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NOVELAS

ANTES DO FIM

SEM TEMPORADAS

COMPLETO


Com a vida arruinada, por uma desconhecida, Samantha é obrigada a voltar para casa como derrotada, mas o destino lhe confere a chance de dar o troco e sentir o doce sabor da vingança. Conheça a história de Samantha e Laura, duas mulheres diferentes que partilharão a mesma vida.

Tiago Machado
AUTOR

23. VIGÉSIMO TERCEIRO CAPÍTULO

— Alguém sabe que você está aqui? É fundamental para o sucesso do nosso plano que ninguém saiba.

Laura olha para Sandro com desprezo e conclui:

— Eu sabia que você era um covarde, mas, por favor. Muda essa cara que já está me dando nojo. Você queria essa vagabundinha e eu estou dando ela para você!

— Isso tudo é muito arriscado Laura.

— Tudo vai parecer um acidente. O corpo dela vai queimar junto com a cabana e não vão conseguir fazer DNA com as cinzas dela!

Laura sentiu a umidade se formar entre as coxas e praguejou em seu pensamento.

— Sandro! Liga o gás que eu vou ao quarto e já volto.

Sandro foi até a cozinha da cabana e girou o registro do gás. O plano da Laura era um plano perigoso, mas se desse certo ele teria Samantha para ele, quantas vezes quisesse e a hora que quisesse.  A tensão do que estava por acontecer só aumentava sua euforia e constante mente ele limpava o suor em sua testa.

Laura apareceu e disse observando minuciosamente cada detalhe da cozinha:

— Toma cuidado para não deixar seu DNA espalhado pela cabana.

— O que você está fazendo? – Perguntou Sandro intrigado com a cena.

— Analisando os detalhes. Muitas pessoas se perdem nos detalhes. São as pontas soltas que nos enrolam.  

Samantha acordou e sentiu a fisgada na cabeça. Suas mãos e pés estavam amarrados e um temor lhe invadiu.  Ela ouvia Laura falar com alguém ao longe, mas não conseguia distinguir as palavras e nem com quem ela falava. O medo era real que podia ser palpado. Laura não mentira sobre a surpresa. Samantha estava apavorada com  a possibilidade do que estava por vir. Ela precisava sair dali, precisava escapar.  Tudo se tornara uma questão de sobrevivência. Samantha não imaginara que as coisas chegariam a esse patamar. Matar ou morrer.

O gás já invadia toda a casa e aos poucos sua presença, perigosa, se misturava com outras fragrâncias e sua presença se tornava imperceptível, mas ainda era ameaçadora. Certas coisas acontecem em nossas vidas dessa forma. Não damos a devida importância. Não é por que não se manifesta que não seja perigoso.

Carmem caminhava tranquilamente pelo bairro. Em uma das mãos ela carregava uma pequena mala e na outra sua bolsa que não cabia absolutamente nada porque estava abarrotada de dinheiro. Notas e mais notas que somadas chegavam a uma quantia astronômica. Carmem sabia que sua presença chamava a atenção e escolher andas ao invés de chamar um táxi foi uma atitude deliberada e meticulosamente pensada. Ela entrou no café e escolheu uma mesa onde todos pudessem vê-la. Uma garçonete veio atendê-la e anotou o pedido tentando ser o mais eficiente possível, afinal de contas a ricaça poderia ser generosa com a gorjeta.

Ao provar o café Carmem sentiu o sabor invadir lhe a boca e aquilo lhe proporcionou um grande prazer. Era sem sombra de dúvidas o melhor café que já provara, mas a contra gosto gesticulou para a garçonete e disse lhe:

— Querida, esse é o pior café que eu já provei na vida. Vocês deveriam ter vergonha de servir algo parecido. Nem no pior boteco de esquina eles servem algo semelhante.

A garçonete sem entender e frustrada ao mesmo tempo por ver que a ricaça não lhe daria gorjeta, tentou reparar a situação.

— Eu sinto muito senhora. O que eu posso fazer para amenizar seu transtorno?

— Nada meu bem. Certas amarguras vêm da alma. Você poderia me trazer um folheado e um café expresso. Vamos torcer para que o café da máquina seja melhor.

Nesse instante rompeu pelas portas outra senhora, muito bem trajada, e sem cerimonias se juntou a outra.

Veronica estava transtornada e controlando a raiva ela disse ponderadamente:

— Encontrar você não é tarefa das mais difíceis.

— Eu diria que não. Um cachorro segue o rastro do outro. Ou eu deveria dizer cobra?

— Você descumpriu com nosso trato. Agora eu quero meu dinheiro e quero ver você manter a pose com um uniforme da penitenciária.

— Nós duas vamos fazer uma selfie dentro da cadeia e postar. Qual de nós duas fica melhor de presidiária?

— Eu não quero conversar com você aqui. O que acha de darmos uma volta? Você chama muito a atenção dos passantes.

— Espera só mais um minuto que tem um amigo nosso vindo para se juntar a nós nesse cafezinho tão especial.

— O que é que você está armando? Quem é que está para chegar?

— Espera para você saber. Eu te aconselho a não pedir o café. O daqui é péssimo. Quem sabe eles têm alguma coisa ligth para você comer.

