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NOVELAS

CHAMAS DA LIBERDADE

1 TEMPORADA

EM BREVE


A trama se passa no Brasil e em duas fases distintas. A obra gira em torno de Marcelo Brandão, um grande magnata que diz a todas as pessoas que os cristais curam do câncer. Só que esse poderoso homem guarda um passado sombrio,que virá a tona através de seu filho: o vingativo Armando. As máscaras caem, e todos lutam pela liberdade individual de cada um.

João Carvalho
AUTOR

13. DÉCIMO TERCEIRO CAPÍTULO

CENA 1/ HOTEL/ INT/ NOITE/ CORREDOR

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior;

Armando e Celinha ainda a se encarar com ódio. Ele fica a observá-la, como se já a conhecesse.

ARMANDO - Que estranho!

CELINHA - É... Estranho é esse seu jeito de não olhar por onde anda!

ARMANDO - Parece que eu te conheço de algum lugar, mas não consigo me lembrar de onde!

CELINHA - Já deve ter me visto mesmo... Eu sou uma dama da sociedade brasileira e mundial, meu bem... Anote aí... Celinha Brandão!

Armando leva um susto. CÂMERA aproxima de seu rosto, espantado.

CENA 2/ FAZENDA/ EXT/ DIA

Marcelo, perto da mina, com uma enxada em mãos. Ele entra na mina.

CENA 3/ MINA/ INT/ DIA

A mina, pouco iluminada, apenas é iluminada por uma lanterna que Marcelo tem em mãos. Algumas pedras brilham, e Marcelo sorri.

MARCELO - Minhas pedrinhas lindas... Minha vida toda dedicada a vocês, e eu espero que seja assim até quando eu morrer!

Marcelo pega uma pedra brilhante e fica a observar com os olhos brilhando.

CORTA PARA

CENA 4/ EMPRESA DOS CORRÊA/ INT/ DIA/ ESCRITÓRIO DE TAMARA

Tamara permanece sentada em sua cadeira, olhando papéis e fazendo uma cara de preocupação. Batem na porta.

TAMARA - Entra!

Falcão (senhor de idade, bem apessoado e vestido com um terno preto) entra na sala de Tamara e se senta a sua frente.

FALCÃO - Pode dizer dona Tamara... O que me traz aqui?

TAMARA - Bom Falcão, o senhor sabe muito bem como funciona o esquema daqui da empresa, e é responsável pelas contas que nós prestamos, certo?

FALCÃO - Sim, claro!

TAMARA - Pois bem, então tem como o senhor me explicar o porquê desse desvio tão grande em nossa empresa... Pense bem Falcão, nós estamos passando por um período delicado, então diga a verdade! Virgílio está desviando dinheiro da empresa?

Falcão fica pensativo. Tamara o encara com desconfiança.

CORTA PARA

CENA 5/ FAZENDA/ EXT/ DIA

Iolanda chega à fazenda, sai do carro, e toca a campainha. Anastácia atende no portão, desconfiada.

IOLANDA - Olá senhora tudo bem? Por favor, o senhor Marcelo Brandão está?

ANASTÁCIA - Primeiro eu preciso saber quem é a senhora... Não posso deixar você entrar sem saber seu nome.

IOLANDA - Iolanda Caputto! Muito prazer! Eu sou amiga íntima do Marcelo, se é que você me entende, e também sou sócia dele nesse esquema dos cristais! Eu preciso muito falar com ele, é algo importante!

ANASTÁCIA - (desconfiada) Ah sim! O seu Marcelo tá lá na mina, disse que iria fazer a busca de algumas pedras!

IOLANDA - Melhor ainda... É bom que eu relembro os meus tempos de jovem! Como era bom!

Anastácia abre o portão e Iolanda entra.

CORTA PARA

CENA 6/ MINA/ INT/ DIA

O ambiente permanece escuro. Iolanda entra lentamente com uma lanterna nas mãos. Ela vê Marcelo com um cristal nas mãos, e solta uma gargalhada, que assusta Marcelo, que rapidamente se vira para ela.

