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NOVELAS

ANTES DO FIM

SEM TEMPORADAS

COMPLETO


Com a vida arruinada, por uma desconhecida, Samantha é obrigada a voltar para casa como derrotada, mas o destino lhe confere a chance de dar o troco e sentir o doce sabor da vingança. Conheça a história de Samantha e Laura, duas mulheres diferentes que partilharão a mesma vida.

Tiago Machado
AUTOR

29. VIGÉSIMO NONO CAPÍTULO

Todas no apartamento sabiam que Sandro perdera o controle e a loucura dominava-o por completo.

— Agora que todas já chegaram, já podemos começar a nossa festa – Sandro gargalhava e apontava a arma para as mulheres.

Sandro aponta a arma para Vera e ordena:

— Você pode sair Vera. Tranque a porta. Eu vou demorar um pouco por aqui.

Vera relutou por alguns segundos e depois de ver que nada poderia fazer saiu do quarto e trancou a porta deixando Sandro, Laura e Samantha sozinhos. Sandro foi até a cama e puxou os cabelos de Laura evidenciando as cicatrizes.

— Olha que belo trabalho. Essa putinha achou que era bonita e que poderia mandar e desmandar em tudo. A Vida ensina, não é mesmo?

— A Laura precisa de um médico Sandro! Deixe-a ir, eu fico com você. Já estou aqui.

— Ela não pode ir. Eu quero que ela veja o que vai acontecer. Ela será nossa testemunha meu amor. Não só essa desgraçada, mas o mundo saberá o quando eu te amo e conhecerá as loucuras que sou capaz de fazer por você!

Sandro com a arma em punho se afasta da cama e se posiciona onde Laura e Samantha possam vê-lo. Cuidadosamente e sem tirar os olhos das duas ele tira o paletó e o resto da roupa ficando completamente nu. Laura fecha os olhos assustada com a visão. Samantha levanta o queixo obstinadamente e diz:

— De todos os momentos esse é sem sombra de dúvidas o menos apropriado para um strip-tease.

— Eu não faria gracinhas, meu bem, logo você estará implorando para eu montar em você. E a Laura será a testemunha. Abra os olhos cadela e você Samantha tire a roupa.

— Você é todo machão porque está com essa arma na mão. Então é assim que você fica com as mulheres? Ou as obriga ou paga por elas!

— Você tem razão. Eu quis pagar para você, mas você é do tipo que gosta de ser forçada. Puta. Agora tire a roupa!

— Sandro, por favor! Isso já foi longe de mais. Deixa-nos ir. Eu prometo que não faço nada, eu não falo nada para o meu pai e nem para a polícia — Implorou Laura.

— Laura, Laura. Você disse que me daria a Samantha. Você me pediu para te ajudar a tirá-la do seu caminho e agora quer ir sem participar da brincadeira? Não é assim que as coisas funcionam, não mais. Quem dita às regras agora sou eu.  Tire a roupa Samantha.

Laura olhou para Samantha e com o olhar pediu desculpas. Tudo o que acontecera fora culpa dela. Laura não conhecera limites e forçara Samantha a se defender e quando a conta chegara o preço era alto de mais. Muitas coisas haviam ficado pelo caminho e o sabor era amargo. Laura jogara o melhor de sua vida fora por conta da vaidade e por contas de caprichos. Ela imaginara que ao ver Samantha sofrer sentiria prazer, mas tudo, agora, era completamente diferente. Se ela pudesse fazer algo diferente...

Samantha tirou e os sapatos para que pudesse tirar a calça. Quando ela ficou apenas de calcinha e sutiã, Sandro lhe ordenou que colocasse novamente os sapatos. O pênis estava inchado e latejado. O corpo pesado estava coberto de suor como se ele tivesse entrado no chuveiro e saído sem se secar. Laura podia jurar que ele estava, literalmente, babando ao ver o belo físico de Samantha. Se tudo ocorresse em outro momento e as circunstancias não fossem adversas, Laura sentiria inveja. Todos os momentos em que elas passaram juntas, Laura mantivera pensamentos negativos sobre a outra moça. Nunca parara para pensar coisas positivas ou em como Samantha mudara a vida do pai, mudara a empresa. Tudo fluía com a presença dela. Droga! Por que ela não se permitira antes?