Veronica levanta-se da cadeira olhando para os lados e pega sua bolsa.

— Já vai? Tem certeza que não quer esperar o nosso amigo? Ele adoraria te ver. – Diz Carmem com sarcasmo.

— Isso não acaba aqui. Você pode ter certeza.

— Eu sei disso. Tenho plena certeza. Não acaba nem para mim, nem para você. No jogo que nós jogamos nunca há vencedores. Justiçados sim, vencedores nunca!

Carmem tencionava fazer um último ato de bravura antes do que ela saberia que viria. Veronica dera a ela uma enorme quantia para que ela levasse com sigo o segredo de anos atrás, mas Carmem não estava disposta a fazer. Estava disposta a contar a verdade sobre o filho para Laura e de quebra se mandar com toda a grana. Ganhar tempo era o que ela estava fazendo e se prevenindo também. Afinal de contas ela sabia que Veronica era capaz de fazer e quando sabendo que a megera estava no seu rastro ela se manteria em locais públicos e chamaria o máximo de atenção, assim, se algo lhe acontecer ela associaria sua imagem a de Veronica e a polícia iria imediatamente ligar uma a outra. O segundo passo era entrar em contato com Laura

Carmem sabia que Laura estava fora da cidade e ligou para a casa dela e pediu o celular da moça, ela disse que precisava falar com ela urgente e gentilmente a secretária da casa passou o número. Tudo deveria ser feito com cautela para chamar a atenção. Carmem pegou um táxi e deu algumas voltas pela cidade a fim de despistar quem a tivesse seguindo, em seguida orientou o motorista a seguir para a casa de Veronica, a fim de tirar umas fotos do pequeno Gabriel e mandar para Laura.

Laura foi até a cozinha da cabana e pode sentir o cheiro forte do gás invadir lhe as narinas. Como se fosse preparar um café ela colocou outra panela com água para ferver e provocou o incêndio que colocaria fim aos seus problemas. Ela diria que perdeu o bebê tentando ajudar Samantha a sair da cabana, mas por mais heroicos que seus atos pudessem ser ela não conseguiu tirar a amiga e viu tudo queimar sem que ela pudesse ajudar.

Com as mãos e pés amarrados Samantha começou a sentir o cheiro da fumaça, mas logo depois Laura abriu a porta do quarto e disse sorrindo:

— Vamos sair daqui meu bem? A casa vai pegar fogo e não queremos que esse belo rostinho seja danificado. Eu vou soltar os seus pés e para sua segurança é melhor você não tentar nada porque se não eu deixo você aqui para morrer.

Samantha estava assustada de mais para protestar. Tudo o que ela mais queria era sair dali. Laura guiava Samantha para fora da cabana e a fumaça que vinha da cozinha já se alastrava por toda cabana. As chamas devoravam as paredes ao seu redor e logo atingiriam todo o resto. Elas já estavam na sala quando Laura escuta o celular tocar ao longe.

— Nós vamos voltar para pegar o meu celular. – Ordenou Laura e puxou Samantha para a direção oposta a saída.

— Laura, esquece esse celular! Nós vamos ficar presas aqui.

— Você não está em posição de refutar nada.

Com as chamas se intensificando era difícil manter os olhos abertos sem que estes não ardessem.

Sandro observava a movimentação de longe, como combinado, mas já começava a se angustiar com a demora que seguia.

Laura encontrou o celular e fez o download das fotos que foram recebidas. Seus olhos se encheram de lágrimas e ela largou Samantha por um momento e segurou firme o celular com as duas mãos para se certificar de que o que ela estava lendo era verdade.

— Samantha! O meu filho não morreu.

— Você deve estar louca Laura. Você perdeu o bebê. Vamos sair daqui logo. Anda.

Laura perdera o senso da realidade e divagava entre o futuro e o presente. Sua mente estava eufórica pela descoberta que ela estava totalmente alheia aos acontecimentos do presente. Seu filho não estava morto. Era uma criança linda e estava brincando naquele momento.

Samantha não estava disposta a partilhar aquele momento de louca e mesmo com as mãos amarradas seguiu em direção à saída. A visão e a respiração estavam prejudicadas por causa da fumaça que já dominava a casa. Antes de sair ela olhou para trás para se certificar de que Laura estava a seguindo, mas nada viu além de fumaça. Ela que se vire, pensou.

Samantha sentia o fogo aquecer sua pele delicada, as chamas dançavam a sua frente, era algo realmente lindo de se ver, todos os seus problemas acabariam junto com a velha cabana e a com sonsa que queimava junto com todo o resto. Antes de entrar no carro conversível Samantha tirou a poeira da sandália, ela não levaria nenhuma recordação para sua nova vida. Durante muito tempo Laura fora um problema para Samantha, mas agora que ela estava queimando Samantha não tinha mais nada com que se preocupar. Nada. 

Sandro observou Samantha sair no carro conversível e algo se alarmou dentro dele. Não fora isso que ele havia combinado com Laura. Algo estava terrivelmente errado. Com determinação ele correu para a cabana, mas o excesso de peso o impediram de ser mais ágil.  



FIM DO CAPÍTULO

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