18

NOVELAS

ANTES DO FIM

SEM TEMPORADAS

COMPLETO


Com a vida arruinada, por uma desconhecida, Samantha é obrigada a voltar para casa como derrotada, mas o destino lhe confere a chance de dar o troco e sentir o doce sabor da vingança. Conheça a história de Samantha e Laura, duas mulheres diferentes que partilharão a mesma vida.

Tiago Machado
AUTOR

19. DÉCIMO NONO CAPÍTULO

Laura já tinha todos os detalhes do plano na cabeça. Tudo seria perfeito. Tirar as coisas das pessoas se tornara fácil, desde que a vida tirou dela o que ela tinha de mais precioso.

Perder um filho não era como perder dinheiro ou algo valioso. A ausência nunca era preenchida. Sempre existiria uma lacuna, ao acordar a noite ela sempre acordava buscando pelo filho que jazia no mais escuros becos da memória.

Para colocar o plano em execução Laura precisava colocar o pai na jogada.

— Pai eu pensei em passarmos o fim de semana na cabana. Eu o Bernardo o senhor a Samantha, a Isabel com o namorado dela. Vai ser ótimo. Vai ser uma ótima ocasião para o senhor pedir a mão da Samantha.

— Seria mesmo, mas infelizmente eu vou viajar, mas eu faço questão que vocês vão. Vai ser ótimo.

— O senhor pode falar com a Samantha? Eu quero que ela vá comigo para preparar uma surpresa para o Bernardo. Eu e ela vamos um dia antes e o Bernardo e a Isabel vão no outro dia.

— Eu vou falar com ela. Pode deixar.

Samantha não queria preparar surpresa para Bernardo e muito menos ajudar Laura, mas para manter as aparências ela concordou. Samantha não sabia ao certo o que sentia quando olhava para Bernardo. Se era saudade, raiva, amor, desejo ou se era uma combinação de todos esses sentimentos juntos.

Mesmo tendo um apartamento de luxo Samantha sempre que podia estava na casa de Mizael, era uma forma de marcar território, fazer Laura saber que ela sempre estaria por perto. Observando cada movimento da rival. Samantha adorava ficar na piscina tomando sol e expor a ótima forma física. Um dia para a sua surpresa Bernardo se aproximou. Ele trouxera um copo de refresco.

Samantha sentou na espreguiçadeira e disse em alemão:

— Você me surpreendeu. Eu nunca imaginei que você viesse falar comigo.

— Antes eu não tinha coragem. Eu também não sabia ao certo o que falaria quando estivesse cara a cara com você.

— Não importa mais. Nós dois já fizemos as nossas escolhas.

— Você não sabe mesmo quem era o cara que estava com você na cama?

— Não... eu não faço a menor ideia.

— Para minha tristeza eu acho que a Laura sabe. Um dia eu os vi conversando.

Antes que Samantha pudesse dizer a próxima frase Laura apareceu.

— Vocês não têm mais nada para conversar. Vem Bernardo o meu pai quer falar com você.

....

Geraldo precisava se aproximar outra vez de Laura, precisava arrumar um meio para estar com ela e para isso pediu para Carmem ligar e dizer que estava no Brasil e marcar um encontro para que elas pudessem conversar. Carmem ligou e pediu para que elas se encontrassem no hotel onde ela estava hospedada.

Laura chegou ao hotel e deu o nome falso de Carmem, Carmem recebeu Laura com um abraço afetuoso. Laura não fez rodeios, soltou logo a pergunta:

— Eu achei que você nunca mais pisaria no Brasil.

— Você deve imaginar como são essas coisas um dia não se pode e no outro pode. Estou aqui.

Carmem se aproxima de Laura e toca sua barriga.

— Você está grávida. Foi uma noticia maravilhosa.

— Eu estou radiante, não achei que fosse possível. Eu devo confessar também que a ideia me assustava um pouco. Essa criança é muito preciosa para mim.

— Deus gosta de pregar peças em nós médicos. Nós dizemos que não e logo vem Ele e muda tudo. Nós falamos sim e Ele simplesmente diz não. É uma queda de braço que não podemos vencer.

— Eu fiquei curiosa para saber o que você tinha para me falar.

— Eu particularmente não tenho nada a dizer, mas ele sim.

Carmem gira os calcanhares e vê Geraldo sair do banheiro. Ao vê-lo Laura arregala os olhos como se estivesse vendo um fantasma.

— Eu não quero ouvir uma palavra do que ele tem a me dizer.

— Minha Laura, nós estamos aqui. Escuta-me.

— Eu vou embora.

Laura foi até a porta e constatou que a mesma estava trancada.

— Me deixem sair! Eu não quero ficar.

Geraldo se aproximou e tocou o ombro de Laura para acalma-la e a reação que veio a seguir foi a mais inesperada. Laura o cobriu de tapas, murros e feria sua pele com as unhas. Carmem interveio.

— Laura, por favor. Se acalme.

Mas Laura estava fora de si, todo o ódio viera a tona e ela não conseguia mais se controlar. De repente os gritos cessaram e o quarto foi tomado de um silencio pavoroso. Geraldo estava com os braços sobre a cabeça para se defender dos golpes, mas o próximo golpe não veio.

Laura estava imóvel com seu rosto pálido. Uma mancha de sangue escorria por suas pernas e ela permanecia imóvel.

— Ela está sangrando. Faça alguma coisa Geraldo.

— Vamos deitá-la na cama.

O quarto começou a ficar preto e tudo ao seu redor ficou disforme. Laura sabia o que estava por vir. Ela tentava falar, mas as palavras se transformavam em uma bola de carne em sua boca e ela não conseguia pronunciá-las.

— Nós precisamos leva-la ao hospital.

Carmem ligou para a recepção e logo uma ambulância estacionava na entrada do hotel.

Laura estava mergulhada na escuridão, ela não conseguia ver nada e só sentia que em meio à escuridão havia agulhas que espetavam todo o corpo dela. Ela sentia vontade de gritar, mas alguma coisa lhe tapava a boca e segurava seus braços e pernas.

Carmem e Geraldo estavam desesperados. Geraldo estava todo machucado e falou baixinho para Carmem.

— Nós precisamos sair daqui.

— E deixar a Laura?

— Carmem como nós vamos explicar a historia toda?

—Pode ir. Eu fico e tento concertar as coisas. Eu não posso deixa-la aqui nessa situação.

— Me mantenha informado. Você sabe que eu só quero o bem dela.

— Tudo bem, agora sai daqui antes que eu mesma chame a policia pra você.

Uma luz fraca surgiu em meio à densa escuridão e aos poucos ela pode reconhecer onde estava. Laura foi abrindo os olhos e observou os detalhes do quarto onde estava. Era um quarto grande e deveriam ter umas vinte pessoas se amontoando. Uns pareciam mortos e outros já pareciam estar em decomposição.

Minutos depois Carmem entrava no quarto. Ela estava tão elegante que era impossível não notar sua presença. Laura conteve o desejo de voar na garganta dela e apertar com força.

— Você está bem querida?

— Que lugar é essa Carmem?

— Você está no hospital. Toda aquela cena lhe causou alguns percalços.

— Eu sei que isso é um hospital, mas de que povoado da África?

— Adoro seu senso de humor. Estamos no hospital público.

— Meu filho está bem?

Uma enfermeira observou a movimentação e se aproximou:

— Você tem que repousar.

— O meu filho está bem?

— Você fez um aborto. Sinto muito.



FIM DO CAPÍTULO

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