IOLANDA - Então é daí, meu querido? É daí que você tira seus cristais milagrosos! Ein, seu farsante?!

IOLANDA - (nervosa) Anda... Fale seu inútil, seu desgraçado dos infernos!

MARCELO - (olhar vermelho/ com ódio) Você cale essa sua boca, se não...

IOLANDA - Se não o quê? Vai me matar? Se for me matar é melhor fazer isso de uma vez, antes que essa sua ideia possa ser usado por mim... Aliás, até que não seria uma má ideia te destruir de uma vez por todas!

MARCELO - Pois então me mate, Iolanda... Você não tem nada a perder mesmo! Acabe com a minha vida de uma vez... Acabe com o que ainda sobrou dela!

IOLANDA - Você não sabe da missa metade, Marcelinho... Não sabe o que posso ganhar com você vivo! Que tal te dar um sustinho, ein?

MARCELO - O que eu não sei e você sabe, Iolanda?

IOLANDA - Muitas coisas, meu caro! Na verdade, são coisas que você esqueceu há muito tempo! Ah, e lembre-se sempre... Quem bate esquece, quem apanha nunca esquece!

MARCELO - Você não vai fazer nada comigo... BABACAAA!

IOLANDA - Isso é o que você pensa!

Iolanda tira um pano branco enrolado do bolso, que contém um pó, aparentemente uma pólvora. Marcelo olha assustado.

MARCELO - Eu te peço, por favor... Não faça isso comigo!

IOLANDA - Fazer algo com você? Acho que agora isso não me passa pela ideia, mas muita gente vai levar um susto!

Iolanda despeja a pólvora no chão. Marcelo começa a se desesperar e corre em direção ao fim da mina. Iolanda vê e rapidamente tira um revólver do bolso. Ela aponta para Marcelo, que fica paralisado.

IOLANDA - Agora é com você? Quer brincar de morto vivo, ou quer amanhecer com a boca cheia de formigas?

Iolanda risca um fósforo, lota de pólvora no chão, em forma de caminho, até que no fim havia um monte de pólvora juntos, que explodiria. Iolanda e Marcelo ficam do lado de fora da mina, meio afastados. Escuta-se o barulho da pólvora queimando, até que acontece uma grande explosão. Marcelo é arremessado a metros de distância, caindo ensanguentado perto de uma arvore. Iolanda também é arremessada a metros de distância, mas apenas fica ralada. Assustada, Anastácia corre e vê somente Iolanda, que olha disfarçadamente para o lado e vê Marcelo.

IOLANDA - (finge choro) Ai moça... Eu tinha avisado... Eu disse ao Marcelo pra não fazer isso!

ANASTÁCIA - (nervosa) Mas meu Deus! A senhora tá machucada! Eu vou chamar uma ambulância!

IOLANDA - O Marcelo, moça... Ele tá morto! O meu homem, o pai do meu filho!

ANASTÁCIA - Mas que tragédia!

Anastácia começa a chorar, abraçada a Iolanda.

ANASTÁCIA - Eu vou ir ali ligar pra ambulância... Espere um pouco!

Anastácia vai correndo, arrasada, até a casa. Iolanda, com dificuldades para se levantar, corre até o corpo de Marcelo e sai arrastando ele até o portão, com dificuldades, o que leva 30 minutos. Ela pega seu celular e liga para uma ambulância de um hospício, que chega em minutos. Enquanto isso, Anastácia fica a observar o local, a procura de Iolanda.

HORAS DEPOIS

Vários policiais e peritos presentes no local investigando e fotografando tudo. Anastácia, chorando muito, consolada por Zé Bento(homem escuro, esposo de Anastácia).

ANASTÁCIA - Eu disse pra ele, Zé Bento... Eu falei pra ele não vir até aqui!

ZÉ BENTO - Eu também estou muito triste, Anastácia... O patrão sempre nos ajudou em tudo o que precisávamos! E cadê a mulher que você disse ser a mulher dele?