Com os olhos vidrados e agora tocando o pênis com a mão desocupada, Sandro fez sinal para que Samantha andasse pelo quarto. Os primeiros passos foram pesados e desengonçados. Ela sentia o pânico dominar seus músculos, ossos e aos poucos dominar cada parte do seu corpo. Sandro poderia possuí-la, mas não possuiria sua mente. Ela desligaria seu cérebro e estaria em outro lugar. Qualquer lugar que não fosse alí com aquele doente.

— Você deve se exibir para a sua plateia! Nós queremos um belo show, não é mesmo Laura?

Sandro foi até a cama e tocou o rosto de Laura. Ao imaginar que ele pegara no pênis e depois em seu rosto fez Laura quase vomitar. Ela contraiu o rosto e tentou afastar a mão do homem de si.

— Sabe que eu sempre quis possuir duas mulheres. Você está parecendo um monstro com essa cara queimada, mas algumas partes permanecem intactas. – Sandro puxou as cobertas que cobriam o corpo de Laura.

— Você não quer deixar sua amiguinha sozinha, quer? Tire as roupas também! Melhor. Samantha! Você vai tirar as roupas da Laura. – Sandro se afastou e levou a mão desocupada mais uma vez ao pênis.

O cheiro forte do suor do Sandro tomou conta do pequeno quarto. Depois de muito tempo Laura veria seu corpo nu outra vez e veria o resultado de suas intenções. Ela queria que Samantha queimasse na cabana. Samantha se aproximou e seus olhos se encontraram. Eles diziam muitas coisas, mas Laura não encontrou raiva neles.

Laura trajava uma roupa simples. Vera cuidara para que ela estivesse sempre limpa e bem tratada, mas nunca esperou que Sandro chegasse ao ponto que chegou. Após sair do quarto ela grudou o ouvido a porta e tentou captar os sons que vinham de lá de dentro. Ela ouvira Sandro gritar para que a moça que acabara de chegar tirasse as roupas. Tudo se tornara uma grande loucura. As lágrimas corriam por seu rosto e ela levou à mão a boca para abafar um soluço.

Samantha tirou a blusa de Laura. Os seios fartos ficaram a mostra. Um ainda mantinha a beleza. Branco com a aureola rosada, mas o outro fora maculado pelas chamas. Nada comparado ao rosto. Algumas cicatrizes até já eram claras, quase imperceptíveis. Laura não choraria, não demonstraria tal fraqueza. Vendo a obstinação no rosto de Laura, Samantha se manteve firme e olhou para o para que a tudo via extasiado. Samantha desviou os olhos dele por alguns segundos, mas logo voltou a fita-lo devido aos barulhos que ele fazia. Sem muita dificuldade ele chegou ao gozo.

— Droga! Olha o que vocês fizeram comigo suas cadelas lascivas. Eu vou precisar me ausentar por uns segundos – Disse pegando a calça e vestindo com dificuldade.

Samantha e Laura o observaram sair do quarto e trancar a porta atrás de si. O apartamento fora tomado por um silencio sepulcral. Samantha cobriu Laura com a coberta novamente.

— Eu sinto muito por tudo isso. Eu juro que se eu pudesse... – Laura segurava firme o braço de Samantha.

— Não pense nisso agora! Nós precisamos sair daqui. Ele deve voltar logo – Samantha falava baixo quase como um sussurro.

Ela foi até a janela, mas estava bloqueada por madeiras. Samantha vasculhou, diligentemente, cada pequeno espaço do quarto em busca de algo que pudesse ser usado como arma, mas não havia nada. Os segundos voavam e ela sentia que a qualquer momento o homem voltaria. Seu coração batia tão forte que ela teve a impressão de que Laura que estava do outro lado do quarto pudesse ouvi-lo bater.

