as pessoas que os cristais curam do câncer. Só que esse poderoso homem guarda um passado sombrio,que virá a tona através de seu filho: o vingativo Armando. As máscaras caem, e todos lutam pela liberdade individual de cada um.

João Carvalho
AUTOR

18. DÉCIMO OITAVO CAPÍTULO

CENA 1/ MANSÃO DOS BRANDÃO/ DIA/ INT/ SALA DE ESTAR

Armando isolado, deitado no sofá, tristonho. Olhos fundos e marcados, talvez por lágrimas. A casa permanece em silêncio. Ecoa em sua cabeça as frases ditas por Viviane: “Explicar o quê? Explicar que você é um canalha sem coração? Essa sua maldita ambição acaba mudando a sua personalidade, Armando... Eu fiz tudo o que pude pra te fazer feliz, eu lutei como nenhuma mulher lutou pelo seu amado... Gastei o pouco dinheiro que tinha pra te satisfazer, pra te fazer feliz lá na Bahia! Mas o que você fez? Simplesmente jogou fora todo o respeito e todo amor que eu sentia por você... Arruinou a minha vida de uma forma imensa!”

Celinha passa pela sala sem perceber a presença de Armando, mas ao perceber vai se aproximando e fica a observá-lo. Parada, sem falar nada. Ele, como se estivesse em outro lugar, apenas em corpo presente. Celinha se senta a seu lado no sofá. Armando rapidamente se levanta ficando sentado.

CELINHA - E aí? Conversou com a tal Viviane?

ARMANDO - Conversei... Ela não quis me ouvir... Me ofendeu! Mas cê sabe que eu acabo entendendo ela. Eu também não perdoaria um cara que me traiu que começou a se relacionar com outra mulher, que ele nunca tinha visto na vida.

CELINHA - Mas ela tem que entender que agora você tem outra vida, Armando! Tudo mudou, mudou quando ela foi embora e te deixou sozinho, sem nem dar alguma explicação. Não se culpe totalmente. Você não é o único culpado disso tudo, e se ela não quer sua amizade, que se dane, você tem muito mais do que ela pode imaginar. Afinal, ser filho do todo poderoso não é pra qualquer um!

ARMANDO - De certa forma você tem razão! Agora, mudando um pouco de assunto... E você? Conseguiu novos contratos lá na empresa?

CELINHA - Eu to empurrando aquilo lá com a barriga. Não é nada fácil ser a presidente de uma empresa como aquela, e pior, não tenho direito algum sobre aqueles acionistas de merda... Quando o Marcelo era vivo, tudo era diferente, eles comiam na minha mão, mas acho que por eles pensaram que eu sou fraca, e não sou como o ex-patrão deles, aqueles malditos simplesmente acham que podem tudo!

ARMANDO - Tá, e você não faz nada? Deixa eles te manipularem, decidirem por você?

Celinha se levanta do sofá e ajeita seu cabelo, com animação.

CELINHA - Você tem razão... Eu não vou me curvar sobre eles... Agora sim, eu vou arruinar a vida desses desgraçados!

CENA 2/ EMPRESA BRANDÃO/ DIA/ INT/ SALA DE REUNIÕES

Diversas pessoas sentadas nas cadeiras em volta da mesa de reunião. Celinha com um sorriso no rosto, em silêncio, deixa todos discutirem, até que Armando chega e se senta ao seu lado.

CELINHA - (grita) Chega! Agora vamos trabalhar de verdade? É isso o que está faltando em vocês! Trabalhar!

Um funcionário, sentado a direita de Celinha, ri ironicamente. Ela fica a observá-lo.

CELINHA - Algum problema, querido?

FUNCIONÁRIO - Eu só acho que isso é um absurdo! O que nós mais estamos fazendo é trabalhar, sem descanso, tudo isso pra satisfazer os seus desejinhos medíocres, dona Celinha... A senhora vem a empresa quando quer, e creio eu que não sabe da missa metade das coisas que ocorrem aqui dentro! Sabe da crise financeira que estamos enfrentando? Ah, e sabe da quantidade de acionistas que perdemos, ou então, a quantidade de negócios para o exterior que simplesmente não foram aprovados?!

CELINHA - Aproveitando que esse senhor resolveu se rebelar, eu venho até aqui, nesta reunião, afirmar que a partir de agora apenas as minhas ações, as maiores da empresa, são as que realmente vão ver! Portanto, essa empresa será exclusivamente governada por mim e mais ninguém! Quanto aos negócios que perdemos pra mim pouco me importa! Agora eu prefiro me retirar, tenho muito trabalho pela frente!

Celinha se levanta da mesa e vai até a porta.

FUNCIONÁRIO - Ridícula!

Celinha se vira para a mesa de reunião, com um sorriso cínico no rosto.

CELINHA - Só pra lembrar... Qual é o seu nome?

FUNCIONÁRIO - Adalberto Santoro!

CELINHA - Ah sim! Obrigada! É porque eu, mais do que nunca, estou boazinha, Adalberto... Então eu vou deixar um presentinho na sua casa... Eu tenho certeza que você vai A-D-O-R-A-R!

Celinha e Armando se retiram da sala de espera. FOCA NO ROSTO do homem, assustado com a ameaça de Celinha.

CENA 3/ APTO DE VIVIANE/ DIA/ INT/ SALA DE ESTAR

Sonoplastia - POR AMOR (B’roz)

Viviane sentada no chão, chorando desesperadamente. Flashs de momentos dos dois se beijando vem em sua cabeça. A MÚSICA PARA. Malu se aproxima da mãe, abaixa e senta perto dela.

MALU - Mamãe, porque você falou assim com ele?

VIVIANE - Ô minha filha! Quem me dera se a vida fosse tão fácil como você imagina, ou como pensa! É tudo muito diferente, a vida dos adultos é algo imprevisível, quando parece estar tudo bom, na verdade está tudo ruim!

MALU - Mas você não vai mais ver ele mais? Ele não vai mais voltar aqui?

VIVIANE - Não, meu amor! Me abraça?

Malu e Viviane se abraçam.

CENA 4/ HOSPITAL/ DIA/ INT/ SALA DE ESPERA

Celinha, desesperada, sentada no sofá. Hugo, com os olhos vermelhos de tanto chorar, se aproxima da irmã. Que se levanta e o abraça.

CELINHA - E aí, como ele ta?

HUGO - Mal, Celinha! Bem mal! Eu não sei mais o que fazer. O médico disse que tudo indica que ele precisará da doação do fígado!

O médico chega rapidamente perto dos dois, que ficam nervosos, de mãos dadas.

CELINHA - Por favor, doutor, não enrole muito! O que aconteceu com o meu pai?

MÉDICO - O estado do senhor Tarcísio continua sendo muito grave... As próximas horas são decisivas, e infelizmente nós realmente vamos precisar realizar o transplante!

HUGO - Pode deixar... Eu vou doar!

MÉDICO - Você tem algum problema de saúde? Pressão alta, algum problema cardíaco?

HUGO - Não... Quer dizer, eu tive uma parada cardíaca quando eu tinha seis anos! Graças ao meu pai eu estou vivo... Ele me salvou, e agora eu quero salvá-lo!

MÉDICO - Infelizmente você não pode ser o doador, Hugo... Só podem doar, quem nunca teve algum problema dos quais eu citei! Então eu vou precisar alertar que precisamos do fígado... Com licença!

O médico sai andando. Celinha fica a observá-lo.

CELINHA - (grita) Espera!

O médico se vira.

MÉDICO - Pois não!

CELINHA - Eu vou doar... Eu vou doar o órgão pro meu pai!



FIM DO CAPÍTULO

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