ANASTÁCIA - Cê sabe que eu num sei... Ela tava aqui esperando eu ir pedir ajuda, quando cheguei ela tinha sumido! Eu tive que dispensar a ambulância... Mas cê sabe que ela falou uma coisa que me deixou intrigada!

ZÉ BENTO - Que coisa?

ANASTÁCIA - Eu me lembro direitinho que ela disse o pai do meu filho... Mas o seu Marcelo tem filho?

ZÉ BENTO - Não que eu saiba... Na verdade pelo o que consta, depois da morte da falecida, ele só teve dona Celinha como esposa... E as más línguas dizem que a falecida era estéril e não podia ter filhos! Era essa história que ele contava pra gente também!

ANASTÁCIA - Muito estranho!

Os dois ficam a se encarar.

CORTA PARA

CENA 7/ HOTEL/ DIA/ INT/ QUARTA DE CELINHA E JOYCE

Joyce está com os pés esticados em sua cama, com um notebook no colo. Celinha no banheiro. Joyce se assusta ao ler a notícia:

Sem Vestígios? Senador Marcelo Brandão morre em uma explosão, numa mina em uma fazenda na cidade de Salvador-BA.

JOYCE - (assustada) Celinha corre aqui!

Celinha sai assustada do banheiro, e se senta ao lado de Joyce. Ela lê a notícia e vai ficando assustada.

CELINHA - Mas Deus é muito bom pra mim... Eu to rica! Ele não tem nenhum herdeiro, a não ser a mulher dele, porque pelo menos isso ainda é verdadeiro... Sou casada com ele no papel!

Celinha solta uma gargalhada. Joyce fica a observar a amiga, com medo.

CORTA PARA

CENA 8/ CASA DE TARCÍSIO/ DIA/ INT/ SALA DE ESTAR

Tarcísio deitado em seu sofá. Seu filho, Hugo(jovem de vinte e três anos, cabelos negros, corpo viril) trás pra ele uma xícara de chá. Ele se senta e toma.

HUGO - Vê se toma rápido, ein! Se não pode esfriar!

TARCÍSIO - Olha quanto tempo já se passou, meu filho... A sua irmã nem ligar pra saber como eu estou!

HUGO - Pai, o senhor está falando da mesma Celinha do que eu? Cê tá cansado de saber que a minha irmã não vale o prato que come. Casou-se com um homem só pelo dinheiro dele, pela fama, pela fortuna e pelo conforto. E nós? Nós temos que viver nossa vida entre nós dois, e esquecer que a Celinha um dia fez parte dessa família!

TARCÍSIO - Eu não vou viver muito, meu filho! E eu não quero que você fique sozinho nessa vida!

HUGO - Vamos parar com isso, pai... O senhor tem muito que viver ainda, e vamos parar de conversa fiada. Tome o chá antes que esfrie.

Hugo fica a encarar Tarcísio com um olhar de pena. Tarcísio toma o chá, com os olhos cheios de lágrimas.

CORTA PARA

CENA 9/ HOTEL/ DIA/ INT/ CORREDOR

Armando passa correndo, sem camisa e com short, e esbarra novamente em Celinha, que fica encantada.

CELINHA - (encantada) Nossa! Não imaginava que você era tão gostoso assim!

ARMANDO - Isso é porque você ainda não me viu na cama!

CELINHA - Quer testar?

ARMANDO - Só se for agora!

Os dois entram em um quarto vazio.

CORTA PARA

CENA 10/ HOTEL/ DIA/ INT/ QUARTO VAZIO

Celinha e Armando completamente nus, deitados na cama, abraçados, debaixo do edredom.

CELINHA - Há muito tempo eu não tinha uma noite tão boa em minha vida!

ARMANDO - Então... A decisão é sua se quiser isso sempre!

CELINHA - Como assim?

ARMANDO - Eu sou filho do seu marido... Sou filho de Marcelo Brandão! E eu quero destruí-lo!

Celinha se espanta, mas ri.

CELINHA - Como? Como você quer destruir um homem morto?

ARMANDO - Como assim? Morto?

CELINHA - Sim! Meu marido morreu na explosão de uma mina!

Armando se espanta.



FIM DO CAPÍTULO

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