Para felicidade das duas, Sandro demora tempo demais, mas a paz durara pouco tempo, lá estava ele abrindo a porta e exigiria que elas continuassem. Samantha não encontrara nada. As duas estariam novamente a mercê das vontades de Sandro.

O homem ligou para a recepção e pediu para que eles fechassem a conta. Ele já estava de saída. O quarto era uma cena de filme de terror, os objetos usados e todo o sangue o deixavam excitado, mas ele não poderia se tocar uma última vez. Tinha que preparar tudo e dar fim ao belo corpo que jazia sem movimento na cama. Lorenzo era forte e demorara a morrer e isso só deixou o cara magro com mais desejo.

Ele dispôs uma lona no chão e colocou o corpo de Lorenzo sobre ela. Com precisão cirúrgica começou a cortar nas juntas para que os membros se separassem. Quando restava apenas o tronco ele sentiu desejo de penetra-lo uma ultima vez. Queria sentir o belo corpo uma ultima vez. O gozo foi quase que imediato.

Aos poucos, cada membro, partido, de Lorenzo foi colocado numa mala e o homem magro cuidou para que nem um vestígio do que acontecera fora deixado para trás. O quarto estava impecável. Quando o serviço de quarto chegou para arrumar ela ficou surpresa. O quarto estava impecável. Os hospedem não eram como aquele. Todos faziam questão de deixar o quarto virado de cabeça para o ar. As malas foram dispostas no carrinho. E o homem seguiu para a recepção com olhar vago e sereno.

— Obrigada por escolher o nosso hotel!

Mesmo curiosa a recepcionista se manteve calada. Assim como acontecera, dezenas, de outras vezes os acompanhantes nunca saiam com seus amantes. Autoridades importantes já se hospedaram ali e receberam visitas noturnas. Elas chegavam e partiam e nunca permaneciam. Não tinham um nome para entrar no registro. Eram objetos sexuais. Nada mais.

— Eu quero alugar um carro. Tem algum lugar aqui próximo?

— Sim senhor! Fica na esquina.

— Temos táxis na porta, se o senhor precisar de algum para se locomover.

— Eu posso deixar as minhas malas aqui por alguns minutos? Eu só vou, loco o carro e volto.

— Claro! Será um imenso prazer! – Disse a recepcionista sorrindo.

Alguns minutos depois o homem voltou com o carro e o ajudaram a colocar as malas no bagageiro. Ele dirigiu por algumas horas até encontrar o que estava procurando. Era uma área de camping aonde os jovens iam para usar drogas e nadar. O lago seria o túmulo do belo rapaz que se sacrificara em nome do prazer. Ele se posicionou na traseira do carro e contemplou a vista por alguns minutos, depois acendeu um cigarro e ali permaneceu. Tudo deveria ter seu tempo determinado. O rito de purificação. Era assim que ele chamava. Quando o sol já estava quase se pondo ele abriu o porta malas e tirou de lá a mala que continha o corpo de Lorenzo. O lago era surpreendentemente raso e ele não estava de barco para alcançar um local mais fundo, então outra ideia lhe ocorreu.

A curiosidade o tomou e antes de jogar o corpo de Lorenzo no lago, ele abriu a mala e retirou a cabeça de lá de dentro. Era um belo rosto, sem sombra de dúvidas. O jovem rapaz morrera com cara de dor e isso deixou o homem magro feliz. Era a prova de que fizera um excelente trabalho. Pouco a pouco as partes do corpo foram enterradas em lugares estratégicos e separadamente. Por último ele enterrou a cabeça, mas antes de coloca-la no buraco ele beijou os lábios frios e sem vida da cabeça deformada. Um doce beijo de despedida. 

Com o corpo enterrado em partes diferentes e bem longa uma da outra, ele atearia fogo na mala quando estivesse em outro lugar. Um ciclo que se encerrava. Estava na hora de procurar outro rapaz. Bem longe dali. A ideia era como um afrodisíaco e fez seu corpo reagir instantaneamente.



FIM DO CAPÍTULO

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